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Após longo período em desenvolvimento, onde sofreu mudanças constantes no elenco e equipe criativa (especialmente diretores), ‘Uncharted: Fora do Mapa‘ enfim está sendo exibido nos cinemas ao redor do mundo.

Com Tom Holland e Mark Wahlberg, a ideia da Sony Pictures é ter outra grande franquia em mãos, indo além das conhecidas propriedades do Homem-Aranha.

Bem, antes de qualquer coisa, vamos logo abordar a questão do elefante na sala: Se está procurando por fidelidade, com tentativas de honrar o legado de Uncharted, talvez esse filme não seja para você.

Trata-se de um resultado que só posso descrever como constrangedor, pois se apropria de um título conhecido para criar essa espécie de caça-níquel e veículo de franquia para o estúdio.

Reprodução/Sony Pictures

Na trama, Nathan Drake e seu parceiro Victor “Sully” Sullivan embarcam em uma perigosa busca para encontrar o maior tesouro jamais encontrado. Enquanto isso, eles também rastreiam pistas que podem levar ao irmão perdido de Nathan.

Decisão que trouxe muita polêmica quando anunciada, Tom Holland como Nathan Drake foi uma aposta do estúdio para tentar alavancar as vendas de ingressos, se aproveitando especialmente da popularidade do ator como Homem-Aranha na Marvel Studios.

Mesmo deixando isso de lado, a verdade é que Nathan Drake não existe nesse filme.

Há um esforço homérico da produção (incluindo passagem de tempo) em mostrar que Holland não está interpretando uma versão tão jovem do personagem, e sim uma próxima daquela que conhecemos no primeiro jogo.

O roteiro não consegue capturar a essência de Drake. Falta de tudo um pouco aqui: boas lutas, escaladas, tiroteio. Essa versão apresentada no filme tem apenas uma sequência de parkour mais elaborada.

De qualquer forma, a participação de Sully deveria envergonhar todos os envolvidos nesse projeto. Não apenas a atuação de Wahlberg é preguiçosa, mas conseguiram transformar o maior aliado e figura paterna de Nathan em alguém absolutamente irritante e sem carisma.

Se a ideia era ter uma versão mais jovem, por que não utilizar isso ao favor da narrativa? Novamente, exploração da imagem de um grande nome de Hollywood, que ajudaria simplesmente na venda de ingressos.

Elenco de apoio

Reprodução/Sony Pictures

Sophia Ali interpreta Chloe Frazer, uma das principais aliadas de Nathan nos jogos, e sua popularidade cresceu tanto que é o foco de ‘Uncharted: Lost Legacy‘ ao lado de Nadine Ross. A atriz faz um bom trabalho, mas novamente, não espere ver a mesma Chloe dos jogos.

Assim como os dois protagonistas, podemos dizer que é praticamente uma personagem original. Sua química com Holland e Wahlberg é positiva. Se torna vítima do roteiro preguiçoso especialmente no terceiro ato.

Reprodução/Sony Pictures

Há um sério problema de vilões nesse filme, pois Antônio Banderas (A Máscara do Zorro) como Santiago Moncada não tem nenhum material substancial para trabalhar. O ator aparece e sai de cena sem nenhum impacto ou verdadeira sensação de ameaça.

Tati Gabrielle, por outro lado, convence como a líder militar Joe Braddock (e não, ela não é filha do Braddock do Chuck Norris).

Na verdade, a atriz talvez seja a melhor parte do filme, pois traz as habilidades necessárias para colocar em risco os planos de Nathan e Sully.

Ao mesmo tempo, não temos nenhuma “luta contra chefe” memorável. Confesso que, ao perceber que alguns elementos do quarto jogo estavam sendo utilizados, fiquei no aguardado por uma possível recriação da luta com espadas igual à contra Rafe Adler.

Mas, não aconteceu.

Reprodução/Sony Pictures

Direção e Fotografia

Ruben Fleischer é um caso interessante em Hollywood. Responsável por dois filmes bem-sucedidos de ‘Zumbilândia‘, o diretor acabou ficando marcado recentemente devido ao (fraco) ‘Venom‘, mas que trouxe grande resultado financeiro à Sony Pictures.

Não há nenhuma inspiração no trabalho de Fleischer, que faz tudo pior em comparação às cenas originais da Naughty Dog.

Na única grande sequência de luta corpo a corpo, o diretor opta por cortes absurdos, que lembram os piores momentos da franquia ‘Jason Bourne‘ ou Liam Neeson pulando uma cerca em ‘Busca Explosiva 3.

Reprodução/Sony Pictures

Me chama a atenção que tenham sido investidos US$ 120 milhões, pois para uma aventura que se considera internacional, faltou e muito sequências memoráveis especialmente em Barcelona, onde praticamente só ficamos no subsolo com Nathan e Chloe.

Sabe aquele, “UAU!”, tradicional no gênero? Quando algum personagem chega em um local impressionante e belíssimo visualmente? Pois é, não isso existe aqui.

Infelizmente, fica longe dos melhores trabalhos de Chung-hoon Chung (Noite Passada em Soho, Oldboy) na fotografia.

Conclusão

Reprodução/Sony Pictures

No final das contas, ‘Uncharted: Fora do Mapa‘ é um passo em falso, que não consegue chegar perto da qualidade do material fonte, se contentando apenas em ser uma aventura genérica com ação (e nem tanta ação assim) e eventual caça ao tesouro.

A falta de empenho com a narrativa, incluindo a tradicional busca por pistas, também faz com que seu resultado seja inferior a praticamente tudo o que já conhecemos do gênero.

Isso, aliás, pode ser explicado pelo fato de sete roteiristas terem sido creditados. Não chega a ser como uma colcha de retalhos, mas nunca houve uma visão clara daquilo que deveria ser feito.

Caso já tenha assistido ‘Indiana Jones‘, ‘A Lenda do Tesouro Perdido‘, ‘Tomb Raider‘ ou qualquer outro semelhante, saiba que a equipe criativa não se empenhou em nada para tentar criar um elemento surpresa.

Em outras palavras, é como se esse filme já tivesse sido visto outras vezes, e acredito que uma franquia tão popular e amada ao redor do mundo merecia muito mais.

Nota 4