Em cartaz nos cinemas brasileiros, O Homem do Norte se mostrou uma das produções mais aguardadas dos últimos anos, pois trata-se da primeira aventura do diretor Robert Eggers, conhecido pelos aclamados O Farol e A Bruxa, em uma grande produção.
Diante do orçamento estimado em US$ 90 milhões, Eggers conseguiu reunir um elenco de primeira linha, incluindo Alexander Skarsgård (Big Little Lies) e Nicole Kidman (The Undone) em atuações inspiradas, ao mesmo tempo que explora belíssimas paisagens e cria sequências de ação brutais.
Para quem não sabe, Eggers comentou em diferentes oportunidades que buscava pelo “filme definitivo de vikings” em Hollywood.
Ou seja, não faltou ousadia para todos os envolvidos.
Na trama, Príncipe Amleth está prestes a se tornar um homem quando seu tio assassina seu pai e sequestra sua mãe. Duas décadas depois, o jovem é agora um viking com a missão de salvar a mãe, matar o tio e vingar seu pai.

Começando pelo elenco, podemos dizer que Skarsgård se consolida cada vez mais como um dos grandes nomes da indústria, mostrando não apenas um desempenho físico impressionante, como uma grande versatilidade no fator dramático.
Aliás, para quem assistiu Big Little Lies da HBO, onde trabalha justamente ao lado de Kidman, isso não chega a surpreender.
A atriz vencedora do Oscar por ‘As Horas‘, por sinal, tem uma participação não tão extensa, mas muito impactante para a narrativa como a Rainha Gudrún.
Apesar do foco na jornada de Amleth, Anya Taylor-Joy desempenha a função de co-protagonista como Olga, uma feiticeira que busca a liberdade.
Sua participação tem uma crescente no filme, e a química com Skarsgård funciona bem.
Claes Bang (Drácula) e Willem Dafoe (Homem-Aranha) também entregam contribuições excelentes, com o primeiro dando vida ao antagonista Fjölnir.
Violência. É realmente é tão brutal quanto esperado? Bem, existem sequências específicas que chegam a tal ponto, mas não acho que seja proibitiva o suficiente para fazer jus à classificação etária +18. Já tivemos outros exemplos de filmes tão violentos quanto que chegaram simplesmente ao +16.
Desta vez, a decisão parece ter sido tomada devido cenas mais íntimas envolvendo Taylor-Joy e o próprio Skarsgård.
De qualquer forma, há muito sangue, sim, e batalhas de vida ou morte com membros arrancados e tudo o que era esperado.
Então, aqui você faz a pergunta de 1 milhão de dólares: E a mitologia nórdica?
Sim, há um grande foco na mitologia nórdica como esperado. Prepare-se para várias menções a Odin, Valhalla e as Valquírias. Ao mesmo tempo, caso tenha conhecimento dos trabalhos anteriores do diretor, especialmente O Farol, sabe que há uma certa “peculiaridade” na exploração desse tipo de tema.
Outro fator a ser destacado é a mixagem de som, que certamente aparecerá nas indicações do Oscar do próximo ano (do contrário, seria um enorme absurdo). Você consegue sentir o peso de cada golpe, além da intensidade e a vida trazida em cada cenário.
Infelizmente, a edição não me agradou tanto assim, e uma escolha específica do diretor acaba prejudicando um pouco o ritmo, especialmente ao se aproximar do climax, quando você espera resoluções mais diretas e sem quebras.
Abre um pequeno questionamento se a duração não deveria ter ficado um pouco maior, e não apenas em 2 horas e 20 minutos.
Na direção de fotografia, Eggers reeditou a parceria bem-sucedida de O Farol com Jarin Blaschke, mas não considero um trabalho realmente inspirador da dupla.
Ainda assim, existem cenários realmente fantásticos, especialmente na gélida Islândia, tanto em beleza natural quanto em hostilidade. Isso, no entanto, é um pouco ofuscado devido ao excesso de sequências noturnas (em trechos específicos, é até difícil enxergar certos elementos na tela).
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O Homem do Norte consegue trazer uma experiência satisfatória tanto aos fãs da filmografia de Eggers quanto ao público que busca por um épico com história de vingança brutal, recebendo elementos conhecidos da mitologia nórdica como bônus.
Mesmo que bem realizado no geral, fica a sensação de que o potencial máximo (especialmente no terceiro ato) talvez só fosse atingido caso Eggers tivesse mais experiência com grandes produções.
- Desenvolvedora: Focus Features
- Publisher: Universal Pictures