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Dentre as diferentes possibilidades de interação no cinema, o diretor Danny Boyle é especialista em provocar incômodo. Seus melhores filmes são os que mais incomodam, e Extermínio: A Evolução (2025) é um de seus melhores filmes. Pense na nova sequência da franquia de terror como uma extensão de quase duas horas da sequência do vaso sanitário de Trainspotting (1996), e você vai conseguir visualizar melhor tudo que escrevo.

Do início ao fim, Boyle nos faz enxergar esse novo mundo através dos sentimentos de crianças inocentes e adultos confusos. Montagem, fotografia e movimentos de câmera evocam a perda da inocência e a farsa, usando cortes rápidos, flashs e imagens borradas para causar impacto ou confusão.

Crítica de Extermínio: A Evolução
Reprodução/Sony Pictures

A trilha sonora, com um emaranhado dissonante de punk rock, complementa a estranheza e estabelece um estado de alerta constante. O trabalho audiovisual é muito competente em causar o sentimento de um lugar onde você não exerce domínio.

O texto de Alex Garland — cuja estrutura moldada em fases, chefes e exploração de mapas remete a videogames —, abastece a confusão de Boyle com uma história ácida sobre ritos e como eles moldam civilizações.

Nessa realidade, apenas o Reino Unido está infectado. O mundo fora da ilha é tão ‘normal’ quanto o nosso. Quando o choque desses mundos é provocado em um momento mais avançado da trama, Extermínio: A Evolução (2025) estabelece o abraço aos ritos como uma constante fomentada pela ânsia de propósito. Para os personagens, descobrir o significado de tudo é uma vingança à morte.

Reprodução/Sony Pictures

Com mais bagagem desde a última vez que brincou com zumbis, Garland traz consigo o que o levou a Guerra Civil (2024) e Tempo de Guerra (2025), incluindo na trama um debate sobre a natureza hereditária da violência, e um questionamento sobre ainda estarmos usando nossos jovens como máquinas descartáveis de matar.

O horror está mais presente que nunca na franquia em Extermínio: A Evolução (2025), mas menos pelos zumbis do que o grande público gostaria. Além da aterrorizante e constante insegurança evocada pela direção de Danny Boyle, o que mais dá medo é a perspectiva de Garland sobre estarmos condenados a um ciclo interminável de impactos gerados pelos ritos criados no passado.

Reprodução/Sony Pictures

Seria arrogante de minha parte dizer que este é um filme difícil, pois não é. No entanto, é uma obra que vai totalmente contra as convenções comerciais de Hollywood, até mesmo para seu gênero, que dá mais abertura. Não espere por exposição; você terá que encontrar suas próprias respostas. Espere ser provocado e ficar muito incomodado com o que assistiu. O corte, de veia muito experimental, certamente fez algum executivo de estúdio “fritar a cabeça”.

Extermínio: A Evolução (2025) é uma viagem sensorial, impactante e atemporal sobre os instintos humanos em conflito com regras e convenções. Como grande maestro da esquisitice, o próprio Danny Boyle representa esse conflito, entregando um milagre hollywoodiano: um filme nada convencional que não tem medo de incomodar e correr grandes riscos. Um verdadeiro pesadelo para quem reduz o cinema a números. Um filme anti-executivo!

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Nota 9