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Tal qual Phil Connors (Bill Murray) ficou aborrecido por acordar todos os dias no mesmo dia, em Feitiço do Tempo (1993), parte do público pode acabar não sendo tocada por Transformers: O Despertar das Feras (2023), que devolve a franquia ao eterno Dia da Marmota da época de Michael Bay.

O novo filme dos robôs alienígenas gigantes repete o enredo básico de todos os outros filmes da franquia, exceto Bumblebee (2018), e soma isso ao enredo polêmico do Galactus de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007).

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Reprodução/Paramount Pictures

Se a ideia era fazer um reboot velado, repetir a história de heróis, vilões e jovens humanos em busca de um objeto capaz de destruir a Terra ou levar os Autobots de volta para Cybertron, talvez não tenha sido a escolha mais inteligente.

Enquanto Bumblebee (2018) provou que era possível criar boas novas histórias com Transformers, buscando inspirações em clássicos de ficção cientifica, como E.T. O Extraterrestre (1992), o novo filme emula uma banda dos anos 80/90 que está buscando repetir a sonoridade de hits antigos para criar novos, e não conseguindo, cria apenas músicas monótonas pouco originais.

Por mais que tenha um roteiro decente – até certo ponto, O Despertar das Feras se prejudica muito com essa falta de originalidade, pois fica impossível não comparar seu conteúdo com o que veio antes.

É verdade que Michael Bay não fez nenhuma obra-prima e, é inegável que a maioria de seus filmes na franquia são terríveis. Mas, também é fato que ele sabia criar um senso de urgência com suas cenas de ação confusas, porém, grandiosas, que conseguiam cativar os fãs.

Reprodução/Paramount Pictures

O novo filme peca na tentativa de impressionar na ação, que não é ruim, mas é genérica e pior do que tudo que foi feito antes.

Atrelada a ação, existe uma tentativa clara de gerar emoção no público com momentos trágicos, que de tão mal desenvolvidos não causam qualquer impacto.

Aliás, desenvolvimento é algo que não existe em todos os núcleos deste filme, principalmente na jornada dos personagens. Eles até são cativantes, mas apenas são jogados em tela sem que nada explique a relação entre eles ou as suas motivações. Acredite se quiser, tem Transformer no filme que mal tem fala. Sim, tem quem esteja no filme só para o pôster ficar mais bonito.

Além do desenvolvimento ruim dos personagens, O Despertar das Feras peca bastante na proposta de ambientar sua trama nos anos 90. Nos primeiros minutos, quando a história está no Brooklyn, isso até funciona bem. Porém, quando vai até o Peru, onde acontece em grande parte, tanto faz se o filme está se passando em 1994 ou em 2050, o cenário passa a não fazer mais qualquer diferença.

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Reprodução/Paramount Pictures

Atualizando o saldo do filme temos: ação genérica, cenário genérico, personagens cativantes, porém genéricos, roteiro competente, mas genérico, e agora pode colocar na soma uma trilha sonora original completamente sem identidade e genérica.

Quanto à parte da trilha que compreende canções de outros músicos, essa é legal. Aliás, se dá para citar uma coisa muito boa em tudo isso é que, a curadoria de músicas hip hop dos anos 90 está excelente.

Por fim, Transformers: O Despertar das Feras é um filme naufragado em um grande deserto criativo, que causa a incômoda sensação de você já ter vivido tudo que ele apresenta várias vezes antes. Se o plano da Paramount é criar novos hits com a franquia, talvez seja a hora de desenvolver algo diferente, ao invés de sempre repetir o que fez sucesso anos atrás.

Leia mais sobre Transformers:

Steven Caple Jr. (Creed II) cuida da direção, enquanto Anthony Ramos (Em Um Bairro de Nova York) e Dominique Fishback (Judas e o Messias Negro) estrelam.

Transformers: O Despertar das Feras está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Nota 4


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