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A potencial aquisição da Warner Bros. pela gigante do streaming Netflix encontrou uma barreira de resistência feroz vinda do setor de exibição. A Cinema United (anteriormente conhecida como Associação Nacional de Proprietários de Cinemas), organização que representa mais de 60 mil telas ao redor do mundo, enviou um comunicado alarmante ao subcomitê antitruste do Senado dos EUA, classificando o negócio como uma ameaça existencial à indústria.

No documento, a organização não poupou críticas, afirmando que a fusão traria resultados “catastróficos do ponto de vista econômico e cultural”. O grupo argumenta que a consolidação do controle de produção e distribuição nas mãos de uma única plataforma dominante resultaria inevitavelmente em “menos cinemas, janelas de exibição mais curtas, menos receita e menos filmes para os consumidores”.

Um dos pontos de maior atrito envolve a janela de exibição. Embora Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, tenha sugerido aos legisladores uma janela de exclusividade de 45 dias para os cinemas, a proposta foi recebida com ceticismo. A Cinema United destaca que, tradicionalmente, a janela de streaming ocorre cerca de 90 dias após a estreia, enquanto os 45 dias costumam preceder apenas o lançamento em PVOD (aluguel digital). Reduzir esse tempo para o streaming direto poderia dizimar a bilheteria.

A preocupação dos exibidores, liderados por Michael O’Leary, vai além da Netflix. A organização alertou que uma fusão alternativa com a Paramount Pictures — outro cenário especulado no mercado — seria igualmente danosa, concentrando até 40% da bilheteria doméstica anual em um único estúdio. “Devemos prestar atenção às lições do passado: uma maior consolidação da indústria tem consistentemente levado à produção de menos filmes”, declarou a organização.

Caso as autoridades regulatórias aprovem o negócio, a previsão é que a fusão entre Warner Bros. e Netflix seja totalmente concluída dentro dos próximos 8 a 12 meses.

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