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Como franquia monotemática sobre o poder destrutivo da ganância humana e sua capacidade de alterar a ordem natural das coisas, Jurassic Park está presa em seu Dia da Marmota há 10 anos, e parece ter autoconsciência disso. Bem, se há paz e aceitação nessa postura, há também liberdade em se divertir com ela. De forma até poética, é assim que Jurassic World: Recomeço (2025) encontra seu valor como produção, mesmo sendo um filme genérico.

O roteiro de David Koepp não se preocupa em fazer sentido, pois entende que não é isso que os fãs buscam na obra. Se você sai de casa para assistir o mesmo filme sobre dinossauros saindo de uma ilha pela 5ª vez, conscientemente prioriza a ação com os dinossauros. Por que um pai arriscaria suas duas filhas em um veleiro em alto mar, num mundo onde todos sabem que as feras pré-históricas estão à solta? Ninguém se importa, você só quer ver os dinossauros atormentando a vida dele.

Scarlett Johansson é Zora Bennett em Jurassic World Recomeço
Reprodução/Universal Pictures

Cada evento humano em Jurassic World: Recomeço (2025) é apenas uma desculpa para a ação. Se tudo o que você quer ver são feras assassinas matando humanos, o filme entrega isso desde o primeiro minuto, sacrificando, inclusive, o desenvolvimento dos personagens em prol dessa violência. Se eu fosse obrigado a definir este lançamento com um adjetivo, este seria “honesto“.

Competente” também seria um bom adjetivo para descrever o longa, pela forma como o diretor Gareth Edwards lida com o ritmo e a atmosfera da trama. Jurassic World: Recomeço (2025) é um filme bonito, bem enquadrado, que é eficiente em fotografar sua principal locação como uma prisão para aqueles personagens — de forma metalinguística, é uma prisão até para a própria franquia.

Talvez até de forma cínica, David Koepp usa bastante metalinguagem na trama. Nesse mundo, as pessoas não se impressionam mais com dinossauros, e a missão da personagem de Scarlett Johansson é motivada somente pelo dinheiro.

Cenas do Jurassic World
Reprodução/Universal Pictures

Embora seja motivado apenas por uma demanda de mercado, Jurassic World: Recomeço (2025) é déjà-vu divertido. É como algo novo usando roupas velhas. Seu grande mérito é ir direto ao ponto e usar bem o carisma de seu potente elenco.

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Nota 7


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