
Com um legado desses, é possível reinventar a série para uma nova geração de forma sofisticada e que possa ser levada a sério?
O filme reboot nos prova que sim. Razoavelmente. Ou mais ou menos. Ok, nem um pouco. Mas definitivamente prova que pode ser um filme divertidíssimo.
A trama é o que se espera:
Após dez mil anos a diabólica Rita Repulsa (Elizabeth Banks, claramente se divertindo muito) está livre e é hora de conquistar a Terra! Diante disso, Zordon (Bryan Cranston) precisa recrutar cinco adolescentes com garra para se tornarem os Power Rangers e defender o planeta.
Exceto que muita coisa mudou desde 1993. Rita agora tem muito mais backstory, Zordon é um mentor relutante e os cinco adolescentes não são tão fáceis de lidar quanto as suas versões “radicais” de outrora.
O filme toma várias liberdades em relação ao material de base, tanto em tom quanto conteúdo, mas apesar das diferenças, ele contém o suficiente da essência do original (sem falar em fanservice) para capturar todos pela nostalgia.
Entretanto, isso não impede que o filme tenha sérios problemas em manter o tom. Indo desde a atmosfera que alterna esquizofrenicamente entre “sombrio e realista” e o muito bobo, até o humor (muito presente), que vai do sutil e esperto ao grosseiro. A transição entre esses diversos tons não é nem um pouco orgânica e faz parecer vários filmes diferentes ao longo de sua duração. É uma produção que pode muito bem provocar tanto risadas intencionais quanto não-intencionais.
Aqueles esperando ação de Rangers aos montes vão se decepcionar. O filme guarda quase todas as suas lutas (dentro e fora e de robôs gigantes) para o terceiro ato. Esse pode ser um golpe desmoralizante aos que já estão fartos da estrutura de história de origem de super-heróis no cinema, mas essa demora para a ação se torna aceitável quando o filme é carregado por seu ponto mais forte:
Os personagens.
Muito diferente dos (convenhamos) personagens superficiais dos anos 90, os novos Rangers são complexos e com nuances, cada um representando algum arquétipo de adolescente problemático.
As comparações com O Clube dos Cinco foram acertadas (os rótulos de atleta, patricinha, nerd, esquisita e bad boy se encaixam perfeitamente), incluindo na conexão que os jovens criam entre si, construída de forma cuidadosa.
É um time de heróis complicados e imperfeitos, mas carismáticos, assim como o próprio filme, e que seria muito bacana de vermos morfar mais uma vez no futuro.