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Em sua 3ª temporada, The Boys demonstra domínio completo no desenvolvimento de seus personagens, porém desperdiça a oportunidade de atingir a perfeição ao continuar apelando para finais felizes.

As tantas produções de super-heróis que saem hoje em dia tem uma lição importante para aprender com a série do Prime Video, e esta não se refere ao seu tom, seu gênero, ou à sua classificação indicativa, e sim ao seu texto. Nada é mais importante que o roteiro, nem os efeitos especiais, nem a história a ser a adaptada, nada.

Os roteiristas e produtores da série tinham uma missão muito difícil neste novo ano, que era introduzir o Soldier Boy de uma maneira cativante. Como fazer isso se ele se trata de um sujeito tão deplorável? Eles tornaram o Capitão Pátria, de forma natural, ainda mais maligno do que já foi nas temporadas anteriores, e fizeram do personagem de Jensen Ackles um mal necessário.

O mais digno de nota deste desenvolvimento de personagens é que, os roteiristas não se preocuparam em transformar ninguém em herói, ou vilão, todo mundo continuou sendo quem é, e quando as coisas precisaram ser mudadas pelas viradas da trama, elas mudaram naturalmente, sem que qualquer barra precisasse ser forçada.

The Boys Crítica 3ª temporada 1
Reprodução/Prime Video

Aliás, a temporada em si trata a todos seus personagens como seres deploráveis, e promove uma sátira às guerras de interesses do mundo atual. Sendo assim, o que define para quem você está torcendo tem ligação direta com a forma que cada um trata a vida das outras pessoas, que no caso do Capitão Pátria, vilão da série, é com total desprezo, assim como tratam muitos líderes mundiais conhecidos.

Em essência, muito da construção dos personagens respeita o material original dos quadrinhos. Aliás, isso até foi um tema de reclamação de alguns fãs, mas a série tem deixado claro há tempos que pega de sua fonte apenas o essencial, e assim faz com que seu universo tenha um desenvolvimento próprio, de forma natural.

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Claro que você deve ter ressoado o Black Noir na sua cabeça assim que leu o parágrafo anterior, mas como já dito, a adaptação se concentra na essência do material original, e não no conteúdo, pois, novamente, nada é mais importante que o roteiro, nem a obra original de Garth Ennis.

Tanto que, uma outra missão difícil foi a introdução do conceito do Composto V Temporário, que nos quadrinhos era importante desde a formação do grupo dos rapazes. A esta altura, errar na abordagem deste artifício seria mais fácil do que acertar, e aqui a equipe da série demonstra mais uma vez total domínio do material que tem em mãos, ao não abusar deste elemento narrativo.

Reprodução/Prime Video

Inclusive, o fato do Composto V ter um limite de utilizações é totalmente metafórico, pois a equipe sabia que utilizar este recurso ativaria uma contagem regressiva para o final da série, que chega a ser apresentada quase que literalmente em uma cena do episódio final.

The Boys não pode ir muito além de sua 3ª temporada, que é um ponto de ruptura responsável por colocar o grupo dos rapazes e os Sete em rota de colisão para seu confronto definitivo.

Resta saber se o final da série vai ser a tragédia anunciada ao longo de todas as temporadas, ou se vão arranjar um jeito de dar a todos um final feliz, tal qual foi a conclusão do episódio 8 da temporada atual.

Aliás, se dá para citar um defeito para o novo ano, este é a sua conclusão, que tira o peso de muitas cenas bem construídas envolvendo mortes de alguns personagens, para promover uma espécie de final feliz.

The Boys Crítica 3ª temporada 3
Reprodução/Prime Video

Talvez este seja um ônus do domínio que os roteiristas e produtores tem dos seus personagens, pois de certa forma isso se converteu em apego.

Por fim, a consistente 3ª temporada de The Boys chega muito perto de atingir a perfeição, mostrando que a série está em outro nível quando comparada com a maioria das produções de super-heróis. O final “tudo é incrível” até incomoda um pouco, porém quem já leu o material original sabe que apesar dele não estar sendo seguido, o pior realmente pode está por vir.

Nota 9


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