
Em 2014, vimos o reboot live-action de Tartarugas Ninja produzido por Michael Bay e sua empresa, a Platinum Dunes, a ideia era ter uma abordagem mais séria do material, o que acabou se mostrando como um erro. Em “Fora das Sombras“, eles corrigem este problema, abraçando o lado mais leve e cartunesco da franquia. O filme até traz os vilões conhecidos pelos fãs da animação dos anos 90, Bebop e Rocksteady, e introduz Krang, um cérebro com tentáculos de outra dimensão que quer dominar a Terra. Enquanto isso, vemos as Tartarugas contar piadas, assistir jogos, ter uma certa diversão. A maneira como as histórias e os personagens estão ligados nem sempre faz sentido, mas este é um dos menores problemas do filme.
Vemos as Tartarugas vivendo nos esgotos, um lar que, para elas, serve como uma prisão autoimposta. Com medo do que a sociedade poderia fazer se descobrirem que um grupo de vigilantes mutantes vivem entre ela, as Tartarugas vivem nas sombras, sonhando com o dia em que elas poderiam viver entre os humanos sem ter problemas. É engraçado que a ideia de viver sem chamar a atenção envolve um caminhão de lixo com braços gigantes segurando nunchucks gigantes. Afinal, quem iria reparar nisso no meio da rua?
É preciso dizer que as Tartarugas são bem divertidas, o plot do filme é sustentado na ideia de família, algo que está sempre presente nos diálogos dos heróis. Elas ainda contam com April O’Neal (Megan Fox), a aliada humana que, em tese, é uma repórter (apesar de nunca pisar no trabalho e só fazer uma reportagem durante todo o filme). April investiga um cientista chamado Baxter Stockman, que está trabalhando em um projeto secreto para o destruidor. Acontece que este dispositivo acaba dando problema e faz com que o Destruidor encontre Krang, fazendo com que os problemas dos heróis aumentem consideravelmente. Mas é aqui que o filme começa de verdade.
As cenas de ação são bem melhores do que as existentes no primeiro filme. O filme já começa com uma sequência de 15 minutos de pura ação, onde podemos ver momentos de pura adrenalina. É interessante o fato de que as cenas de lutas iniciais são bem melhores do que a luta final, talvez boa parte do orçamento tenha sido investida na abertura.
Stephen Amell parece estar se divertindo no papel de Casey Jones, um vigilante que usa uma máscara de hockey, enquanto Megan Fox tem bons momentos trabalhando sob disfarce como April. Mas é interessante notar como os dois personagens possuem tempo em tela separados das Tartarugas. Apesar de ser um filme live-action das Tartarugas Ninja, os personagens humanos se mantém separados dos digitais em histórias paralelas. As tartarugas estão sempre em sequências feitas totalmente no computador, enquanto Amell e Fox se encontram em cenários reais com atores reais. É como se tivéssemos uma colagem de dois filmes que atuam em conjunto.
O grande problema é que essa ida e volta do real para o surreal faz com que tudo fique mais aparente, deixando ainda mais evidente que as Tartarugas e seus cenários são feitos com CGI. O que nos leva a pergunta: Se temos cenários digitais, com inimigos digitais, heróis digitais e lutas totalmente digitais… qual o motivo de fazer um live action? Personagens como Bebop, Rocksteady e Krang nunca parecem estar presentes no filme, é como se tivessem encaixado as figuras desses personagens de forma tosca na tela.
No fim, “As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras” é bem melhor que seu antecessor. Em todos os sentidos. É bem mais divertido, seus personagens são divertidos, as interações entre eles são divertidas. É um filme que irá agradar as crianças e trazer a sensação de nostalgia para os fãs (já adultos) das antigas animações dos heróis. Porém, é preciso investir mais neste lado leve e cartunesco, nas relações das Tartarugas e seus aliados, na diversão e menos nas cenas de ação. Ainda assim, este é realmente um filme feito para crianças e seu sucesso com elas é inegável. Leve seus filhos, sobrinhos, irmãozinhos, eles irão adorar.
https://www.youtube.com/watch?v=maWcEwI2n0k