Há alguns (poucos) anos, surgiu uma nova tendência em Hollywood, que parecia ser a nova mina de ouro para alguns estúdios: as distopias adolescentes baseadas em alguma série de livros. Dentre essas, a mais popular sem dúvida foi Jogos Vorazes – que ainda pôde se beneficiar de uma Jennifer Lawrence em ascensão – mas tivemos também a saga Divergente, e é claro… Maze Runner.
Com base nos romances de James Dashner, os filmes de Wes Ball conseguiram conquistar o seu público, mas um grave acidente do ator Dylan O’Brien, que vive o protagonista Thomas, fez com o que o terceiro filme da franquia chegasse aos cinemas com um atraso de mais de um ano e, muito mais do que isso… em um momento onde ninguém mais se importa com as distopias adolescentes. Além é claro, de ter a responsabilidade de servir como sequência a um segundo filme considerado ruim não apenas por público e crítica, mas principalmente pelos fãs dos livros, que se revoltaram com a liberdade de escolhas do filme e o enorme distanciamento da obra original.
E é diante deste cenário que Maze Runner: A Cura Mortal chega aos cinemas, encerrando a história de uma vez, e sem sequer apelar para outra tática que se tornou popular nos últimos anos, a de dividir o último capítulo de uma franquia em dois filmes. E fica realmente nítido no filme essa necessidade de conclusão , fechando pontas soltas o mais rápido possível e deixando um enorme senso de pressa.
Na trama do filme, Thomas (O’Brien) decide finalmente invadir a base do CRUEL para resgatar o amigo Minho, que por sua vez está sendo usado pela empresa na busca de uma cura para o Fulgor, doença que assola o planeta. Dentro dessa premissa, e tendo em mente o objetivo claro de conclusão, a história avança de forma satisfatória, mas falha ao privilegiar a ação desenfreada e optar por soluções rasas, simplórias e preguiçosas que deixam evidente uma total e completa falta de interesse em pensar em algo mais crível e que não desconecte o público do filme. Personagens que claramente morreram em filmes anteriores são trazidos de volta sem maiores explicações apenas em prol de um andamento de roteiro fácil, ou porque anteriormente os roteiristas decidiram se distanciar dos livros tomando certas liberdades e agora simplesmente não souberam como resolver.

Thomas, o herói da trama, ainda é insuportavelmente invencível. Seu status de Gary Stu parece ir evoluindo de um filme para outro, até se tornar quase uma espécie de Messias aqui. Mesmo sendo um garoto, ele é o líder nato, aquele que todos escutam e que toma todas as decisões. Além de, é claro, aparentemente contar com um campo de força protetor que deflete as balas que são disparadas em sua direção. As que ele dispara, por sua vez, sempre irão acertar o alvo. Mesmo se ele atirar de costas.
Ainda assim, Dylan O’Brien consegue ser novamente a melhor coisa do filme. É nítido o quanto o ator é esforçado e dedicado, sempre buscando entregar o melhor em sua performance. Seja nas carregadas sequências de ação ou naquelas com maior potencial dramático. A dedicação do ator é tanta, que faz parecer que ele é o único realmente empolgado em trabalhar e dar 100% de si. Ao seu lado, temos o carismático e simpático Newt de Thomas Sangster, que também realiza um ótimo trabalho e é dono de algumas das cenas mais emocionantes do longa.
Em alguns momentos, o filme consegue empolgar e prender a atenção do espectador, mas isso infelizmente não dura muito, já que a imersão sempre é arrancada por um acontecimento irreal e/ou forçado. Simplesmente não existe tensão no filme. Um dos recursos mais utilizados no longa é quando um personagem está em perigo, ou cercado, ou em alguma situação de beco sem saída, e no último segundo um deus ex-machina aparece e resolve a situação. O problema é que perde-se a conta de quantas vezes isso acontece. O roteiro sempre facilita para os protagonistas, até chegar a um ponto onde o espectador simplesmente está viciado, e apenas espera calmamente a previsibilidade do salvamento que vem a caminho.
Quando a conclusão finalmente chega, é inevitável a sensação de perguntas sem respostas, simplesmente porque o filme não teve tempo (ou vontade) de respirar e contextualizar algumas das ações de seus personagens e funcionamento do universo. Como conclusão, Maze Runner: A Cura Mortal consegue ser satisfatório, mas parece jogar todo o potencial do primeiro filme no lixo, ao mesmo tempo em que entrega um resultado genérico e esquecível. Mesmo o interessante debate que poderia ser tirado a respeito da dualidade do CRUEL (afinal, CRUEL é bom?) cai em uma armadilha maniqueísta onde tudo que importa são as explosões e a luta do bem contra o mal.





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