Muito mais sangrento e sombrio que os filmes anteriores, Pânico VI é um entretenimento de alta qualidade, que quase se perde por se levar mais a sério do que deveria.
Na nova aposta da franquia, vemos o mesmíssimo formato “Scooby-Doo para adolescentes” se repetir, mas com uma abordagem diferente da estabelecida por Wes Craven e Kevin Williamson em 1996.

Enquanto até o capítulo anterior vimos os filmes funcionando como sátiras repletas de metalinguagem a obras clássicas de terror, em Pânico VI isso é apunhalado pela necessidade de se criar um filme de franquia, no sentido de precisar fazer algo maior e mais ameaçador, e se sustentar completamente na autorreferência, que em outras palavras é o fenômeno conhecido como “fan service“.
Isso tem sido algo cada vez mais comum na indústria de Hollywood, e talvez o caso de maior sucesso de franquia que foi mudando completamente de abordagem aos poucos é o de Velozes e Furiosos, que já vai para seu décimo filme e não para de fazer muito dinheiro.
Será Pânico um postulante ao título de “Velozes e Furiosos do terror“? Bem, se vai conseguir ser um fenômeno tão grande no futuro, é algo que não dá para responder agora. Mas pode-se garantir que o sexto filme da franquia é um grande passo para isso, aliás, coincidentemente, os termos “nós somos uma família” e “não se mexe com minha família” são proferidos nele também.
A real é que, esse aumento de escala especificamente não é um problema para o filme, que acaba sendo refrescante ao mostrar algo que os fãs não tinham visto ainda, como um Ghostface sendo uma figura mais semelhante a um monstro de fato.
O roteiro dá uma grande força para que esse conceito funcione. Ele é básico, em nenhum momento se arrisca a deixar nada complexo demais, como deve ser quando estamos falando de um filme da franquia Pânico, onde historicamente a profundidade só é encontrada nos cortes do Ghostface.
A escrita, porém, não é perfeita, pois ao se levar a sério demais, como os outros filmes não fazem, ele se expõe ao ridículo no terceiro ato com a revelação de quem está fazendo mal aos protagonistas.
É bem verdade que as motivações dos Ghostfaces de todos os filmes nunca foram muito elaboradas, e o próprio Billy Loomis estabeleceu a justificativa pelos assassinatos como uma piada lá no primeiro filme.
O problema é que, desde o começo, Pânico VI grita: “Isso aqui não é mais uma brincadeira“, logo, se ninguém está brincando mais, não faz sentido ainda tratar o momento da revelação como a Mistério S/A tirando a máscara do monstro no final do episódio.
Isso, por mais que definitivamente seja um problema, ainda passa longe de estragar o filme, que é brilhantemente sustentado por seu quarteto de protagonistas, Melissa Barrera, Jenna Ortega, Mason Gooding e Jasmin Savoy Brown, que são sim melhores atores e atrizes do que quem comandava a franquia antes.
O carisma e o nível de entrega deles nas cenas, somados com a direção visceral de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, entregam algumas das sequências mais vibrantes, tensas e assustadoras de todos os filmes.
Um fato divertido é que, a jornada do Ghostface em Nova York faz o filme lembrar vagamente o conceito de Duro de Matar 3: A Vingança, com seus personagens principais não mais enclausurados em casas ou porões apenas.
De fato muito maior em todos sentidos que o anterior, Pânico VI diverte e preocupa ao mesmo tempo. Enquanto a diversão fica por conta da jornada em tela, que é envolvente e faz o filme “passar por média“, a preocupação fica para saber qual vai ser o próximo passo. Vão levar o Ghostface para o espaço?
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