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John Wick foi uma das maiores surpresas em 2014. Se inspirando nos incontáveis filmes de vingança e assassinos do passado, ele soube exatamente quais clichês manter e quais evitar, estabelecendo o nível certo entre o tradicional e o subversivo para garantir uma experiência absolutamente divertida, o filme de ação simultaneamente moderno e tradicional.

Sua sequência, John Wick: Um Novo Dia Para Matar, é tudo o que era legal no primeiro filme elevado ao quadrado.

Começando logo exatamente onde o primeiro filme terminou, o aposentado maior matador profissional de todos os tempos, John Wick, extravasou sua cota de vingança, e está pronto para começar uma vida nova com seu novo cachorro. No entanto, devido a uma promessa que ele fez no passado e a tradição do seu ramo, ele é forçado em um novo contrato pelo mafioso Santino D’Antonio.

Se a trama não tem a simplicidade emocional do primeiro filme, ela compensa com excelente construção de mundo, expandindo esse universo surreal, que parece existir inteiramente em função de assassinos profissionais. Longe de um cenário genérico para cenas de ação, o universo de John Wick é tão interessante quanto seu personagem título. E graças ao seus senso de humor seco, o filme sabe exatamente como tirar melhor proveito do seu próprio ridículo.

Keanu Reeves continua extremamente confortável no papel principal. Faça todas as piadas sobre sua inexpressividade, mas ele é inegavelmente um excelente ator físico e um sujeito intimidador. John Wick é o personagem perfeito para exaltar todas as suas qualidades.

Enquanto isso, Ian Mcshane, Common, Lawrence Fishburn e Ricardo Scammarcio preenchem a excêntrica galeria de personagens periféricos com sucesso.

Mas como esperado, são as cenas de ação o grande destaque do filme. Assim como seu antecessor, elas tem o balanço perfeito entre o empolgantemente violento e esteticamente elegante, mas agora em uma escala impressionantemente maior.

É fácil esquecer que esse não é um filme asiático, em meio ao caos ou até mesmo comparar ao neo-noir cheio de neons de um Nicolas Winding Refn, com o apelo mainstream de “em quantas cabeças John Wick consegue atirar em menos de três segundos?”.

Com dois filmes de ação de qualidade, a série está cada vez mais próximo de fazer jus à simplicidade de seu título com o nome do protagonista e tornar o Sr. Wick em um verdadeiro ícone moderno dos filmes de ação, tão reconhecível para o público quanto para todos os que vivem em seu mundo.

O filme termina com pontas soltas para serem amarradas em uma continuação, o que seria irritante em uma franquia menor, mas nesse caso, que venha o Capítulo 3!

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.