Quando o Amazon Prime Video lançou Invencível – uma série animada baseada nos quadrinhos de mesmo nome de Robert Kirkman – e obteve um sucesso considerável de público e crítica, alguma luz deve ter acendido na cabeça dos executivos do streaming. Afinal, não demorou para The Boys, outra série baseada em quadrinhos da Amazon – mas essa em live-action – ganhar também uma série animada para chamar de sua.
No entanto, The Boys: Diabolical possui um formato diferente: é uma série de antologia, contando com oito episódios de cerca de 12 minutos, e cada um com um estilo de animação completamente diferente do outro. Na mesma pegada violenta e escatológica da série (herança dos quadrinhos originais de Garth Ennis), os episódios contam com grandes nomes assinando os roteiros, como Seth Rogen, Awkwafina , Andy Samberg e até mesmo Justin Roiland, co-criador de Rick e Morty.

O ponto mais interessante de Diabolical, facilmente, é o fato de que cada episódio conta com um estilo de animação diferente. Isso permite também uma experimentação de diferentes tons – que seguem, obviamente, o que o estilo de animação exige. Assim, encontramos histórias mais focadas em banhos de sangue quando seguem a estética mais “Invencível” da coisa; histórias mais humorísticas quando o traço tem uma pegada “Scott Pilgrim”; e até mesmo dramas pesados quando o episódio de repente descamba para um anime à la Studio Ghibli.
Isso traz uma enorme identidade para cada um dos episódios, embora mesmo sendo tão diferentes em suas concepções, todos consigam vender a ideia de que se passam em um mesmo universo. Exceto talvez pelo primeiro, que inclusive conta com roteiro de Garth Ennis (o criador da HQ original de The Boys) e que é um grande presente para os leitores dos quadrinhos, passando-se no universo das páginas, e não no da série da Amazon. Os visuais dos personagens são os mesmos dos quadrinhos, e temos até o ator Simon Pegg como voz de Hughie Campbell – para quem não sabe, nos quadrinhos, o personagem teve sua aparência baseada no rosto do ator.

Mas claro, embora exista essa conexão com a série live-action nos outros 7 episódios, criando um real senso de pertencimento de universo, os fãs de The Boys não devem esperar grandes referências narrativas entre as séries. Em sua maioria, os personagens que estrelam os episódios são cidadãos comuns que de alguma forma se veem envolvidos com os super-seres ou com as tramas da Vought.
Somente o último episódio da temporada traz uma real conexão aos eventos da série principal de The Boys, sendo totalmente focado no Homelander. Nesse episódio, que se passa nos primeiros dias de Homelander como um super-herói público da Vought, vemos como foi o início de sua relação e trabalho em equipe com o misterioso Black Noir.
Mas o que todos os episódios tem em comum, sem dúvida, é o fator da imprevisibilidade. Seja com base na violência ou não. Por se passar em um mundo corrupto recheado de sarcasmo, e ainda contando com a maior liberdade criativa das animações, os episódios de Diabolical nunca seguem um caminho lógico ou esperado. Até mesmo no episódio mais “bonitinho” da temporada, que segue a linha das animações mais clássicas de Looney Tunes, você espera a todo momento que a bebê bonitinha simplesmente exploda com seus raios lasers a cabeça do cara que está tentando adotá-la. Se isso acontece ou não, você vai ter que conferir. E entender esse sentimento na pele.

The Boys: Diabolical é um produto promissor, especialmente por ser despretensioso. Por ser um spin-off em um estilo completamente diferente da série principal, a antologia possui uma maior liberdade em experimentação, o tipo de coisa que uma produção em live-action, pelo escopo e orçamento, nem sempre pode se dar ao luxo.
Essa experimentação, aliás, parece ir muito além do campo narrativo. Com o sucesso já referido de Invencível, não duvido que algum (ou alguns) dos episódios de Diabolical dê origem a uma série própria. A antologia, em seus oito episódios, provou o que já sabíamos: que The Boys oferece um rico universo a ser explorado.






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