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Com a trágica morte do astro Chadwick Boseman em 2020, vítima de câncer de cólon, muito se questionou sobre o que a Marvel faria a respeito de Pantera Negra 2, que naquela época estava em início de desenvolvimento. Boseman não era apenas o protagonista do filme, mas também um grande ícone cultural, representando e empoderando milhares de jovens negros ao redor do mundo.

A ideia mais lógica, considerando os quadrinhos, era colocara irmã de T’Challa, Shuri, no papel de Rainha de Wakanda e detentora do manto do Pantera Negra. E aí, mais um baque para a Marvel: a atriz Letitia Wright, intérprete da personagem, se viu envolvida em uma enorme polêmica quando começou a questionar a eficácia de vacinas em uma rede social.

Mesmo com seus percalços, Pantera Negra: Wakanda Para Sempre finalmente chegou aos cinemas, com direção de Ryan Coogler. E o filme, como já se esperava, é uma grande homenagem a Chadwick Boseman. Mais do que isso, é um filme sobre perda e luto. E sobre seguir em frente.

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre
Reprodução/Marvel Studios

A já esperada homenagem a Chadwick Boseman acontece no começo do filme, embora o sentimento de perda seja algo que permeia o filme como um todo. É inegável que o astro, assim como seu personagem, T’Challa, faz um tremenda falta. Para os personagens, para a história e para o público.

Na verdade, é curioso observar que o povo Wakandano lamenta a morte de seu rei pela terceira vez, se levarmos em consideração a “morte” nas mãos de Killmonger e o estalo de dedos de Thanos. Sendo assim, para o espectador, o impacto da morte de T’Challa enquanto elemento narrativo só funciona mesmo devido ao nosso luto pessoal pela perda de Boseman.

Na trama, a Rainha Ramonda (Angela Basset) governa a cada vez mais reclusa Wakanda, enquanto outras nações tentam se apoderar do vibranium encontrado apenas em seu solo. Bem, “apenas” talvez seja precipitado, já que é quando surge Namor (Tenoch Huerta), líder da nação subquática Talokan, também rica em vibranium. Quando os governos descobrem essa segunda fonte do raro e virtualmente indestrutível metal, Namor se vê obrigado a retaliar contra o mundo do superfície, e exige que Wakanda o ajude em sua guerra… ou seja a primeira a cair.

Pantera-Negra-Namor-em-Wakanda
Reprodução/Marvel Studios

O grande problema do filme está na construção desses elementos que desenham a trama, oferecendo um primeiro ato com um ritmo lento, transições confusas, piadas ruins e situações forçadas. Toda a sequência de introdução de Riri Williams (Dominique Thorne) – a personagem que ganhará uma série em breve no Disney+ como Coração de Ferro – é enfadonha e sem qualquer profundidade, seja nos diálogos ou nas situações criadas.

No entanto, quando esses elementos finalmente convergem e tudo está no lugar, Ryan Coogler consegue finalmente oferecer o espetáculo que todos estavam esperando. Um espetáculo não apenas visual, mas narrativo, com acontecimentos que realmente importam, situações que tem peso e consequências reais, e momentos que finalmente nos lembram que estamos assistindo a um filme de super-heróis, afinal.

Nova Pantera Negra
Reprodução/Marvel Studios

Por falar em espetáculo, as cenas de ação envolvendo Namor são facilmente as melhores que a Marvel entregou esse ano.  Ver o personagem em ação é algo não apenas belíssimo, mas que também demonstra o quanto ele é perigoso e poderoso. Asinhas nos tornozelos podem ser algo engraçado, mas só até a página dois. Quando Namor começa a saltar pelo ar destruindo tudo em seu caminho, a única imagem que fica impressa na mente do espectador é a de como aquele é um inimigo digno de se temer.

Namor, aliás, é facilmente a melhor coisa do filme. Tenoch Huerta está confortável no papel, entregando exatamente aquilo que o personagem precisa: arrogância, postura régia, ódio à superfície e, é claro, aquela sensação de ser alguém muito poderoso.

A escolha da Marvel, questionável para alguns, de transformar a Atlântida dos quadrinhos em Talokan, se mostrou também muito acertada. Para quem não sabe, a civilização apresentada no filme não existe nos quadrinhos, sendo na verdade inspirada em lendas astecas. Embora suas origens sejam variadas, a cidade perdida de Tlālōcān é tida como um dos paraísos cultuados pelos astecas na América Latina.

Origem-do-Nome-Namor-no-MCU-Pantera-Negra-2
Reprodução/Marvel Studios

Desde os primeiros trailers e imagens promocionais, ficou bem claro que a Marvel se adequou à ausência de Chadwick Boseman transformando esse filme, que por natureza já é culturalmente representativo para os negros, também em algo que demonstrasse a força feminina. Os pôsteres sempre evidenciaram um grande destaque para Shuri, Rainha Ramonda e Riri Williams, além de Nakia (Lupita Nyong’o) e Okoye (Danai Gurira).

E dentre esse elenco, é preciso citar que a limitação de Letitia Wright ficou bem evidente. Especialmente porque dessa vez ela não é apenas a irmã divertida do protagonista, mas sim uma personagem envolvida em todos os grandes acontecimentos do longa. Não que ela seja ruim, longe disso, mas a carga dramática e o peso de um protagonismo colocados nas costas de Shuri dessa vez, se mostraram um pouco demais para Wright.

No fim, conforme já citado no começo desse texto, Pantera Negra: Wakanda Para Sempre é um filme sobre perda, luto e sobre seguir em frente. Mas é também um filme sobre auto-conhecimento. É sobre reconhecer a sua força e, além de tudo, ter a capacidade de escolher quem você quer ser.

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