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O “Sonho Americano” é um tema central na filmografia dos Irmãos Safdie. Mesmo em caminhos separados, eles continuam a explorar os desdobramentos dessa cultura sobre vencedores e perdedores, chegando, curiosamente, à mesma conclusão. Marty Supreme (2025), de Josh Safdie, surge como um estudo maduro sobre o orgulho — ou talvez, o “orgulho americano” — que emana uma paz de espírito singular.

Com Marty Supreme, Timothée Chalamet diz estar no nível máximo há 8 anos
Reprodução/A24

Enquanto Coração de Lutador: The Smashing Machine (2025) se permite uma exploração sensorial e experimental, Marty Supreme (2025) mergulha de cabeça no cinema de agonia característico de Bom Comportamento (2017) e Joias Brutas (2019). É como se o espírito de Martin Scorsese em Depois de Horas (1985) retornasse revigorado — ou melhor, sob o efeito de esteroides.

Benny Safdie dá ênfase à composição e à resposta emocional que ela extrai do público; já Josh trabalha a movimentação de câmera como motor de Marty Supreme (2025). Entre os momentos em que exalta a atuação da vida de Timothée Chalamet, o foco de Josh é evocar a urgência: a imagem de alguém que corre sem parar atrás de uma saída, até encontrar, no fim, o seu destino.

Crítica de Marty Supreme
Reprodução/A24

Marty Supreme (2025) é um filme sexy em todos os sentidos possíveis. Essa energia transborda tanto na tensão latente entre seu elenco brilhante, quanto na trilha sonora New Wave — que, curiosamente, carrega todo o espírito dos anos 80 para dentro de uma trama ambientada na década de 50.

É verdade que Timothée Chalamet tem arrotado arrogância ultimamente, proclamando-se um dos maiores da história, mas o nível de segurança que ele entrega aqui torna quase impossível rebater suas bravatas. Marty Mauser é um papel geracional para um ator que, após passar com louvor por Willy Wonka e Paul Atreides, prova que sua confiança não é apenas ego, mas talento bruto.

Segurança” é um tema tão central em Marty Supreme (2025) quanto o “Orgulho“, e surge como resultado de uma reflexão que Benny Safdie também fez em Coração de Lutador (2025): a justiça do homem não se presta a ninguém, exceto a si mesmo. A paz de espírito só é alcançável quando se entende que a única pessoa a quem se deve provar algo é você. Religião, esportes, troféus ou o sistema judiciário são apenas artifícios que o homem busca para reconciliar-se com os próprios pecados e aliviar o peso do travesseiro.

Timothée Chalamet em Marty Supreme
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Em última análise, Marty Supreme (2025) é a manifestação pulsante de um Josh Safdie que caminha sem o peso da expectativa. Ao estrear em voo solo com tamanha segurança, ele entrega uma obra de maturidade rara: o retrato de um artista que, em meio ao caos estético, finalmente encontrou a sua paz de espírito criativa.

Leia também sobre os Irmãos Safdie:

A estreia oficial de Marty Supreme (2025) nos cinemas brasileiros acontece em 22 de janeiro.

Nota 10


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