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Em O Vendedor Insuportável, o diabólico Pica-Pau enfia uma dentadura desproporcional na boca do pobre Urso Charlie, criando uma das imagens mais hilárias da animação. Involuntariamente, Edgar Wright transformou Josh Brolin em seu próprio Urso Charlie — e esse é, talvez, o único elemento divertido no desarranjo de O Sobrevivente (2025).

Pobre Urso Charlie (Reprodução/Universal Pictures)

O Sobrevivente (2025) é um filme que fala demais. Não no sentido da exposição nos diálogos, mas no de não dar espaço para que se possa sentir a história. Não há Glen Powell que corrija a má construção da relação com o protagonista. O Ben Richards apresentado por Edgar Wright é tão sem graça que sai da total indiferença para a torcida para que ele morra logo.

O protagonista acarismático, por si só, mata qualquer chance de o remake dar certo. Contudo, os problemas não param por aí, e o mais curioso é que eles não parecem derivar de uma má intenção de Wright.

Pobre Josh Brolin (Reprodução/Paramount Pictures)

Sinto clareza no plano do diretor em refletir a ansiedade e o dinamismo do mundo digital. Isso está nos cortes rápidos e nas montagens à la TikTok, que são, basicamente, Wright repetindo influências do cinema hiperativo de Michael Bay. Desta vez, no entanto, o britânico emula o cineasta de Transformers (2007) pelo seu pior ângulo: quando o ritmo fica nauseante.

O abuso da câmera lenta e dos recursos digitais revela uma falta de inspiração alarmante nas cenas de ação. O diretor, que acertou tanto a mão em Em Ritmo de Fuga (2017), desta vez brigou consigo mesmo por 2h13 para tentar alcançar o tom pretendido. O resultado é um filme que soa tão genérico quanto um placeholder da Marvel.

Pobre Glen Powell (Reprodução/Paramount)

Edgar Wright certamente tinha algo a dizer sobre a Geração Z, mas acabou soando como a sátira que tentou fazer dela. O Sobrevivente (2025) é como um adolescente que acha que sabe de tudo e grita na sua cara feito um militante, enquanto você não consegue entender nada do que ele diz.

Qual o propósito? Qual o recado? Seja qual for, se perde na tentativa de Edgar Wright em jogar xadrez com peças de Banco Imobiliário.

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Nota 2