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A década de 2010 em Hollywood foi marcada por um tsunami de filmes de super-heróis que, independentemente da qualidade, sempre faziam sucesso. No caso de Star Wars, nenhum filme da franquia chegava aos cinemas sem ultrapassar a marca de um bilhão de dólares em bilheteria. Esse padrão de consumo mudou drasticamente após a crise sanitária global. Por anos, Hollywood sofreu com baixas bilheterias e chegou-se a discutir se o cinema estava morrendo. Em 2026, no entanto, os números provam que o novo público do cinema apenas deseja consumir outros tipos de produções, mantendo o hábito de frequentar as salas.
De acordo com a Variety, o mercado norte-americano projeta um ano de US$ 10 bilhões em bilheteria doméstica, com um aumento de 10% em relação a 2025. A arrecadação não passa de US$ 10 bilhões desde 2019.
O grande motor dessa recuperação tem sido uma mudança demográfica. A Geração Z e os Millennials são os maiores frequentadores de salas de cinema atualmente, impulsionados pela experiência social e pelo desejo de se desconectar dos dispositivos móveis.
Mais do que nunca, as ideias originais para grandes eventos cinematográficos estão sendo celebradas. A nova geração quer os seus próprios sucessos. Não há desejo em viver nostalgia por algo que eles não viveram.
O público está rejeitando fórmulas repetitivas. Um exemplo? As bilheterias domésticas de Supergirl, Mortal Kombat 2, O Mandaloriano & Grogu, Minions & Monstros e Mestres do Universo estão em US$ 68 milhões, US$ 79,7 milhões, US$ 117,4 milhões, US$ 119,5 milhões e US$ 64,6 milhões, respectivamente. Obsessão, um terror original de baixo orçamento dirigido por um youtuber, está com US$ 255,4 milhões domésticos. Backrooms, que adapta um meme da internet, está em US$ 194 milhões.
Dentre os projetos de maior investimento, Devoradores de Estrelas e Michael são exemplos potentes de produções que, mesmo sem pertencerem a franquias, tornaram-se sucessos estrondosos.
Claro que ainda existem sequências que funcionam, como O Diabo Veste Prada 2 e Toy Story 5. No entanto, observe que são franquias estabelecidas voltando com temas relevantes para o público atual — como a crise da mídia e a saturação das telas. Elas não se apoiam apenas na nostalgia.
O ponto central desta reflexão é que o público está exigindo mais esforço e originalidade por parte dos estúdios. Filmes como Super Mario Galaxy continuarão sendo sucessos garantidos devido ao apelo com o público infantil, mas os produtores não poderão contar com a sorte toda vez. É preciso de equilíbrio e diversidade de conteúdo.
“O que precisava acontecer finalmente aconteceu“, disse Michael Kustermann, CEO da popular rede de cinemas, para a Variety. “Não existe apenas um bom fluxo de conteúdo, mas um equilíbrio diversificado dentro do catálogo. Era isso que estava faltando.“
“Estou constantemente conversando com chefes de estúdios e é possível sentir um otimismo que eles não sentiam há muito tempo“, disse Seth Rogen, que estrela a comédia O Convite. “Isso me lembra um pouco como as coisas eram há 15 anos, no sentido de que existe a crença de que eles podem vencer novamente.“
Para os próximos meses, temos ao menos um sucesso garantido: A Odisseia vai render uma quantia absurda para a Universal Pictures. Depois disso, Homem-Aranha: Um Novo Dia, Duna: Parte 3 e Vingadores: Doutor Destino são sequências que certamente contribuirão para essa projeção de US$ 10 bilhões. Resta descobrir quais serão as surpresas. Há apostas realmente interessantes dos grandes estúdios, como o reboot de Resident Evil de Zack Cregger pela Sony e o filme sobre dinossauros e viagem no tempo da Warner, O Fim da Rua.
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Fonte: Variety