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Quando lançou Toy Story, a Pixar conseguiu iniciar uma tradição: a de impressionar os telespectadores com desenvolvimento técnico e também com uma narrativa que consegue causar um certo engajamento emocional. E isso foi se repetindo ao longo dos anos, contando com produções mais inspiradas como ‘Divertida Mente‘ e ‘Viva: A vida é uma Festa’.

Agora, com a nova plataforma de streaming, a Disney+, tivemos o lançamento de Soul, que é mais um dos exemplos que mostram que o estúdio consegue conversar com toda a família, mas, ao mesmo tempo, trazendo mensagens que serão mais voltadas para uma certa faixa etária, neste caso, o filme funciona bem melhor para os adultos. Há também o fato de termos o primeiro negro protagonista das produções da Pixar e focado na comunidade negra. O filme é altamente humano, com um humor bastante leve e também um sentimento e profundidade adulta. E, sim, ele é bastante filosófico.

Interpretado originalmente por Jamie Foxx, Joe Gardner é um músico do Queens que pode representar qualquer um de nós, afinal, quem nunca sonhou em trabalhar com sua paixão? É um privilégio de poucos. E, assim como muitos de nós, o filme mostra que nem sempre as pessoas que nos rodeiam acreditam que isso é possível. Joe é um pianista, mas trabalha como professor de música. Seu sonho é ser um membro de uma banda de jazz e viver fazendo shows nas noites de Nova York. Sua chance surge quando Dorothea Williams, uma famosa saxofonista, abre a chance de uma audição, mesmo tendo sucesso nisso, ele acaba sofrendo um acidente e indo para o além, enquanto seu corpo continua vivo na Terra, mas vazio.

Tentando voltar ao seu corpo, Joe acaba indo para onde as almas desenvolvem personalidades e são preparadas para viver na Terra. Ao lado da Alma 22, ele busca um esquema para burlar o processo e recuperar sua vida para… bem.. viver de Jazz.

Soul é um filme bem atarefado, a situação de Joe vai mudando constantemente ao longo do filme, mas, ainda assim, o longa consegue manter o foco enquanto aproveita a jornada para provocar questionamentos e reflexões sobre o propósito e o significado da vida.

Claro, isso é feito através de pequenas pinceladas que são bem espaçadas pela história do filme. O ritmo é interessante e a personagem 22 acaba se tornando muito mais cativante do que originalmente se apresentava.
É através da perspectiva da 22 que vemos como a vida é valiosa e interessante, ainda que o cotidiano feche nossos olhos para isso constantemente. Por nunca ter vivido antes, tudo é uma novidade, uma descoberta, uma fonte de prazer e alegria. De repente, a vida se torna fascinante e incrível. E isso muda completamente o pensamento que ela tinha sobre estar na Terra.

O filme tem problemas? Sim, alguns, principalmente a necessidade de quebrar alguns momentos com pequenos gracejos, piadas, quando vemos que não é necessário. Afinal, quem não ficou encantado com diálogos como o de Joe e Dorothea? Ou com a discussão de Joe com sua mãe? Sei que muitos acreditam que o fato de ser uma animação faz com que o filme seja necessariamente para crianças, mas, ao longo dos anos, qual o motivo desta ideia ainda não ter se dissipado? É uma peça de arte e uma história como qualquer outra.

Fico feliz que Soul tenha estreado no Disney+, provavelmente, ele não teria o mesmo alcance e apelo caso tivesse estreado nos cinemas. É um filme divertido, delicioso, surpreendente e impactante. É a Pixar nos lembrando que os mais belos momentos da vida sempre estão diante de nossos olhos.

Positivo
  • Emocionante
  • Bela história
  • Ótimos personagens
Negativo
  • Quebra de alguns poucos momentos sem necessidade
Nota 10
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.