Em 2013 a Lionsgate surpreendeu a todos com um filme despretensioso, interessante e com roteiro original – o que é um ponto extremamente positivo em tempos de remakes e adaptações. Trazendo um elenco grandioso contendo nomes como Michael Caine e Morgan Freeman, Truque de Mestre (Now You See Me) conquistou o público levando para as telas algo que está cada vez mais esquecido no imaginário popular: a mágica. Apesar não te sido um estouro de bilheteria, o filme fez uma soma considerável para o valor que custou, e o famoso “boca-a-boca” rapidamente o tornou cult. E é claro, uma sequência foi garantida.
Assim chegamos a Truque de Mestre: O Segundo Ato (Now You See Me 2) que apesar de retornar com quase todo o elenco original, troca o diretor Louis Leterrier por Jon M. Chu. Mas afinal, o filme é tão bom quanto o primeiro? E aliás, ele precisava mesmo de uma continuação? Pois bem, como todos sabem, não existe nada mais lucrativo no cinema hoje em dia do que as grandes franquias. A Disney tem os filmes da Marvel e Star Wars, a Warner está investindo pesado no DC Filmes, e a Lionsgate recentemente perdeu a sua galinha dos ovos de ouro com o último capítulo da série Jogos Vorazes. Logo, é normal que eles queiram preencher essa vaga – o mais rápido possível – de alguma maneira. Então porque não transformar em franquia um filme que teve um sucesso considerável e cujos personagens já conquistaram o reconhecimento do público? Assim temos Truque de Mestre sendo transformado em franquia e tendo inclusive um terceiro filme já anunciado pela produtora.
O grande problema em fazer de Truque de Mestre uma franquia é o fato do primeiro filme ser extremamente amarrado e conclusivo. Assim, para uma continuação, os roteiristas precisam se desdobrar criando situações que desconstruam pontas amarradas no anterior, de forma a poder abordá-las no novo filme. O que acaba gerando repetições e causando certa estranheza no espectador. Mas falo disso daqui a pouco.
Na trama, encontramos Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) ainda trabalhando no FBI e tentando usar sua influência para criar pistas falsas de forma que levem as investigações para longe do verdadeiros paradeiro dos Cavaleiros, sua equipe de mágicos que está na surdina desde os eventos dos filme anterior. Aliás, a equipe tem uma nova adição feminina com Lola (Lizzy Caplan) que entra no lugar da personagem Henley, vivida no primeiro filme pela atriz Isla Fisher, que não pôde retornar ao filme devido a uma gravidez. O problema começa durante a performance que traz o retorno dos Cavaleiros a público, com o objetivo de expôr um chip que seria usado por uma empresa para ter acesso a todas as informações privadas dos usuários. Alguém invade a transmissão, acaba com o show, expõe Dylan para o FBI e sequestra os Cavaleiros.

É aqui que temos a adição de Daniel Radcliffe ao elenco, no papel do caricato Walter Mabry, filho de Arthur Tressler (Michael Caine) e que pretende vingar os que os Cavaleiros fizeram a seu pai no filme anterior. Mas antes disso, ele precisa que os mágicos roubem o chip para ele.
Novamente temos a trama envolvendo um roubo, mas diria que esse não é o problema, afinal a situação gera a melhor sequência do longa. O grande problema está nas sucessivas repetições que surgem a partir daqui. A sensação é que o objetivo da Lionsgate era tornar tudo maior e mais chamativo do que no primeiro filme, o que acabou não sendo muito bem vindo. Se antes tínhamos algumas cenas de mágica que contavam com um certo exagero mais ainda assim eram executadas de uma forma crível, aqui temos cenas que nos fazem pensar que os protagonistas realmente tem poderes mágicos. O último ato do filme segue tão fielmente a fórmula deixada por seu antecessor, que temos um grand finale quase idêntico, além de um plot twist nos últimos minutos de filme que apesar de bem intencionado, só prejudica a história. Se no primeiro filme tivemos um reviravolta no final que surpreendeu e fez sentido, aqui temos uma forçação de barra que não apenas é anti-climática, como desconstrói tudo que foi mostrado desde o filme anterior.
Mas não. O filme não é ruim. Ele diverte, entretém, e o quarteto de mágicos formado por Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Dave Franco e Lizzy Caplan são afinados e carismáticos, conduzindo todo o longa. O grande problema é ele ser sequência de um filme onde não cabia uma sequência, ficando assim muito aquém do original. A sensação causada é quase a mesma de outro filme que funcionava perfeitamente bem até terem a brilhante ideia de transformar em franquia: a comédia Se Beber Não Case. E com o anúncio de que teremos Truque de Mestre 3, fica o receio do que irão aprontar por aí.






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