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Talvez inspirados pelo já datado movimento do cinema de super-heróis de transformar filmes em longos episódios de uma série, Tom Cruise e Christopher McQuarrie desenvolveram O Acerto Final (2025) como o Ultimato (2019) da franquia Missão: Impossível. A inspiração no feito da Marvel Studios foi tanta, que até filmaram enquanto escreviam o roteiro. O resultado, como não poderia ser diferente, é um filme disfuncional que flerta com o medíocre.

A franquia Missão: Impossível, assim como a maioria das franquias de espionagem, é mais conhecida pelo episódico do que pelo tratamento de saga. Como público, você se importa menos com o tema do que com o método de seus filmes. A graça é ver Tom Cruise tentando morrer da forma mais criativa possível. Me espanta o fato de McQuarrie e Cruise terem aberto mão de algo tão sólido para apelar para doses cavalares de nostalgia.
Sendo honesto, a nostalgia não é a principal vilã de O Acerto Final (2025), mas a forma como é explorada. A montagem, ríspida, abusa de flashbacks e flashforwards. Os flashbacks ora te tratam como um idiota, ora lembram algo totalmente irrelevante que não precisava ser lembrado. Os flashforwards, por sua vez, estão no filme para te convencer a não se levantar da cadeira e ir embora antes que a sessão chegue à metade — acredite, você pode ter vontade de fazer isso.
O Acerto Final (2025) é um filme insuportavelmente expositivo. A trama para a todo instante para que os personagens expliquem o que está acontecendo ou o que vão fazer. Algumas sequências, inclusive, são explicadas mais de uma vez. Enquanto no ótimo Acerto de Contas (2023) os personagens pouco avançam, mas muita coisa acontece, neste filme, os personagens continuam avançando pouco, e, na maior parte do tempo, nada acontece. É um falatório insuportável e descabido que sai do nada e quase sempre chega em lugar nenhum.
Quem se convence pelos flashforwards e é mais resistente é recompensado com 1h30 do melhor que Missão: Impossível pode entregar. Repetindo a explicação — assim como o filme faz inúmeras vezes —, para esses filmes, a história é apenas uma desculpa para a ação. Muito claramente, Cruise e McQuarrie partiram para O Acerto Final (2025) com as sequências do Ártico e da África do Sul em mente e foram enchendo linguiça durante as filmagens para cumprir essa proposta de fechamento épico (spoiler: no fim, não fecham absolutamente nada). Se o filme fosse construído inteiramente em volta delas, seria muito mais funcional.

Reconheço, a metade final funciona como um excelente espetáculo de ação. A sequência do submarino no Ártico talvez seja a mais tensa de toda a franquia, e a perseguição dos aviões na África, embora não seja totalmente inédita, é muito divertida. Há, de fato, um pouco de Missão: Impossível em O Acerto Final (2025).
A sensação é que O Acerto Final (2025) não foi um filme bem planejado. As repetições de explicações evidenciam que o roteiro teve um desenvolvimento problemático. Muito possivelmente, foram produzindo sequências sem ordem e tentaram resolver tudo na montagem, o que pode explicar os principais problemas. Conhecendo Tom Cruise, duvido que este será o último filme da franquia.

Missão: Impossível – O Acerto Final (2025) piora tudo que funciona em Acerto de Contas (2023). A IA como vilã vira uma ameaça atômica padrão, e o aumento de personagens resulta em muito tempo de tela para nada. É como se o filme fosse um trabalho acadêmico que parte de uma boa ideia, mas que, além de se perder na ambição dos seus idealizadores, é prolongado demais para que doze pessoas possam falar algo durante a apresentação.
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