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Marvels-Jessica-Jones-posterDesde que Jessica Jones foi anunciada pela parceria entre Marvel e Netflix, a desconfiança foi enorme. Como uma personagem tão desconhecida havia sido escolhida para protagonizar uma série solo em meio a tantas outras possibilidades? Talvez o raciocínio fosse certo naquela época, porém, após a 1ª temporada de Demolidor ganhar o coração dos fãs e ser aclamada pela crítica, a produção começou a ganhar seus holofotes e enfim chegou o momento da (ex-)heroína mostrar seu potencial.

A estreia está marcada para 20 de Novembro, mas a assessoria de imprensa da Netflix cedeu os sete primeiros episódios ao O Vício para análise e crítica.

Criada por Brian Michael Bendis em 2001, Jessica Jones fez sua primeira aparição em ‘’Alias’’, série de quadrinhos que durou até 2004 e é a maior fonte de inspiração para sua primeira representação nas telinhas. A personagem é marcada por ter uma história problemática e traumática, desde a morte de seus pais, até ser raptada, escravizada e manipulada por Zebediah Kilgrave, o Homem-Púrpura.

O primeiro ponto a ressaltar aqui é: evite as comparações com sua antecessora. Apesar de ambas as histórias se passarem no mesmo universo (e no mesmo bairro), as propostas são completamente diferentes. Não temos uma heroína genuína, não como Matt Murdock, logo, não esperem frases do tipo ”essa é a minha cidade, é a minha família”. Muito pelo contrário. Demolidor foi apenas a ponta do iceberg, mostrando a saga do herói em busca de salvar o lugar onde cresceu. Aqui vemos de forma mais detalhada o lado podre e sujo da Cozinha do Inferno.

Com uma trama mais voltada ao drama pessoal da protagonista (interpretada pela sempre ótima Krysten Ritter) e seus relacionamentos (que apesar de conturbados, são verdadeiros), a identificação com a personagem é imediata, principalmente por situações comuns em nosso cotidiano e que são retratadas logo no piloto. E para aqueles que se perguntam se existe humor, sim, existe. De uma forma sutil, mas está lá (assim como pequenas referências ao universo cinematográfico).

A ambientação é um caso a parte ao longo dos episódios. Tendo 90% das cenas no período noturno, a tensão e o suspense se unem, fazendo com que você se sinta em cada situação de perigo e não saiba o que existe atrás de cada porta, detalhe ressaltado pelo posicionamento da câmera, sempre dando a impressão que há alguém vigiando, na espreita. Até mesmo durante o dia temos um clima cinzento e mórbido, reflexo talvez da personalidade da investigadora particular. A trilha sonora acrescenta (e muito) a cada cena. Sempre relembrando grandes filmes de detetive e ressaltando o clima noir e sombrio. É a cereja do bolo.

O elenco de suporte não deixa a desejar. Contando com o (enorme) Mike Colter na pele de Luke Cage, o ator se sai melhor que a encomenda e prova que está pronto para o protagonismo. Sua interação com Jessica é natural e no ponto certo (sendo inclusive um dos motivos para o teor mais adulto). Carrie Anne Moss (a Trinity, de Matrix) interpreta a advogada Jeri Hogarth (nome ligado ao Punho de Ferro) e Rachael Taylor como Trish Walker, a melhor amiga. As atuações de Wil Traval como o policial Wil Simpson e Eka Darville como Malcom também são pontos positivos, trazendo (ainda mais) diversidade a série.

E se você já achava o Rei do Crime de Vincent D’Onofrio um dos melhores antagonistas da TV, prepare-se, pois o aterrorizante Kilgrave não deixa nada a desejar. Interpretado por David Tennant (Doctor Who), seus jogos psicológicos (e psicóticos) trazem peso a trama e deixará qualquer fã com frio na espinha em suas primeiras ”aparições”. Seu carisma e humor sádico com certeza o tornam forte candidato para entrar na lista dos vilões que não conseguimos odiar.

Apesar disso, nem tudo são rosas. O roteiro apresenta alguns momentos desinteressantes, principalmente no inicio de cada episódio, quebrando o que foi construído anteriormente e consequentemente ”tirando” o espectador da trama, fato explicado talvez pela falta de um material mais rico da personagem nos quadrinhos. Contudo, nada que interfira no resultado final.

Outro ponto fraco são os efeitos especiais, na maioria das vezes se apresentando totalmente artificial. Não acrescenta em nada. Alguns podem até tentar usar o baixo orçamento e o tom mais realista como principais fatores, mas a verdade é que já existem outras produções que apresentam um nível técnico melhor nesse quesito. A abertura não cativa, mas você se acostuma.

No fim do dia, Jessica Jones cumpre o que prometeu e mantém o alto nível de qualidade demonstrado anteriormente, fazendo por merecer uma 2ª temporada, mas também deixa pontos a serem melhorados no próximo ano. Agora nossa próxima parada é Luke Cage, que ainda não tem data de estreia definida, mas chega já em 2016.