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Há pouco tempo, Christopher Nolan fez declarações criticando a estratégia da Netflix como plataforma alternativa às salas de cinema, afirmando por fim que seu único interesse é na exibição no circuito de cinema. Existe muita ambivalência em suas declarações, mas independente dele estar certo ou errado, ao assistir Dunkirk, seu último filme, percebe-se por que ele falaria isso:

Nolan não pertence ao Netflix, seu domínio está na tela grande clássica.

O filme retrata os acontecimentos da evacuação de Dunkirk, um dos pontos-chave da Segunda Guerra Mundial no qual milhares de soldados britânicos e franceses ficaram abandonados à mercê de ataques nazistas nas praias de Dunkirk, no norte da França.

Dividido em três narrativas de escopos temporais diferentes, até eventualmente se convergirem, a terra (uma semana), o mar (um dia) e o céu (uma hora), acompanhamos um grupo de soldados tentando sobreviver, uma família levando um barco civil para ajudar na evacuação e um aviador britânico com pouco combustível tentando derrubar o máximo de aviões nazistas o possível.

A premissa é uma boa oportunidade para Nolan não apenas exercer a sua maestria técnica, mas também trabalhar as suas falhas mais notáveis:

A natureza excessivamente explicativa e o distanciamento emocional entre o diretor e os personagens.

Aqui ele se vale do minimalismo para contar a história, com poucos diálogos, da forma mais visual possível. Não existe nenhum primeiro ato de meia hora para preparar terreno para os acontecimentos, a experiência fala por si só.

Da mesma forma, Nolan sabe que pode depender muito bem dos eventos históricos para contextualizar seus próprios personagens. Não precisamos ser informados de toda a sua história de vida (ou até mesmo os seus nomes) para nos relacionarmos com seus conflitos. Eles estão no meio da guerra e querem sobreviver, isso já basta.

Sobrevivência é a palavra-chave aqui. Este não é um filme de combate, os próprios soldados nazistas, sequer podem ser vistos pessoalmente, sempre estão em aviões ou então no extracampo da câmera. No entanto, a ideia de fazer o filme deliberadamente com classificação PG-13 é um tanto inusitada, considerando que adolescentes nunca foram considerados o público-alvo desse gênero. Isso significa que o filme é completamente desprovido de sangue, mutilações, ou qualquer um desses elementos que o cinema de guerra pós-Soldado Ryan se tornou consagrado. Não chega a de fato a prejudicar a tensão construída, mas acaba dando uma sanitizada ao desconforto da guerra.

Apesar de não ter realmente o mesmo impacto que o Resgate do Soldado Ryan teve em seu tempo, Dunkirk é um épico cinematográfico, uma tremenda experiência audiovisual.

É um daqueles filmes que você deve ver no cinema, de preferência em IMAX, o tipo de espetáculo que a tela da sua televisão jamais faria jus.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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