
1992 foi um grande ano para o Morcego. A sequência do filme de Tim Burton,“Batman Returns”, foi lançada e “Batman: The Animated Series” ganhou seu primeiro episódio. Porém, só depois do sucesso da série animada no Brasil foi que esse quadrinho foi lançado aqui. Não me envergonho em dizer que dei pulos de alegria quando minha mãe me deu esse gibi. O material é totalmente inspirado pela série animada, óbvio, porém, só depois de crescido foi que eu vi como ele é inteligente e artístico.
“Batman – O desenho da TV” não é uma simples adaptação da série animada, isso fica claro logo na primeira edição. Aqui temos uma história original escrita por Kelley Puckett e uma equipe de arte formada por Ty Templeton, Rick Burchett e Rick Taylor. A primeira página tem Batman enfrentando um criminoso com uma arma, daí você já pensa: “pera aí! O Batman não usa armas… que loucura é essa?”, mas basta olhar a página seguinte e descobrimos que é apenas um show de TV sobre o Morcego. Esta é apenas uma das jogadas legais que esse gibi possui.
A primeira edição do gibi, que lá fora saiu como “The Batman Adventures”, assim como a série animada, é bastante orgulhosa de suas influências. O tom sombrio, noir dos filmes de Tim Burton misturado com o jeito do cartoon “Superman” de Max Fleischer estão presentes e foram usados com maestria. O primeiro episódio da série animada mostrou uma qualidade atemporal, aparecendo como algo novo e revolucionário. Uma das principais razões para o sucesso do programa de TV e sua contraparte em quadrinhos foi o elenco icônico. Tanto os criadores do show quanto a equipe dos quadrinhos entenderam que o apelo do Batman estava não apenas no seu herói, mas nos vilões e no elenco de apoio.
Além dos personagens, temos elementos que compõem uma história clássica Batman. Bruce quebra a cabeça, junto do seu fiel amigo e mordomo Alfred, resolvendo um mistério. Depois, vemos o Morcego socando uns capangas do pinguim. Sim, é óbvio que o vilão perde, mas, durante a jornada, chegamos à conclusão inevitável de que a cruzada do Batman contra o crime é uma coisa necessária e muito desejada por Gotham e, principalmente, pelo leitor. Batman é o maior detetive do mundo e precisa usar tanto o seu cérebro quanto sua força. Vale lembrar que o sucesso foi tanto que tivemos outras séries animadas depois (tais como “Batman e Robin” e vários one-shots anuais).

Kelley Puckett, neste primeiro volume, escreveu um conto simples que condensa todos os elementos clássicos do herói. Um desses aspectos é o humor. Não, o Morcego não possui aquele humor da feira da fruta. O humor é usado com inteligência e sagacidade. Em uma cena hilária, temos o Pinguim com seus capangas invadindo a Instituição Financeira Wayne, as luzes se apagam e isso aqui acontece:

Esta cena, assim como o título inteiro, não teria sucesso se não contasse com o belo trabalho da equipe de arte. As faces dos personagens são sempre bem expressivas e conseguem destacar bem o que está acontecendo. O equilíbrio entre luz e sombra mostram que nada foi levado com a barriga aqui, é muito mais do que você esperaria de um quadrinho baseado em uma série animada. As cores fazem os quadrinhos ganharem vida a cada página. É como se tivéssemos um capítulo extra da animação.
Basta olhar para minha antiga coleção que eu começo a lembrar o quanto eu aproveitei cada um dos gibis dessa série, afinal, eles traziam histórias do meu herói favorito. Você pode achar que é só nostalgia, mas hoje eu vejo que esses contos ficaram ainda mais incríveis depois que eu envelheci. Se você achar em um sebo, não deixe escapar, pegue!
Batman – O desenho da TV
Escrito por: Kelley Puckett
Arte por: Ty Templeton
Editora: Abril Jovem
Data de publicação original: Outubro de 1992
Data da publicação no Brasil: Março de 1994




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