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De todos os personagens de The Big Bang Theory, o último que você imaginava sendo o astro de uma série derivada era o cara dos quadrinhos. Stuart Não Consegue Salvar O Universo nasce dessa imprevisibilidade e brinca com isso até o fim, tornando-se muito fiel à própria proposta e ao seu universo.

Sheldon e Leonard criam um dispositivo interdimensional que acaba sendo acionado acidentalmente por Stuart, causando um colapso nas linhas do tempo do multiverso. Agora, não por escolha, o dono da loja de quadrinhos precisará reunir seus amigos para salvar toda a existência. Mas será que ele tem competência para isso?

Stuart Não Consegue Salvar o Universo, mas será capaz de manter The Big Bang Theory em alta?
Reprodução/HBO Max

Não, não tem. O título já é um spoiler. A estrutura narrativa traz, basicamente, Stuart e seus três amigos mais próximos visitando vários universos — alguns caóticos, com zumbis, bruxos e demônios, outros mais pacíficos — e piorando o status quo de cada um deles. Particularmente, o meu favorito é o que se passa em uma realidade primitiva, onde as pessoas compartilham bens e afeto, e os nossos heróis acham por bem ensinar o conceito de propriedade para elas, o que acarreta uma guerra sem precedentes.

A nova série tem o clima de aventura imprevisível como seu principal trunfo. Quem já não é tão jovem quanto eu vai lembrar do quão engajador foi o filme Scooby-Doo e a Caçada Virtual (2001) nas manhãs de sábado no SBT, e Stuart Não Consegue Salvar o Universo tem o espírito daquela animação.

A equipe criativa quer que a série funcione por si só, e ela até é estruturada para isso, mas, honestamente, perde metade da graça se você não estiver familiarizado com o universo de The Big Bang Theory, não só pela forma como lida com as referências ao núcleo da série principal, mas também por todos os recursos de metalinguagem adotados.

Stuart Não Consegue Salvar o Universo, mas será capaz de manter The Big Bang Theory em alta?
Reprodução/HBO Max

Não diria que esta é uma série visualmente bonita, e isso já era de se imaginar. Afinal, estamos falando de efeitos visuais em uma produção de orçamento limitado. A obra, no entanto, consegue virar o jogo e usar essa fraqueza a seu favor. Se as adições visuais parecem plásticas, por outro lado, não há limites para a criatividade. É uma postura bem estoica, é verdade, mas é honesta. A prioridade é a piada — funcione ela ou não.

Stuart Não Consegue Salvar o Universo tem como principal virtude a própria falta de vergonha na cara. É uma sitcom típica dos anos 90/2000, daquelas que está quase em extinção na era das séries cada vez mais cinematográficas. Funciona muito bem como um passatempo escapista. Um pouco fora de seu tempo? Eu não iria por esse caminho, pois ela resgata o passado mais na forma do que na substância, a qual está mais voltada para o contexto sociopolítico da década de 2020. Mas algo que não dá para negar é que a obra depende demais do que o telespectador pensa sobre The Big Bang Theory.

Leia mais sobre Stuart:

A estreia de Stuart Não Consegue Salvar o Universo acontecerá nesta quinta-feira, 23 de julho. Os episódios serão lançados semanalmente na HBO Max, sempre às 23h (no horário de Brasília).

Nota 7


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