Já está disponível o filme animado The Witcher: Lenda do Lobo, que serve como prequência da primeira temporada da série e também estabelece um suporte de background para a segunda temporada, que trará Vesemir, o bruxo que serve como figura paterna de Geralt, como um dos principais personagens. Aqui, temos sua história de origem e também, ao mesmo tempo, uma explicação para o fato dos bruxos se encontrarem em extinção, trazendo o massacre de Kaer Morhen.
Para quem já conhecia um pouco sobre Kaer Morhen, local de treinamento dos bruxos, terá uma certa surpresa aqui, já que apesar de trazer fatos similares, a lore muda um pouco, mostrando que os bruxos possuem uma figura um tanto diferente daquela que conhecemos. Aliás, esta diferença também está presente em Vesemir, que é um bruxo muito mais orgulhoso, ganancioso e canalha do que estamos acostumados e, provavelmente, muito mais jovem também.
Para quem ainda acreditava que os bruxos não possuem emoções, o filme mostra o contrário. Afinal, temos uma boa pitada de romance dentro da história de Vesemir. Aliás, o começo de sua história como Bruxo também surpreende, já que mostra que há muito mais variáveis neste universo do que o destino e a Lei da Surpresa, que geralmente envolvem todos os contos de The Witcher.

O filme animado se aproveita da sua forma para entregar bastante ação, batalhas com monstros e muita magia, algo que seria impossível em uma versão live-action, principalmente contando como um filme exclusivo de uma plataforma de streaming. Temos exércitos de criaturas e bruxos aparecendo na tela e a produção merece elogios por sua animação e qualidade gráfica.
Os bruxos também estão muito mais acrobáticos nesta produção, lembrando bastante a movimentação dos personagens da série Castlevania, que possuíam tais características durante as lutas. Não me leve a mal, eu entendo que isso é bacana e bonito de se ver, só que algumas lutas acabam perdendo identidade, evocando algo que não existe dentro do universo de The Witcher, que ganha muito mais espaço do que os encatamentos, sinais, poções e elixires. Assim, o tom mais soturno dá espaço pra uma ação desenfreada que mais parece um hack & slash, sem muita estratégia, dilemas morais ou histórias arrepiantes.
E ainda que o filme encha os olhos com o show gráfico, há uma certa falta de zelo de mesmo tamanho com a história. Tudo acontece muito rápido e existe um esforço evidente para poder adicionar as informações necessárias para a construção da nova temporada da série, sendo assim, temos um pouco da perda de comprometimento do filme como uma história totalmente voltada a seu protagonista, Vesemir.
Ainda assim, o filme também é uma boa opção para entender um pouco mais da forma como os bruxos eram originados, embora não mergulhe tanto em desenvolver isso, nem explicar de forma mais didática, presumindo que o telespectador já conhece o básico sobre o universo do bruxo Geralt. Mas dá pra acompanhar quase todo o processo de transformação de um garoto normal em um bruxo, caçador de monstros e criaturas.
De todo modo, ainda que as criaturas tenham bastante espaço no longa, o principal ‘monstro’ de todos os contos do bruxo se mostra ausente. A humanidade praticamente não tem espaço na história, já que os grandes conflitos estão concentrados nos bruxos, elfos e uma maga (que basicamente não é uma humana comum).
No fim, o filme diverte, mas não convence. A ação é boa, sacia um pouco da vontade de continuar acompanhando as aventuras de The Witcher através da tela, mas não faz jus à qualidade inserida na série live-action. O roteiro dos episódios trazia uma essência mais similar à encontrada nos livros e o filme animado se preocupa mais com ação e com os elementos que precisa impor para a segunda temporada. Porém, se você é um grande fã da franquia, talvez não goste de muitas das decisões tomadas aqui.
- Muita ação
- Animação espetacular
- Roteiro pouco desenvolvido
- Perda de identidade
- Mudanças cruciais na lore