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O roteirista Taylor Sheridan já havia chamado atenção no ano passado, pelo roteiro de Sicario: Terra de Ninguém. No entanto, apesar do filme ser inegavelmente bom, acabou caindo em um daqueles velhos casos onde a Academia simplesmente esnoba filmes que todo mundo contava que estariam concorrendo. É quase algo ritualístico. Ficou na boca do povo? Não vai ter chance na premiação.

No entanto, Sheridan retornou esse ano com A Qualquer Custo (Hell or High Water), agora contando com a direção impecável de David Mackenzie, focando em um estilo pelo qual Hollywood foi muita conhecida anos atrás (até o ponto do desgaste): os faroestes. No entanto, não temos aqui as investidas corriqueiras ao gênero que tivemos nos últimos anos, como Django Livre, Os Oito Odiados (ambos de Quentin Tarantino) ou ainda o recente No Vale da Violência. Sheridan e Mackenzie contam o seu faroeste no Texas de hoje, lembrando a estética utilizada pelos irmãos Coen em Onde os Fracos Não Tem Vez.  O resultado? Um dos concorrentes ao Oscar de melhor filme este ano. 

A Qualquer Custo é um daqueles filmes que parecem simples, que parecem contar com um roteiro com poucas opções, mas cujas nuances e interpretações o definem como algo mais. O básico do entretenimento ele entrega de mão beijada ao espectador. Mas aquilo que faz dele um grande filme? Isso fica nas entrelinhas. Explico.

A trama traz os irmãos Toby (Chris Pine) e Tanner Howard (Ben Foster) que começam uma série de assaltos a bancos no Texas. Aos poucos, o filme vai nos apresentando os motivos dos irmãos. Com a hipoteca do rancho que pertenceu à sua mãe atrasada, e prestes a perderem tudo para o banco, a decisão dos irmãos é óbvia e radical: se o banco quer tirar deles, então eles vão tirar do banco antes. Óbvio que nem tudo vai ser tão simples, já que o Texas Ranger Marcus Hamilton (Jeff Bridges), prestes a se aposentar, começa uma perseguição aos criminosos, disposto a sair de cena com uma grande vitória profissional. Bridges, aliás, concorre ao Oscar de melhor ator coadjuvante por sua atuação, que seria melhor se já não a tivéssemos visto antes – e melhor. Seu personagem, Marcus Hamilton, é quase uma versão “limpinha” do Rooster Cogburn de Bravura Indômita, incluindo até mesmo o estranho sotaque texano.

Mas como disse acima, o olhar mais atento vai perceber que o filme vai muito além do clichê do policial prestes a se aposentar que precisa capturar os criminosos que querem mudar de vida. O longa nos traz um Texas pobre e arrasado, praticamente uma sombra do que foi um dia, e ainda sofrendo os efeitos de um dos períodos mais sombrios da história norte-americana: a complexa crise imobiliária ocorrida em 2008, cujos efeitos podem ser sentidos até hoje. É interessante perceber  como a fotografia – sensacional – de Giles Nuttgens mostra ao espectador mais atento, praticamente a todo momento, inúmeras placas de “vende-se”, além de pichações de cidadãos insatisfeitos sobre como são tratadas as hipotecas.

No fim do dia, é óbvio que a mensagem que o filme quer passar não é a de justificar de alguma forma a decisão dos irmãos Howard, mas simplesmente usar um plano de fundo crível para suas ações. Em alguns momentos, é quase como uma crítica social, escondida dentro de roubos, perseguições e tiros.

Não diria que A Qualquer Custo é um forte candidato ao prêmio de melhor filme. Em alguns momentos o longa consegue ser arrastado, um pouco redundante, e até mesmo previsível. Apesar da história ser amarradinha e cumprir o que se propôs, fica a sensação de que poderia ter contado tudo que queria com pelo menos 30 minutos a menos. No entanto, o filme sem dúvida merece figurar na lista dos melhores.



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