
Antes de tudo eu tenho que assumir que sou fã do Lanterna Verde, coleciono os quadrinhos, busco histórias (não apenas as mais recentes), gosto muito do herói. Tinha grandes expectativas neste filme até que surgiram as críticas internacionais descendo o pau nele. Daí tudo desandou de vez. Pra falar a verdade, o filme não está no nível dos filmes da Marvel, muito menos de um Batman de Chris Nolan, mas é um filme normal, não é bom, mas não é péssimo. Dá pra assistir em uma sessão da tarde, mas não é algo que empolgue um fã.
Acho que o problema começa porque o projeto não seguiu o que anunciava, meses atrás disseram que o filme seria baseado na hq “Origem Secreta” de Geoff Johns, mas na verdade, demonstrou ser apenas um misto de filmes que fizeram sucesso no cinema, formando um frankstein que acabou prejudicando o desempenho do filme.
O começo do filme é bem legal, dá pra se empolgar, esperar mais dele. O negócio desanda quando Hal Jordan vai pra OA, ou seja, depois que ele vira o Lanterna Verde. Em alguns trechos dá pra perceber que o filme teve cenas mutiladas e substituídas, isso foi falado há alguns meses em um rumor de que a Warner mexeu no filme depois de ver que ele não estava bom, só que aí o filme ficou com trechos sem nexo nenhum, cenas soltas e falas sem sentido.
Ao contrário do que muitos pensam, Ryan Reynolds fez um bom Hal Jordan, ele não é o cara que deve levar a culpa pelo fracasso. Porém ele não tem aquela essência que faz Robert Downey Jr. combinar com Tony Stark, nem de Chris Evans ser um perfeito Steve Rogers. Blake Lively decepciona como Carol Ferris, ela não tem cara de uma mulher que gerencia uma empresa aérea do seu falecido pai, ela parece qualquer outra coisa, menos uma empresária, além de ser muito mal aproveitada. As cenas de romance entre os dois são provavelmente a pior parte do filme, pela incompatibilidade dos atores.
Sinestro, interpretado por Mark Strong, é uma ótima razão para ver o filme, porém o personagem não foi tão bem aproveitado e nem aprofundado. O Sinestro dos quadrinhos é até parecido, mas a relação entre ele e Hal Jordan não foi utilizada da maneira correta, o que causa uma certa frustração. Peter Sarsgaard é um péssimo vilão como Dr. Hector Hammond, que ao mexer no cadáver de Abin Sur, ganha poderes telecinéticos. Além de não ter lógica nenhuma que seu personagem tenha qualquer tipo de conexão com Parallax.
Parallax é outro problema, a origem da entidade é totalmente estranha e diferente dos quadrinhos, além do fato de ele querer invadir a terra, tornando-se um inimigo ativo da tropa e do mundo. Lembrando muito o segundo filme do Quarteto Fantástico e afastando-se ainda mais da história original (até porque Parallax não devia nem ser mencionado na história de origem do Lanterna Verde).
A criação do mundo em computação gráfica é até positiva, fizeram grandes cenários, muitos personagens, ficou até legalzinho. Os membros da tropa, Tomar-Re e Kilowog, tem um visual decente, mas os personagens perdem sua identidade na adaptação por causa dos diálogos chatos e do roteiro ruim. O uniforme do Lanterna Verde, a bateria e outras invenções ficaram bem modernas e são tudo aquilo que vimos nos trailers. Mas a DC poderia seguir a ideia da Marvel e deixar de inovar, tentando trazer as peças, roupas e itens dos quadrinhos para o cinema sem maiores alterações, isso cria um padrão e faz com que a pessoa se identifique mais com o filme.
Apesar de tudo isso, o filme não ficou tão ruim quanto diziam. Dá para se divertir, dá pra assistir, dá pra rir, mas não dá pra sair empolgadão. Mas se você for sem nenhuma expectativa, vai poder aproveitar bem o filme.
A DC Comics ainda tropeça nas adaptações feitas para os cinemas, Batman é uma exceção, mas Superman e Lanterna Verde já mostraram que a DC precisa fazer muita lição de casa pra chegar ao nível dos filmes da Marvel. O herói não convence os leitores de quadrinhos e nem faz com que as pessoas procurem revistas pra saber mais do herói. A Warner já anunciou que pretende fazer uma sequência do filme com um tom mais sombrio e profundo. Se bem que agora tenho muita fé no filme “Man of Steel”.
Lembrando: Há uma cena depois dos créditos, não surpreende. Mas é bom ver né?




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