Uma Aventura Lego se tornou uma das maiores surpresas de 2014, graças ao seu senso de humor afiado hiperacelerado, irreverência e inesperada profundidade, formando o que pode até ser considerado (sem brincadeira) um clássico pós-moderno da animação.
E talvez o personagem que mais roubou a cena no filme foi a versão Lego do Batman. E, afinal, poderia ser diferente? Ele é o Batman.
Dessa forma, faz sentido demais a existência de Lego Batman: O Filme. Misturando duas das marcas mais populares de todos os tempos, formando uma inevitável montanha de dinheiro. E por sorte, tudo que fez de Uma Aventura Lego tão bacana também está presente nessa animação.
Na trama, Batman aproveita sua fama como o defensor sombrio, misterioso e de tanquinho sarado de Gotham City, mas secretamente se sente solitário e incapaz de abraçar uma nova família. Quando ele acidentalmente adota o órfão Dick Grayson, ele precisa aprender a lidar com o garoto. Enquanto isso, o Coringa, revoltado pelo Batman nunca assumir o seu “relacionamento” como arqui-inimigos para a vida toda, decide por em prática seu plano definitivo.
Assim como em seu antecessor, o que temos aqui é o universo do Batman como se visto pelos olhos de uma criança incrivelmente inteligente que acabou de ingerir cinco quilos de açúcar. A diversão dos mais jovens está garantida, mas talvez ninguém vá curtir mais o filme do que o super fã de longa data do Morcego:
Com um sem-fim de referências incluindo todos os filmes, a série animada, o seriado dos anos 60 e, claro, os quadrinhos, é extremamente recompensante para os já versados no universo do Homem-Morcego.
O quão legal é finalmente podermos ver Billy Dee Williams como o Duas Caras? Ou perceber aquele leve sotaque austríaco no Sr. Frio? Ou até mesmo termos a primeira aparição cinematográfica do Homem-Pipa, Rei dos Condimentos, Cabeça de Ovo e outros vilões obscuros? É claro que o roteiro foi escrito por fãs que não perdem a oportunidade de explorar os quase oitenta anos de cultura pop em torno do Batman.

A animação sabe celebrar o legado do personagem ao mesmo tempo em que tira sarro dele, algo que se estende desde antes do começo dos logotipos de estúdio e vai até o seu último frame, inclusive acertando críticas certeiras sobre a sua natureza:
O playboy narcisista, com ares de bro de academia e absorvido na própria dor não é lá uma interpretação muito equivocada do personagem que nós conhecemos em tantas versões diferentes. Esse talvez seja o antídoto perfeito para todo fã do Batman que se leva a sério demais e de vez em quando precisa de um ou outro toque pra cair na real.
O elenco original do filme inclui nomes de peso nas vozes, como Will Arnet, Zach Galifianakis, Michael Cera e Rosario Dawson, mas, por sorte, o trabalho fenomenal da dublagem brasileira, tanto nas performances quanto na adaptação, traduz o humor do filme de maneira impecável.
Os filmes da franquia Lego sempre vão ter um estigma de serem um grande um grande comercial estendido. O que é compreensível, a natureza corporativista pesada desses filmes é inegável. Mas com a competência impressionante que eles estão conseguindo misturar sensibilidades pop e sagacidade para agradar todos os públicos, antes fossem todos os comerciais tão divertidos assim.
Claro, a fórmula dos filmes pode muito bem se tornar cansativa no futuro, mas por ora, ela te deixa querendo logo uma continuação focando na Liga da Justiça e o resto do Universo DC.
Lego Batman estreia em 9 de fevereiro no Brasil, com direção de Chris McKay.





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