Com momentos lindos e grandiosos, a 1ª temporada de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder entrega um produto qualificado, porém desequilibrado.
Tendo em mente que a Amazon investiu muito para fazer de O Senhor dos Anéis a grande franquia de seu catálogo, é possível dizer que ela foi bem-sucedida, dado o nível de engajamento e audiência que a produção atingiu.

Veja bem, não está sendo feita nenhuma comparação aqui, apenas é constatado que a série se tornou o produto “fura bolha” que o Prime Video tanto queria ter, para pegar o “público do sofá“, que é quem garante a estabilidade de qualquer produção do tipo, seja ela para TV ou Streaming.
A fotografia e o CGI de alto nível colaboraram muito com isso. Aliás, essa é a parte em que Os Anéis de Poder mais brilha, quando estabelece e localiza seus expectadores na Terra-Média de uma forma deslumbrante.
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Além disso, os arcos de seus personagens principais, em sua grande maioria, são muito atrativos e envolventes, apesar do ritmo da série jogar contra eles na maior parte do tempo.
E aí já vem um problema da série, que é a forma cansativa com que ela escolhe narrar seus eventos.
Quanto ao núcleo dos Pés-Peludos e de Khazad-dûm, não tem muito o que comentar negativamente, pois eles estão praticamente perfeitos e certeiros. Porém, o mesmo não dá para ser dito sobre o trabalho nas Terras do Sul e em Númenor.
Nos arcos que envolvem a guerra dos Homens contra os Orcs, a construção se mostrou muitas vezes confusa, com o roteiro andando em círculos. Parecia até uma tentativa de fazer a série render mais minutos.
Aliás, não é que necessariamente o roteiro seja um problema, mas sim a sua montagem, que é de fato muito ruim.

Sabe quando Don L diz que “uma frase muda o fim do filme“? Muda mesmo, tal qual se for colocada em um ponto errado na história.
Temos muitos exemplos de filmes e séries que foram salvos pela edição, e Os Anéis de Poder é oposto deles, pois a série é realmente prejudicada pela divisão ruim de seus episódios.
Qual sentido tem a produção mostrar o treinamento dos soldados de Númenor, depois de encerrar um episódio com os navios se preparando para partir para a Terra-Média?
Não seria mais interessante oferecer um momento de respiro entre dois episódios, dando exclusividade ao núcleo dos Pés-Peludos e do Estranho, tal qual aconteceu com a origem de Mordor no episódio 6?
Aliás, mesmo ainda tendo problemas de montagem, o episódio “Udûn“ se destaca justamente por dar andamento à trama e entregar um resultado significativo, que demorou 3 episódios para chegar.

Os defeitos de ritmo e montagem, em um primeiro momento, apenas incomodam, mas ao longo dos anos, quando o “fator novidade” não estiver mais em jogo, tal desequilíbrio pode realmente afastar o público.
E francamente, J.D. Payne e Patrick McKay não podem se escorar na justificativa de que a série é lenta porque as obras de Tolkien também são, pois eles não estão escrevendo um livro, e sim uma série de TV. São duas mídias completamente diferentes.
Bem, neste momento talvez você deva estar interpretando que a série está sendo detonada por esta crítica, mas acredite, não é essa a intenção.

A série tem problemas bem chatos, mesmo assim é gostosa de se assistir, e seus melhores momentos são realmente espetaculares e deslumbrantes. Logo, no caso deste primeiro ano, os acertos acabam, de certa forma, compensando os erros.
A 1ª temporada de Os Anéis de Poder é grande em todos os sentidos, sejam eles positivos ou negativos. É uma série divertida, que entrega fantasia em seu mais puro nível. Claro, correções precisão ser feitas no futuro, mas a semente já foi plantada, agora basta regar.
No fim das contas, sendo ou não leitor de Tolkien, se você não assistir à série com o fígado, certamente vai se divertir em algum nível.






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