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Eu acho nugget de frango um tipo de alimento terrível e industrializado, que tem gosto de isopor e baixíssimo valor nutritivo. No entanto, há quem goste dessa iguaria química e até sinta prazer se alimentando dela. Ao sair da sessão de Venom 3: A Última Rodada (2024) com uma sensação de azia que só um nugget poderia me causar, me perguntei: seria este um verdadeiro nugget cinematográfico?

Para começo de conversa, por que eu comeria nugget se eu já sei que não gosto desse alimento? Passados 30 minutos do filme estava vivenciando uma verdadeira crise existencial, me perguntando por qual motivo saí de casa para ver um terceiro longa de um personagem que eu não gosto, que faz parte de uma trilogia publicamente reconhecida como muito ruim. Foi só para escrever esta crítica? Eu realmente precisava disso? Você que está lendo realmente precisava disso? Será que eu vou ter alguma coisa para falar sobre esse filme? Tantas perguntas na minha cabeça…

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Reprodução/Sony Pictures

Em sua primeira meia hora, Venom 3: A Última Rodada (2024) é uma perseguição sem pé nem cabeça, com Eddie Brock fugindo do exército devido aos eventos do segundo filme, enquanto Venom é caçado por Knull por causa de um artefato inventado apenas para justificar a trama. São 30 minutos de piadas sem graça, tentativas frustradas de gerar empatia pelo personagem, ação pouco convincente, visual paupérrimo, fotografia insuportavelmente escura e decisões narrativas extremamente estúpidas.

Veja, Eddie Brock se torna um fugitivo do exército dos EUA e, quando precisa escolher um esconderijo, tem a ‘brilhante’ ideia de ir para a ‘remota’ cidade de Nova York. Por que? Essa pergunta só Amy Pascal, Avi Arad e Tom Rothman podem responder, pois a motivação desse plano — no mínimo — maluco não fica clara assistindo ao filme. Eles até usam o Venom para dizer que o simbionte sempre sonhou em ver a Estátua da Liberdade de perto, mas isso se parece mais com uma tentativa da equipe criativa de deixar portas abertas para usar o Homem-Aranha no longa, caso os produtores permitissem que tal crime pudesse ser cometido.

Reprodução/Sony Pictures

Após os primeiros 30 minutos, somos apresentados a uma família hippie, cujo patriarca é interpretado por Rhys Ifans — que desta vez não interpreta o Lagarto. Para minha surpresa, esses personagens estereotipados conseguem adicionar um toque de carisma à história, fazendo com que Venom 3 se aproxime, muito remotamente, de um filme de verdade. Foi nesse ponto que a crise existencial que eu estava vivenciando deu uma pausa.

A sequência em que Eddie Brock conversa com o garotinho sobre a existência de alienígenas conseguiu gerar a empatia que tanto buscavam. A cena dele olhando pela janela da Kombi enquanto os fogos de artifício de Las Vegas explodem tem uma bela fotografia.

Embora os personagens dessa família hippie sejam mais rasos que um pires, eles conseguem adicionar algum coração para a trama e tornar a experiência um pouco mais divertida a partir daquele ponto. O que vem depois desses bons 10 minutos, no entanto, é o de sempre para a franquia: praticamente todos os eventos restantes parecem ser feitos por algum algoritmo do show business que tenta emular memes e cenas que fizeram sucesso em outros filmes.

Reprodução/Sony Pictures

É legal mostrar o personagem dançando? Bota o Venom para dançar! É legal mostrar o personagem cantando? Bota o Venom para cantar! É legal ser tema de edits do TikTok? Vamos fazer nós mesmos o edit para o público nem precisar ter o trabalho.

Assim como grande parte dos blockbusters recentes, o longa também está lotado de músicas pop dos anos 80/90, e elas são muito boas. Se fosse uma playlist musical, Venom 3 (2024) seria muito bom, mas infelizmente é um filme.

Venom 3 (2024) ainda usa do batido artifício de preparar algo para o futuro, como se o filme em si não importasse, mas sim o que vem depois dele. Típico do show business viciado pelo sucesso da Marvel Studios, o futuro sempre importa mais do que o presente nesses filmes, que soam como um episódio eterno do programa João Kléber Show.

Reprodução/Sony Pictures

Este não é um filme interessante pela ação, nem pelo drama, tampouco pelo auto-meme. Com todo respeito aos meus colegas publicitários, essa não é uma crítica ao trabalho de vocês, mas Venom 3 (2024) parece um longa feito por uma agência de publicidade.

A diretora, Kelly Marcel, coitada, tem que ser bem recompensada pela Sony Pictures por pegar esse trabalho que ninguém queria. Ela até se esforça para criar algo interessante, como a sequência da família hippie. Honestamente, até acho esse o melhor de todos esses filmes de vilões do Homem-Aranha. Entretanto, vamos combinar que isso não significa muita coisa.

Venom 3: A Última Rodada (2024) é um produto ultraprocessado do show business, que só vai apreciar da melhor forma quem gosta desse tipo de obra. Se você está em busca de uma experiência cinematográfica, cuidado ao assistir a este filme, pois ele pode te dar azia.

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Nota 2