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Quando o ótimo Batman, de Matt Reeves, foi lançado em 2022, um de seus personagens mais interessantes era Oz, o Pinguim, interpretado por Colin Farrell. Mas por mais cativante que fosse, seu papel na trama ainda era limitado. Dois anos depois, quem diria que uma série teria tanto a nos revelar sobre esse indivíduo tão peculiar?

Inicialmente, alguns ainda disseram que essa era uma história “que ninguém havia pedido”. Mais um derivado de Batman sem o herói? Quer essa “demanda” do público existisse ou não (se é que precisava existir), o que nos foi entregue é uma produção de primeira categoria que vai além de meramente se sustentar com as próprias pernas e justificar sua própria existência: chega a superar o material do qual se derivou.

Reprodução/Warner Bros. Pictures

Muito bem escrita do início ao fim, a série segue um caminho diferente de outras histórias parecidas e em nenhum momento se propõe a fazer de seu personagem central uma vítima, ou mesmo alguém com algum tipo de motivação digna: este Pinguim é uma força destrutiva, um dos vilões mais diabólicos que vimos nos últimos tempos.

Ao mesmo tempo, a narrativa se mostra madura o suficiente para jamais exaltar ou glorificar as suas ações.

Reprodução/HBO

Mas Pinguim não é só sobre Oz: embora alguns personagens secundários sejam subdesenvolvidos ao longo da trama, o núcleo principal é extremamente forte.

Cristin Milioti é incrível como Sofia desde o primeiro minuto, e ganha destaque ao longo da narrativa, fazendo deste o maior papel de sua carreira, pelo menos até agora. Sofia é a antagonista da série, mas seu papel é fascinante porque, apesar dessa “classificação”, ela não é uma personagem tão maléfica quanto o próprio protagonista. Eis uma dinâmica interessantíssima que ainda é elevada pela inegável química entre Farrell e Milioti.

Victor Aguilar, interpretado por Rhenzy Feliz, não me convenceu tanto no início, no sentido de que parecia mais uma ferramenta narrativa ambulante do que um personagem com vida própria, mas ao fim da temporada me peguei pensando no grande trabalho que havia sido feito para fazer com que eu me importasse com ele. E Deirdre O’Connell dá um verdadeiro show como Francis, a mãe de Oz, especialmente na reta final.

Oz e Vic em Pinguim
Reprodução/HBO

A relação entre Francis e Oz é tão cheia de nuances que renderia um ótimo debate sobre a psicologia entre mães e filhos. No fim, também é o que ajuda a ilustrar como Pinguim é um homem cheio de contradições.

Essas contradições também se estendem à forma como Oz se relaciona com outros personagens: ele é bom de lábia, mas parece não acreditar em praticamente nada do que diz. É habilidoso para sair de situações difíceis (embora precise de uma ajudinha em vários momentos), mas facilmente se mete em outras piores graças à sua impulsividade.

Personagem Batman em Pinguim
Reprodução/HBO

Todas essas coisas contribuem para a construção de uma versão inesquecível do Pinguim, um vilão que, apesar de icônico, nunca foi conhecido pela história de origem sólida nos quadrinhos do Batman. Será difícil ver o personagem da mesma forma depois dessa série.

Inicialmente visto como uma escolha controversa para o Pinguim (“Um ator galã interpretando um cara feio e gordo?”), Colin Farrell conseguiu o improvável: pode ter se tornado, para Oz, o que Heath Ledger é para o Coringa. Sua performance de forma alguma se limita ao impressionante trabalho com maquiagem e próteses que o torna irreconhecível. O ator dá um passo à frente e faz deste o seu “tour de force” que é a cereja do bolo de uma carreira que evoluiu muito desde as irregularidades do começo dos anos 2000 e que só melhora.

Nos vemos daqui a dois anos em Batman: Parte 2.

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Nota 10


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