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Sonic 3: O Filme chegou aos cinemas neste dia 25 de dezembro de 2024 em cinemas de todo o Brasil (exceto na minha cidade, Campina Grande, me fazendo dirigir até a capital para poder ver o longa com meus filhos). Esta nova adição das aventuras cinematográficas do ouriço azul adapta elementos do jogo Sonic Adventure 2, trazendo a origem de Shadow, contando com a presença de Maria e Gerard Robotnik, mas o mais interessante é que este filme é uma verdadeira aula de como uma franquia de filmes para crianças deve se comportar, afinal, com dois filmes já no mercado, eles sabem seus pontos fortes e fracos e o novo longa investe exatamente naquilo que foi testado e aprovado pelo público.

Sim, basicamente, Sonic 3 faz valer a frase da concorrência “eu sou fã e quero service“, mas isso é ruim? Bom, para quem quer analisar um lançamento de entretenimento infantil como um grande intelectual e crítico de cinema, pode até ser, mas para quem quer se divertir e aproveitar o universo do Sonic com tudo que ele tem a oferecer, este filme é maravilhoso (e eu me encaixo no segundo grupo).

Para começar, o primeiro grande acerto é que Sonic 3 dá mais foco às criaturas não-humanas, algo que Sonic 2 e a série do Knuckles decepcionaram ao dar um imenso tempo de tela aos humanos da história. Sinceramente? As crianças não vão ao cinema para ver Tom, Wade, Rachel e outros personagens, a ideia é ver Sonic e seus amigos. Sim, eu adorei que o filme exagera nas cenas em CGI para dar destaque às verdadeiras estrelas da franquia, trazendo uma ótima história para eles.

Shadow em SONIC 3
Reprodução/Paramount

Para ser ainda mais claro, eu diria que este é um filme do Shadow, um dos personagens mais populares da franquia e o grande rival (praticamente um Vegeta) do Sonic. Claro, o personagem principal, Sonic, tem boa parte do filme, fazendo um grande contraste com o outro ouriço: enquanto as cenas de Shadow são melancólicas, tristes e emocionantes, Sonic traz leveza, otimismo e alegria. Um equilíbrio que funciona muito bem ao longo de quase 2 horas de duração.

Como adaptação do game, o filme respeita bastante a origem do Shadow, mesmo sabendo que alguns elementos não ficarão tão claros para as crianças que estão assistindo. Os momentos mais sombrios estão lá, Shadow tem todos os motivos de sua vingança revelados e a tristeza de suas cenas realmente fez algumas pessoas da minha sala começarem a chorar (e não eram crianças, ok?).

Reprodução/Paramount

Enquanto temos todo este show voltado para as criaturas “alienígenas” do filme, Jim Carrey também ganha um bom destaque, afinal, ele interpreta os dois principais vilões do filme: Ivo e Gerald Robotnik. Na sua performance também há um pequeno problema: Sonic 3 percebe que o filme tem sido assistido por todas as idades e algumas das piadas acabam sendo voltadas para o público mais velho, algo que fica meio nebuloso para as crianças. Ainda assim, Jim Carrey caminha para um lado muito mais voltado para o humor do que nas outras adaptações, dando muito espaço para o ator fazer aquilo que ele mais gosta. Entretanto, ao meu ver, as principais falhas do filme estão exatamente nas cenas compartilhadas por Robotnik e seu avô, há um grande desperdício de potencial e uso de personagens nessas cenas, sendo utilizadas apenas para fazer coisas loucas como um número de dança sem motivo algum.

Por falar em desperdício, temos a presença da atriz Krysten Ritter, conhecida pelo seu papel em Jessica Jones, que vive a Diretora Rockwell nesta adaptação, praticamente servindo como uma participação de luxo, já que ela pouco importa para a história. Neste mesmo passo, os antigos amigos de Sonic, Knuckles e Tails também foram subaproveitados na trama. Como eu disse antes, o longa é do Shadow, que divide seu tempo de tela com uma dualidade com o Sonic, isso prejudica o uso dos demais personagens, que são menos que coadjuvantes, aparecendo na tela apenas para servir de escada para o ouriço azul. Enquanto isso, deixo um grande destaque para o trabalho da atriz que faz a Maria Robotnik e também para o Agente Rocha, vivido por Lee Majdoub.

Maria do SONIC 3
Reprodução/Paramount

Sonic 3 também traz uma grande mudança em relação aos filmes anteriores, as cenas de luta se tornam muito mais similares aos animes como Dragon Ball Z, tendo um bom tempo de tela voltado para a batalha, trazendo ataques rápidos, muito bem dirigidos para a câmera e com grande impacto nos golpes. A batalha final consegue trazer ação, emoção e bastante peso, uma grande evolução em relação às batalhas dos filmes anteriores, que eram muito mais simples, rápidas e praticamente sem valor para a história.

No fim, Sonic 3 mostra um grande amadurecimento da franquia. É um filme bem dirigido, escrito e que adapta um dos games mais adorados pelos fãs, o que traz um dos personagens mais populares para as telonas. Se você gostou dos primeiros filmes, este, sem dúvida, é o melhor já lançado. Aliás, este foi o primeiro filme do Sonic que vi em uma sala de cinema ao lado do público geral, a energia de todos que estavam presentes mostrou que a franquia Sonic tem conseguido praticamente o que a franquia Marvel fez com a geração de jovens e adolescentes da última década. É um feito impressionante, principalmente se lembrarmos que tudo isso começou com o trailer do Sonic feio. Parabéns para a Paramount, eles ouviram os fãs e fizeram história.

Sonic 3: O Filme
  • Desenvolvedora: Paramount Pictures
Positivo
  • Muita ação
  • Investe tempo para os personagens da franquia
  • Toda a história do Shadow
Negativo
  • Knuckles e Tails tem papel reduzido
  • As cenas de Jim Carrey passam do ponto
Nota 9
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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