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Quando foi anunciado, o filme ‘Vidro‘ (Glass no original) do diretor M. Night Shyamalan, criou um grande hype nos fãs. E não é para menos: o primeiro filme, Corpo Fechado, praticamente se tornou um clássico cult. Apesar de ter sido recebido de maneira meio ‘fria’ na época de seu lançamento, ele foi crescendo ao longo dos anos. Depois, tivemos ‘Fragmentado’, estrelado por James McAvoy e que a grande reviravolta era ser uma sequência de Corpo Fechado. Sim, isso não foi anunciado em nenhum momento do marketing do filme.

Agora, o terceiro filme marca a fusão entre os conceitos dos dois anteriores, uma construção de quase 20 anos. Tematicamente, Vidro é muito mais parecido com ‘Corpo Fechado’, desenvolvendo os temas e questões do filme dos anos 2000. Sua relação com ‘Fragmentado’ é, basicamente, a inclusão de McAvoy e Anya Taylor-Joy no elenco. Ambos os filmes são essenciais para entender ‘Vidro’. 

Vale dizer que a interpretação que Anya Taylor-Joy traz é prazerosa de assistir. Do mesmo modo, James McAvoy volta a impressionar com sua atuação como o personagem de 23 personalidades, este filme é o seu grande palco. O ator rouba a cena e só sua atuação já faz valer o ingresso. Uma coisa interessante é ver Spencer Treat Clark, que retorna como o filho de David Dunn (Bruce Willis). Charlayne Woodard também está de volta como a mãe do personagem título do filme, vivido por Samuel L. Jackson. Todos os coadjuvantes acabaram tendo muito mais tempo de tela do que se esperava. Aliás, Willis e Jackson trazem o mesmo carisma que entregaram em ‘Corpo Fechado’, embora, depois de tantos anos, já dá para ver que, especialmente, Bruce Willis já está meio cansado. Se bem que é algo que acaba adicionando bem ao personagem. 

Ok, dá para entender o motivo do filme ter recebido críticas negativas nos Estados Unidos. A ‘bagunça’ é um pouco grande, mas não deixa de entreter. Porém, o filme tem a mesma qualidade de fotografia de ‘Fragmentado’, graças ao excelente trabalho de Mike Gioulakis. A estética é excelente e te faz pensar que o filme é meio que um drama, com pitadas de terror e um belo estudo de personagem. É provável que você irá apreciar o resultado, mas é seguro dizer que tal mistura não é algo agradável para todos, que podem ficar meio frustrados com o filme.

É confiando no talento de James McAvoy que o filme traz os momentos mais engraçados e também os mais sombrios. E temos Sarah Paulson… talvez os meus maiores problemas com o filme estejam na personagem que ela interpreta. Esclarecendo: sua interpretação é impecável, ela é uma ótima atriz e se esforça muito. Mas ela é o centro de um dos momentos mais ‘difíceis’ do filme. 

A verdade é que Vidro é uma experiência frustrante. Mas, talvez, porque o desenvolvimento do plot do filme esteja em um caminho totalmente diferente doq ue você espera. Talvez porque seu desenvolvimento seja melhor e menos previsível do que alguns filmes que você viu recentemente. Não é algo comum nos demais filmes de super-heróis, afinal, temos vilões e heróis vivendo em um mundo cru e real. E, cá entre nós, o mundo real é muito mais complicado.

A conclusão do filme é emocionante e traz a reviravolta (talvez no plural) obrigatória de Shyamalan. Satisfaz? Com certeza, mas teria sido mais crível se o filme tivesse sido lançado poucos anos depois de ‘Corpo Fechado’. Ainda assim, é um ótimo filme: diverte, te faz pensar bastante e, quando menos esperar, você comprará um novo ingresso para ver o filme com um novo ponto de vista. Uma verdadeira magia que o diretor consegue dominar. A grande dica? Assistir a trilogia inteira novamente. A diversão é garantida.

No fim, eu realmente adorei o filme. É possível que você discorde da nota apresentada aqui, mas acredito que esta é a melhor forma de expressar a fantástica experiência que todos os 3 filmes trouxeram. Ainda que o filme não seja perfeito, ele mexe com as emoções daqueles que acompanharam a obra completa. E este não é o objetivo da arte? Um baita filme.



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