Comentários
startrekbeyond-poster-183523

Talvez nenhuma outra propriedade seja tão essencial para a cultura nerd quanto Star Trek. E depois de 50 anos audaciosamente indo você sabe onde, a franquia ganha um presente na forma de Star Trek: Sem Fronteiras. Sem a necessidade de ser uma história de origem ou uma reciclagem dos melhores momentos da tripulação, o filme se contenta apenas em contar uma boa aventura fechada, como um bom episódio da série clássica, fazendo com que esse talvez seja o melhor filme da franquia desde que foi reiniciada em 2009.

Enquanto cumpria uma missão de resgate, a tripulação da Enterprise é emboscada e, muitos camisas vermelhas mortos depois, se vê encalhada em um planeta hostil. A premissa básica é uma boa oportunidade para separar o (ainda excelente) elenco em pequenos núcleos e seus momentos a cada um dos personagens. Em especial, Leonard Mccoy deixa de ser uma participação de luxo para finalmente recuperar seus status como parte do trio principal, com direito a muito destaque a sua relação de amor e ódio com Spock (aquele duende de sangue verde!).

Entretanto, Kraal, o vilão interpretado por Idris Elba, passa a maior parte do filme sendo um antagonista genérico, mas na reta final recebe uma dose pesada de desenvolvimento que, infelizmente, teria sido mais bem servida se tivesse vindo mais cedo. Diferente das reclamações de muitos fãs, as doses de adrenalina nunca foram realmente um problema na franquia pós-reboot (afinal, mesmo com o baixo orçamento a série clássica tinha um fascínio por cenas de luta, episódios de torneio de gladiadores e afins) e esse filme segue mantendo o ritmo frenético.

No entanto, faz falta elementos de ficção científica hard. Existem bugigangas tecnológicas bacanas e elementos e cenários criativos, mas nada que traga questionamento filosófico aprofundado. Por outro lado, percebe-se um carinho por alguns dos elementos mais camp da série original e os utiliza para a sua vantagem (como já foi feito em filmes como Star Trek IV: A Volta Para a Terra). Por exemplo, a música “Sabotage” dos Beastie Boys, que causou tanta má impressão no primeiro trailer, aparece protagonizando uma das melhores e mais afeiçoadamente bobas cenas.

O filme também carrega a responsabilidade de honrar as mortes de Leonard Nimoy e Anton Yelchin (esta, ocorrida tragicamente em cima da hora) e ainda celebrar os 50 anos da franquia. Mantendo spoilers ao mínimo, esses elementos são incorporados tematicamente, de forma que transcendem o mero fanservice. A própria mensagem central que o filme passa é uma celebração dos tema central da série: A exaltação humanista do uso da ciência e diplomacia pelo bem da humanidade (e outras espécies).

Os filmes de Star Trek recebem boas avaliações dos críticos e fazem uma bilheteria razoável, mas dividem os fãs e não são os blockbusters mais comentados do ano. Mas de ainda assim, tem conseguido manter a chama da franquia acesa com um bom padrão de qualidade. Basta esperar que a vindoura série de TV pela CBS e Netflix consiga finalmente projetar uma das franquias mais importantes da cultura pop ao mainstream que ela merece.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.