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É 2026, vivemos em um mundo hiperconectado. Temos olhos e ouvidos em todos os lugares, mas nunca foi tão fácil ser encontrado. Talvez o acesso instantâneo à informação tenha deixado a vida mais previsível — e um tanto chata. Sobrou pouco espaço para a paciência e os jovens tem um apetite voraz por dopamina. O destino atropelou o percurso. Mas será que existe graça em testemunhar o mundo através de frestas? Mesmo ancorado na nostalgia, Pânico 7 (2026) tenta, mais uma vez na franquia, romper com o próprio passado. O resultado sugere que Kevin Williamson pode ser um visionário ou, talvez, apenas alguém que ainda não se adaptou ao ritmo da vida de agora.

Neymar no Santos em 2026; Didi se vestindo de adolescente; Iggy Pop, aos 78, ainda sem camisa no palco; Steve Buscemi com o skate nas costas. São quatro figuras tão anacrônicas quanto o novo longa de Williamson. Há um esforço conceitual em vestir uma roupa nova, mas o que está por baixo é algo que, simplesmente, não pertence a este tempo.

Crítica de Pânico 7
Reprodução/Paramount Pictures

Não que isso tenha a ver com Neve Campbell. Ela está maravilhosa em um nível que jamais esteve. Deixou de ser a garota em negação que reagia para sobreviver e tornou-se a mulher que age para vencer. O tempo passou para ela, e o maior mérito do filme é estabelecer essa nova Sidney como alguém que não é mais pega de surpresa, mas que aprendeu a surpreender.

Pânico 7 sucumbe ao anacronismo no instante em que tenta encontrar um propósito. Pode-se questionar as escolhas dos dois capítulos anteriores, mas é inegável que o Radio Silence injetou frescor na franquia. O grande mérito deles foi justamente traduzir a essência de Pânico para o ritmo frenético de hoje — e fazer isso funcionar. Já Kevin Williamson, ao tentar uma nova reformulação, preferiu tratar a modernidade como uma ameaça. O resultado é um vale da estranheza onde não há meios para os fins.

Reprodução/Paramount Pictures

Williamson não perdeu a mão nem se tornou ultrapassado. Aliás, discordo frontalmente da ideia de que a arte possa ser datada. O roteirista original ainda domina como poucos a técnica de gerar claustrofobia e apreensão através do olhar dos personagens. O espetáculo do filme é vivo, com uma imagem sufocante por si só. São méritos que não podem ser ignorados, especialmente diante do fato de que quase nada no texto é aprofundado. Você pode até não se importar com aqueles rostos sem alma que são usados como personagens, mas teme por eles, porque Williamson sabe te colocar dentro da cena — seja pelo domínio das sombras ou pela profundidade de cada plano.

A maioria dos personagens é assassinada “porque sim“. A própria sequência de abertura não se vale de nada além de uma alegoria incendiária sobre o rompimento com o passado. É como se o filme não fizesse questão de imprimir qualquer relação de intimidade. É mais sobre o choque e menos sobre a coerência. Fica a impressão de que a estrutura dramática foi erguida em torno das sequências de ação, enquanto os atores apenas preenchem os vazios com diálogos protocolares, servindo de respiro entre um impacto e outro.

Reprodução/Paramount Pictures

A intenção de Kevin Williamson é clara: injetar dopamina para tentar falar a língua da nova geração. O erro, contudo, está na crença de que o público atual ignora os meios, mas se manifesta, sobretudo, na falta de honestidade do roteirista com o próprio estilo. Dividir a atenção entre a tela e o celular é uma realidade melancólica da modernidade, mas isso não autoriza — muito menos exige — a entrega de uma obra esburacada por lacunas lógicas. A distração crônica do espectador não é salvo-conduto para o desleixo narrativo.

Talvez o cineasta tenha cometido esse desleixo propositalmente, como uma crítica intrínseca à nova geração. Se foi isso, poderíamos até chamar Williamson de gênio. Ocorre que, até onde se sabe, este projeto nasceu para ser o capítulo mais sério da franquia, supostamente abandonando a metalinguagem. Bem, o problema de tentar se levar a sério a essa altura do campeonato é o risco de deixar de ser a sátira para se tornar o satirizado.

Há duas formas de encarar Pânico 7: como o avô que tenta ser descolado na internet comentando o que não entende, ou como uma brilhante sátira acidental ao imediatismo cultural de hoje. Em ambos os casos, o resultado soa como uma colagem mal estruturada de clipes do TikTok. Em termos culinários, é um pão de casca grossa, mas sem miolo algum. Dito isso, confesso que foi difícil atribuir uma nota para o filme. É complexo definir como eu mesmo leio esse descompasso geracional de Kevin Williamson.

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Nota 4