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Quando lidaram com Bambi (1942) e O Rei Leão (1994) pela primeira vez, as pessoas talvez não soubessem imediatamente que estavam diante de clássicos do cinema de animação. Os dois projetos, no entanto, sempre tiveram mensagens fortes atreladas a uma áurea artística que indicava que não seriam apenas produtos de sua época. Não sei se dá para ficar exatamente surpreso com isso, mas o trabalho de Chris Sanders (Os Croods) em Robô Selvagem (2024) segue por esse caminho.

Com uma trajetória que inclui envolvimento em roteiros de clássicos como A Bela e a Fera (1991), Aladdin (1992), Mulan (1998) e O Rei Leão (1994), além de ter sido co-diretor e co-criador de Lilo & Stitch (2002) e Como Treinar o Seu Dragão (2010), Sanders entrega seu trabalho solo mais impressionante até agora.

No filme, o público a acompanha a história de uma robô alimentada por inteligência artificial que cai em uma ilha selvagem e causa um impacto gigantesco no ecossistema do local, quando se vê na missão de criar um filhote de ganso.

Reprodução/DreamWorks Animation

Com tom de fábula, Robô Selvagem (2024) é principalmente uma história sobre a busca humana por propósito, narrada a partir do incondicional amor materno. Em linhas gerais, Roz e Bico-Vivo nos contam sobre como o trabalho de uma mãe nunca acaba e o quão pouco qualquer pessoa está preparada para essa missão complexa.

A mensagem de propósito se estende também para outros temas, como civilização, pertencimento e família. Há um tom socialista muito forte no subtexto dos bichos da ilha tendo que negar seus instintos naturais para sobreviverem ao inverno juntos.

Reprodução/DreamWorks Animation

Robô Selvagem (2024) já seria impressionante só por sua mensagem, que é tirada do livro infantil de mesmo nome assinado por Peter Brown. No entanto, o filme vai além e é um primor técnico deslumbrante.

Com estilo de animação que lembra bastante Gato de Botas 2: O Último Pedido (2022), o filme de Chris Sanders é tão apurado artisticamente que você pode assistir a ele sem som algum e ainda assim entender e se emocionar com sua mensagem. Visualmente, soa como um livro infantil muito bem ilustrado a pincéis de aquarela.

O som, obviamente, melhora a experiência, não pelos diálogos somente, mas também pela mixagem imersiva que dá uma vida tridimensional para a ilha em que a história se passa.

Talvez o único pecado da nova animação da DreamWorks seja seu ritmo acelerado, que dá a impressão de que tudo está acontecendo rápido demais. Essa situação, entretanto, é muito pequena perto de tudo que a obra de Sanders tem a oferecer.

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Reprodução/DreamWorks Animation

Em síntese, Robô Selvagem (2024) nos convida a parar de questionar tanto a origem da vida e nosso propósito no mundo, para vivermos de forma autêntica, contra nossa programação, instinto natural, ou o que seja. Esta é uma linda obra sobre como as conexões que fazemos neste mundo é o melhor legado que podemos deixar.

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A estreia do longa animado acontece oficialmente no Brasil em 10 de outubro, mas já é possível assistir a ele em alguns cinemas de forma antecipada. Consulte o da sua cidade para saber se já está disponível.

Nota 9


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