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Em seu atual evento, intitulado DC K.O., a DC Comics apresenta um torneio de combate direto entre alguns dos maiores heróis e vilões do seu universo. A proposta é simples: confrontos um contra um, onde cada personagem luta por sobrevivência e por um objetivo maior — reunir energia suficiente para enfrentar Darkseid e conquistar o título de Rei Ômega. Ao longo das batalhas, os combatentes são levados a arenas controladas por uma entidade chamada Coração de Apokolips, que manipula realidades, regras e até mesmo as formas dos participantes.

Nesse contexto, um dos confrontos mais explosivos recentemente foi entre Capuz Vermelho e Coringa, dois personagens que tem um passado mal resolvido, finalmente se enfrentando sem o Batman para atrapalhar. No vídeo de hoje, trazemos essa luta.

Primeiro Round

Para quem não conhece a história, vale lembrar: Jason Todd surgiu nos quadrinhos como uma cópia quase exata de Dick Grayson. Um garoto que perdeu os pais e foi acolhido por Batman. Em versões posteriores, ele é o garoto que rouba as rodas do Batmóvel, mas em todas elas, acaba virando o segundo Robin. Até que perde a vida pelas mãos do Coringa na história “Morte em Família”, ressuscitando mais tarde sob a alcunha de Capuz Vermelho. E é aí que está o ponto. Quando pensamos em Jason Todd, o que vem à mente é o Coringa acabando com ele. E isso não vale só para o público. Vale para ele também.

É nesse contexto que a luta começa. O Coração de Apokolips estabelece as regras: melhor de três, e os oponentes escolhem suas formas e arenas. Jason e o Coringa se encaram. E logo de cara, Jason começa a narrar o combate em seus próprios termos. Ele observa que o Coringa é rápido, imprevisível… mas é o terceiro fator que o torna assustador: o completo abandono. O modo como ele luta sem se importar se vai viver ou morrer, como se estivesse apenas se divertindo. Jason lembra de quando viu Bruce enfrentá-lo pela primeira vez. Ficou chocado ao ver o Batman lutando com dificuldade contra um sujeito magro, risonho e caótico. Mas agora entende. E decide fazer o mesmo. Lutar como se nada importasse. E se divertir também.

Isso diz muito sobre os dois. O Coringa é, sim, alguém que não se importa com a própria vida. Não liga para Bruce Wayne, para identidades secretas ou planos grandiosos. O que ele quer é o ciclo eterno de caos com quem estiver enfrentando — geralmente Batman. Mas com Jason, existe algo mais. Algo pessoal. Talvez o próprio Jason saiba que, por mais que tente escapar dessa sombra, ela sempre estará por perto. Ele lembra que, antes do torneio, o Quórum Quântico permitiu que cada participante trouxesse um item. E embora seus inimigos estivessem presos na Zona Fantasma, ele sabia que o Coringa daria um jeito. Sempre dá. Por isso, escolheu o que escolheu.

Batman passou anos estudando o que fazia do Coringa o que ele é. Tentando decifrar a fórmula química que o transformou, algo que eliminasse de vez o demônio. Mas nunca encontrou. E Jason acredita que não há cura. Que o Coringa nunca deveria ter saído daquele tanque de produtos químicos. Por isso, criou sua própria solução: balas com compostos químicos baseados no mesmo agente que transformou o Coringa, só que mil vezes mais potente. Ele dispara.

O Coringa sente. Acha curioso. Diz que já foi baleado antes, mas que aquilo era diferente. Jason responde que aquelas balas são sua ideia de cura, e o Coringa começa a sofrer uma mutação monstruosa. Mas claro que o palhaço não está desarmado. Ele lança um explosivo que joga Jason para dentro do mesmo tanque químico — o pior destino possível para ele.

O medo toma conta. Jason começa a se transformar. E o Coringa apenas observa, dizendo que ninguém mais é como ele. Que essa é a verdadeira piada. Ninguém sobrevive àquilo. Ele é único. E está certo. Jason começa a derreter. A desaparecer. Fim do primeiro round.

Segundo Round

Na segunda rodada, o Coração de Apokolips transporta os dois para um cenário familiar: o fim original de Jason. O garoto revive o momento, a fúria, o medo. Ele escolhe a forma de Robin, mas não qualquer Robin: o Robin que morreu. E com isso, tenta reescrever sua própria história. Dessa vez, não vai se segurar. Não vai temer decepcionar o Batman. Quando o Coringa pega o pé-de-cabra, Jason reage. Recusa-se a ser derrotado como antes. E com sangue nos olhos, revida.

Ele lembra que, na primeira vez, hesitou. Tinha medo de matar o Coringa e decepcionar seu mentor. Mas agora, não se importa. Está disposto a fazer o que for preciso. E ao final, revida com brutalidade. Derruba o Coringa. O desafia a implorar. O Coringa apenas sorri e diz: “Por favor, garoto… morra.” E dispara. Mas Jason desvia. A bomba explode. E dessa vez, é o Coringa quem morre. Jason sai carregando o corpo. Empatados. Um a um. Agora só falta uma luta.

Terceiro Round

Na terceira rodada, Jason finalmente se pergunta: quem sou eu, se não sou mais definido por Batman ou pelo Coringa? Ele escolhe a forma de si mesmo, anos no futuro. Um Capuz Vermelho mais velho, mais sábio, talvez menos violento, mas com sua própria lenda. Ele lembra que o nome “Capuz Vermelho” existe desde antes de Batman. Era uma lenda urbana de Gotham. Um monstro. Um mito que ele mesmo usava em brincadeiras na infância. Era o bicho-papão dos becos. E agora, ele decide que é isso que será. Não mais um símbolo de dor, mas algo novo. Algo só dele.

Mas o Coringa também aparece, em sua forma antiga de Capuz Vermelho. Misturando elementos da origem do “Piada Mortal” com a versão dos Novos 52. E eles lutam. O Coringa debocha, dizendo que, “não importa a forma, Jason nunca será mais do que uma nota de rodapé.” Mas Jason já não ouve. Pela primeira vez, a voz do Coringa é só ruído ao fundo. Não importa mais. Jason finalmente entendeu: ele não faz parte da história do Coringa. O Coringa é que faz parte da dele. E então ele o caça.

Os dois entram em um combate corporal violento, com ambos sendo gravemente feridos. Por fim, Jason derrota o Coringa, diz que venceu, mas desmaia em seguida. É aí que temos o plot twist: o Coringa tinha um dispositivo conectado ao próprio coração, que o reativa e o faz voltar a bater. Assim, a vitória é dada ao Palhaço do Crime.

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.