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Round 6 é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores fenômenos dos últimos anos no streaming. A série coreana conseguiu chamar a atenção do público, estourando todas as bolhas possíveis e transformando-se em um dos maiores ícones da cultura pop da última década. As máscaras, os memes e até as brincadeiras de criança se tornaram super comuns em todo lugar. Ao lado disso, também vimos a carreira de Lee Jung-Jae disparar e ele se tornar uma figura que apareceu até em uma série de Star Wars.
Nesta segunda temporada, temos o retorno de Seong Gi-hun, o protagonista que foi campeão dos jogos, mas que decide tomar um rumo heroico em busca de acabar com os jogos de uma vez por todas. Logo no primeiro episódio da segunda temporada, vemos que sua ideia não era tão fácil de se por em prática, já que o personagem passa pela frustração de não conseguir aquele homem que o recrutou para os jogos na temporada original. Assim, ele cria um novo plano: voltar aos jogos na esperança de conseguir destruir a competição por dentro, contando com a ajuda de alguns mercenários e também da polícia.

Como foi campeão da competição que ocorreu 3 anos antes (sim, temos um timeskip na série), Gi-hun sabe exatamente o que esperar dos jogos, mas, ainda assim, se choca com tudo que acontece lá. Além disso, ele percebe que convencer pessoas ambiciosas pelo prêmio, a ponto de por a própria vida em risco pelo dinheiro, não é tão fácil.
Estranhamente, o criador opta por gerar o grupo principal repetindo os arquétipos existentes na primeira temporada. É claro que esses personagens acabam ganhando identidade própria ao longo dos episódios, enriquecendo a história e trazendo várias reflexões sobre dinheiro, violência e sacrifício. Mas, ao mesmo tempo, a série toma algumas decisões frustrantes, começando pela própria ideia da segunda temporada. Fica clara a pressão da Netflix para gerar o maior número de temporadas possível, arrastando a história mais do que deveria, assim, coisas que deveriam ser resolvidas agora, serviram de material para termos uma terceira temporada. Além disso, alguns pontos da história são totalmente desnecessários, estando ali apenas para gerar discussão e engajamento nas redes sociais, seja para o bem ou para o mal.
Assim como a primeira temporada, os jogos também levantam a discussão sobre ética, moral e o impacto da ambição nas relações entre as pessoas. Novos jogos são adicionados, o que traz novas cenas chocantes e novas formas de vermos as pessoas perecendo para o jogo. Também é adicionada uma nova forma de votação após cada competição, que aumenta o risco do jogo e traz mais tensão para a hitória, algo que fica muito bem desenvolvido graças ao trabalho de roteiro e edição da série.
Neste ponto, devo dizer que o desenvolvimento de personagens da segunda temporada é bem superior ao da primeira. O criador da obra realmente se esforçou neste aspecto, sabendo que isso foi algo que funcionou muito bem na primeira história. Tal melhoria faz com que a série possa servir como um grande ponto de debate entre os fãs sobre o “bem contra o mal” ou o “certo contra o errado”.
Embora a temporada seja bem desenvolvida e cheia de upgrades em relação à primeira, o fato da plataforma precisar que a história continue para se aproveitar do fênomeno gerado pela primeira temporada, faz com que várias pontas fiquem soltas, enquanto outras começam apenas para te manter ávido pelo que vem por aí (embora saibamos que vai demorar bastante). Assim, temos a entrega de um produto não finalizado de forma proposital, funcionando praticamente como a primeira metade de uma verdadeira temporada. No final, é uma temporada realmente impressionante, mas, ao mesmo tempo frustrante.
- Desenvolvedora: Netflix
- Publisher: Netflix
- Plataformas: Netflix
- Melhor desenvolvimento de personagens
- Ótima história
- Imprevisível
- Abre arcos que não serão finalizados
- Arrasta a história para gerar uma terceira temporada