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Desde que os Smurfs estrearam nos cinemas em 2011, os estúdios tentam, sem sucesso, encontrar uma fórmula que funcione com os seres azuis. Embora o primeiro filme tenha sido um sucesso de bilheteria, arrecadando cerca de 500 milhões de dólares, a sequência viu uma grande queda de interesse do público, fazendo bem menos.
Em 2017, a Sony tentou mudar o cenário, fazendo um filme totalmente animado, gerando um resultado melhor visualmente, mas muito morno em roteiro. Porém, desafiando qualquer lógica e mantendo o mantra de insistência e perseverança, temos um novo filme dos Smurfs nos cinemas, desta vez pela Paramount. O problema é que este é, sem exagero, o pior filme que eu já vi nos últimos anos.
É impressionante como algo pode ser tão jogado e maluco, parece ter sido feito apenas para preencher uma lacuna de conteúdo infantil em qualquer plataforma de steaming, sem trazer charme, identidade, nem um roteiro decente. Pior que isso, o filme tenta se segurar em conceitos e referências às produções que estão (ou estavam) em alta, tais como o MCU, animes e outros elementos da cultura pop.

Veja bem, eu sou pai e geralmente tento criar as críticas de animações a partir do que vejo com meus filhos, as reações deles e o impacto que essas produções geram. Há filmes em que eles saem completamente apaixonados, como é o caso de Como Treinar Seu Dragão, mas com Smurfs, eu vi o total oposto: o filme simplesmente não fez sentido para eles.
As músicas aparecem na tela sem qualquer propósito, sendo totalmente genéricas e esquecíveis, como se estivessem ali apenas para tentar colar algo no público, mas falta consistência, falta alma. O filme ainda desliza ao tentar navegar por temas como multiverso, colocando os Smurfs como guardiões do bem, algo que eles “secretamente” sempre foram e não sabíamos.
E isso gera até um flashback que coloca Papai Smurf ao lado de uma primeira versão dos “Vingadores” deste universo, aqui chamados de “Guardianeiros”, tendo direito até à uma versão de um Thor loiro com o escudo do Capitão América e uma Manopla de ferro. E isso é jogado na tela sem qualquer cuidado ou propósito. É como se tivessem usado as sinopses dos maiores sucessos dos últimos anos na Cultura Pop, jogassem numa IA e pedissem pra fazer um roteiro dos Smurfs. Sim, amigos, é nesse nível.
A trama central tenta seguir a ideia da Jornada da Autodescoberta, tendo um resultado muito raso e previsível. É claro que isso já seria esperado em um filme de crianças, mas é uma salada tão grande que não causa qualquer emoção às crianças em momento nenhum. Não há alegria, drama e muito menos empolgação. Fica a grande dúvida: Este filme foi feito pra quem???
Há ainda uma sequência de cenas por um multiverso da loucura, praticamente copiando elementos de Doutor Estranho e Miles Morales, onde passamos até por uma versão turbinada da Smurffete e um Razamel com peito peludo e cheio de músculos com jeitão de anime. Ok, a ideia era ser engraçado, mas fica simplesmente ridículo.
Mas acho que o pior problema deste filme fica mesmo sendo a descaracterização de seus personagens. Gargamel se alia aos Smurfs para vencer o seu irmão por uma vingancinha gerada por não ter o respeito dele. Além disso, todos os elementos tradicionais da franquia foram totalmente descartados, chegando ao ponto de você poder substituir os Smurfs por um grupo de Zé Gotinhas e não fazer qualquer diferença.
Na minha humilde opinião, ver Smurfs é uma pura perda de tempo, tanto para adultos quanto para crianças. É um filme que funciona como um verdadeiro desserviço à franquia, sem deixar qualquer tipo de sentimento para os pequenos, trazendo uma animação confusa, sem alma e possivelmente feita por alguma inteligência artificial.
- Desenvolvedora: Paramount
- Publisher: Paramount
- Um desserviço para a fraquia
- Uma salada de referências e elementos da cultura pop sem motivo aparente
- Roteiro feito para agradar algoritmo e não para crianças