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Desde sua estreia em 2021, Round 6 se tornou um marco cultural e redefiniu o potencial das produções internacionais no streaming. A série sul-coreana, criada por Hwang Dong-hyuk, foi mais do que um fenômeno de audiência: tornou-se símbolo de crítica social embalada por suspense extremo e estética brutalista. Agora, em sua terceira e última temporada, a produção tenta encerrar essa história com o mesmo impacto… mas tropeça em sua própria ambição.
O retorno de Seong Gi-hun, vivido mais uma vez por Lee Jung-jae, era aguardado com ansiedade pelos fãs. No entanto, o que vemos é uma versão silenciosa, quase irreconhecível do protagonista. Dominado pela culpa e pelo fracasso ao tentar por fim aos jogos, Gi-hun retorna aos holofotes sem a energia heroica que o consagrou. Seu arco é sombrio e introspectivo, o que, apesar de ousado, acaba sufocando parte da intensidade que se esperava para o clímax da série.

Ao invés de oferecer um novo ponto de partida, a 3ª temporada é sentida como uma extensão direta da segunda, com pouco espaço para respirar. Afinal, a verdade é que a terceira temporada foi totalmente cortada da segunda para manter os níveis de audiência da Netflix no meio do ano. A tensão persiste, os jogos continuam mortais e o espetáculo de horrores comandado pelos VIPs segue sua lógica cruel. Mas dessa vez, o brilho se esconde atrás de subtramas apressadas e personagens secundários descartáveis, que surgem e somem sem deixar marcas duradouras.
Gi-hun protagoniza uma jornada de vingança que beira o colapso mental, em um embate pessoal contra o amendrontado Jogador 388. Essa trama oferece alguns dos momentos mais eletrizantes da temporada, com direito a perseguições densas e decisões moralmente quebradas. No entanto, a falta de desenvolvimento emocional e a escassez de diálogos de Gi-hun até os episódios finais diminuem seu impacto como figura central.
Se nas temporadas anteriores a força dos coadjuvantes enriquecia a narrativa, aqui a abordagem é diferente, quase todos os novos personagens parecem construídos apenas para morrer. A temporada empilha choques e eliminações a um ritmo vertiginoso, mas sem oferecer o devido peso dramático. Ainda assim, alguns destaques escapam dessa lógica: a gestante Kim Jun-hee, a veterana Jang Geum-ja e a carismática Cho Hyun-ju conquistam espaço com atuações sensíveis e bem construídas, mesmo diante da tragédia iminente.
Outro ponto de tensão não resolvido é o confronto entre Gi-hun e o Front Man (O Líder), que prometia ser o ápice da série. Após o cliffhanger da segunda temporada, esperava-se um embate direto e emocional. Mas o roteiro opta por caminhos mais seguros, priorizando os jogos em vez da resolução entre herói e antagonista. O detetive Hwang Jun-ho também retorna, mas seu arco investigativo novamente se arrasta sem grandes recompensas narrativas.
Do ponto de vista visual e temático, Round 6 continua afiada. Os jogos, mesmo mais simples, ainda são utilizados como instrumentos de crítica à desumanização, à ganância e à violência institucionalizada. Em sua melhor forma, a temporada mostra que o mal não habita apenas os organizadores ou os VIPs: ele emerge dos próprios jogadores, moldados por desespero e sobrevivência.
Veredito
A temporada final de Round 6 oferece momentos de tensão real e reflexões incômodas, mas sacrifica parte da complexidade emocional que tornou a série um sucesso mundial. Ao colocar seu protagonista em segundo plano por tanto tempo e encher a trama com personagens efêmeros, a série perde a força de suas conexões humanas. Ainda assim, quando foca nos jogos e na deterioração moral dos participantes, mostra que continua relevante, mesmo que o encanto inicial tenha, de fato, começado a se desgastar.
- Desenvolvedora: Netflix
- Publisher: Netflix
- Plataformas: Netflix
- Os jogos continuam afiados como crítica à desumanização
- Traz momentos de reflexão
- Gi-hun perde seu brilho
- Falta embate entre as duas principais figuras
- Personagens perdem desenvolvimento e peso dramático