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Indo contra o clichê de que a história é contada pelos vencedores, sou fascinado pelas histórias dos perdedores. Elas são, em sua essência, mais honestas e profundamente interessantes. Quem já experimentou a liberdade que o fracasso pode proporcionar, entende exatamente o que quero dizer. Não há vitória maior do que a liberdade de existir plenamente no momento. Essa conquista só é alcançada quando nos libertamos da paralisia da pressão e das expectativas de sucesso. Paradoxalmente, talvez seja preciso fracassar para vencer verdadeiramente. F1: O Filme (2025) mergulha nessa reflexão da liberdade selvagem, impulsionada por um amor essencial que transcende prêmios e aparências.

Citando um outro grande filme, Robbie Williams reflete em Better Man (2024) que a fama é como um eterno “parabéns para você”. Você só quer que acabe para poder comer o bolo, mas nunca acaba! Há a eterna sensação de que falta algo. Sonny Hayes, personagem de Brad Pitt em F1: O Filme (2025), foi expulso cedo demais dessa festa de aniversário, mas descobriu anos depois que não deveria ser amargurado por isso, pois finalmente podia se lambuzar com o seu pedaço do bolo.
A escolha criativa mais interessante da dupla Ehren Kruger e Joseph Kosinski foi fazer de Sonny um fracassado bem resolvido. A história não é sobre um veterano querendo voltar a ter dias de glória, tampouco sobre um perdedor em busca de redenção. O que o personagem de Brad Pitt busca é a experiência de um momento transcendental. Não tem a ver com troféus, mas com o brilho nos olhos.
Depois de anos estudando cinema, só alcancei uma maturidade quando entendi que esta é uma arte sobre imagem: tudo tem que servir à imagem. F1: O Filme (2025) é moldado inteiramente sobre essa proposta de resgate do brilho nos olhos, seja por parte do público ou da equipe criativa. É um longa feito por quem ama cinema para quem ama a experiência do cinema. Focando em Sonny como o cara que está em busca desse momento transcendental, a produção guia o público através de uma jornada mais interessada na experiência do que no resultado.

A escolha de focar nos azarões proporciona, também, a abordagem mais profunda que Hollywood já fez sobre a Fórmula 1. A trama não é realista de forma alguma, mas introduz elementos geralmente ignorados por outras produções.
Ora, é um filme, e você assina um contrato com a fantasia sempre que compra o ingresso. Portanto, é bobagem cobrar verossimilhança. Além disso, pode ter certeza de que a FIA está muito satisfeita com o conteúdo, pois quem não conhece nada sobre Fórmula 1 vai sair do filme com um conhecimento básico sólido desse esporte complexo, que transparece individualidade, mas necessita mais do coletivo que a maioria.

A verossimilhança sequer era a maior proposta do filme. F1 (2025) prometia dar ao público o ponto de vista dos pilotos da Fórmula 1. Seja pela imagem gerada pela tecnologia usada em Top Gun: Maverick (2022) ou pelo som capaz de vibrar poltronas com a aceleração dos motores, a proposta é cumprida com louvor e ritmo de um campeão mundial. As 2h40 passam num piscar de olhos. Quando menos imaginar, você vai se ver querendo mais desse sentimento.

Este não é o tipo de filme que ganha um Oscar ou que será lembrado na temporada de premiações. No entanto, é exatamente a obra que faz meus olhos brilharem. Eu sonho em poder fazer com que outras pessoas se sintam como eu me senti ao ver Sonny Hayes “voando” no Grande Prêmio de Abu Dhabi.
Embora modulado na fórmula padronizada dos blockbusters da velha guarda, F1: O Filme (2025) é uma ode cinematográfica à liberdade de ser, uma celebração do que acontece quando a paixão intrínseca supera a busca por validação externa. É verdade, há glória para os personagens no final, mas ela não anula o fato de que o longa é um lembrete pulsante de que, às vezes, a verdadeira vitória está em se perder na jornada, e não em chegar ao destino.
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