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Em 2015 o público foi surpreendido com o completo desastre que foi o retorno do Quarteto Fantástico aos cinemas, em uma trama dirigida por Josh Trank. Mais voltado para a ficção científica do que para os quadrinhos, o longa funciona até seu segundo ato, quando se transforma em praticamente outro filme, um muito mais desastroso e sem qualquer sentido. Não demorou para entendermos o que aconteceu: Trank havia sido afastado pela FOX por problemas com o elenco, e o produtor Simon Kinberg foi escolhido para comandar o terceiro ato. Sem nunca ter dirigido nada na vida, o resultado não poderia ter sido diferente.

Então não é de se surpreender que o público tenha ficado imediatamente com os dois pés atrás quando o estúdio anunciou um novo X-Men, novamente adaptando a famosa saga da Fênix Negra dos quadrinhos, que seria a estreia de Simon Kinberg na direção de um filme.

Aliado a isso, tivemos a compra da FOX pela Disney e o retorno dos direitos dos X-Men para a Marvel bem no meio do processo de produção do filme, o que automaticamente anulou para muitos o próprio motivo de sua existência. Afinal, se os X-Men estavam voltando para casa e logo seriam apresentados no MCU, Fênix Negra passou a ser visto apenas como um entrave, algo que apenas adiaria a triunfal (e aguardada) estreia dos mutantes no estúdio de Kevin Feige. Portanto, não dá para dizer que as expectativas para o filme eram altas.

Digamos que expectativas baixas são mais fáceis de cumprir, e isso poderia acabar sendo um trunfo para X-Men: Fênix Negra… mas o filme não consegue sequer isso. Ele não chega a ser ofensivo como o péssimo Venom, da Sony, mas apresenta uma trama inconsistente, personagens mal escritos e com motivações pífias, cenas de ação fracas, atuações preguiçosas e os piores vilões já vistos em um filme de super-heróis.

Mesmo personagens interessantes como o Xavier de James McAvoy e o Magneto de Michael Fassbender parecem aqui apenas caricaturas do que já foram em outros filmes, envolvidos em diálogos e sequências que só conseguem tirar o pior de cada um. Aliás, esse é um grande problema da direção de Simon Kinberg. Ele não consegue tirar o melhor de ninguém. Obviamente, o excesso de refilmagens e de roteiros reescritos parece ter prejudicado nesse processo, já que em diversos momentos podemos perceber um cansaço dos atores – provavelmente apenas querendo que aquele tormento acabasse.

Os personagens agem de forma mecânica e o roteiro trabalha seus plots da forma mais simplória possível, o que inclui a Jean Grey de Sophie Turner. A “possessão” da personagem pela poderosa força cósmica influencia Jean negativamente, mas Kinberg parece nunca se decidir como essa possessão funciona ou até onde Jean é culpada por suas ações. Curiosamente, isso acaba fazendo com que este filme, que supostamente faria jus à saga da Fênix Negra nos cinemas, consiga ser pior que o malfadado X-Men: O Confronto Final, onde a trama da Fênix, apesar de ser um subplot, consegue fazer mais sentido e entregar um final mais satisfatório. No fim, o resultado é um filme sem vida.

Jessica Chastain precisaria fazer um milagre para tornar sua vilã no filme no mínimo interessante, já que o roteiro não se esforça nem um pouco nesse  sentido. Conforme notícias anteriores já revelaram, a personagem seria uma Skrull, mas isso precisou ser mudado por a Marvel já estar usando os personagens em Capitã Marvel. Desta forma, os alienígenas escolhidos para o filme acabaram sendo os genéricos D’Bari, transformados em transmorfos para que a trama de Kinberg fizesse sentido.

Assim como no Quarteto Fantástico de 2015, Kinberg parece ter dificuldades em finalizar um filme. A transição do segundo para o terceiro ato é feitas às pressas e o longa termina com um deus ex-machina bem bobo e uma resolução onde o diretor precisava urgentemente de um sacrifício sem saber exatamente como encaixá-lo de forma orgânica. O resultado é uma cena executada de forma extremamente piegas, que o espectador precisa de um grau enorme de descrença para aceitar.

No fim, a despedida dos X-Men na FOX acabou sendo com um dos piores filmes franquia. Os mutantes tiveram altos e baixos no estúdio, mas acredito que todos esperavam no mínimo um adeus digno. Infelizmente, não aconteceu.



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