Estimated reading time: 9 minutos
A franquia Alien acaba de ganhar um novo capítulo com a chegada da série Alien: Earth, e isso naturalmente levanta uma dúvida que já virou tradição entre os fãs: afinal, qual é a ordem cronológica dessa bagunça toda?
Entre prelúdios, continuações, clones e estações espaciais cheias de monstros, a linha do tempo da saga pode ser confusa — mas ela existe. Então, hoje, a gente organiza tudo isso pra mostrar onde exatamente a nova série se encaixa.
Prometheus

O primeiro dos prelúdios de Alien, dirigido pelo criador original Ridley Scott, começa em 2089 (desconsiderando o prólogo), com os arqueólogos Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) descobrindo um antigo mapa estelar na Terra. Essa descoberta os leva — com o apoio da Corporação Weyland — até a distante lua LV-223, onde chegam em dezembro de 2093.
Embora os Xenomorfos como conhecemos ainda não apareçam nesse filme, aprendemos muito sobre seus criadores — os chamados Engenheiros — e sua conexão com a humanidade. As regras de ficção científica por trás de todo o caos e horror que se seguem são, no mínimo, confusas. Mas uma coisa ficou clara na visão de Scott e sua equipe: o Xenomorfo clássico ainda não existia nesse ponto da história, apagando instantaneamente os dois filmes de Alien vs. Predador da linha do tempo. Inclusive é por isso que eu não vou citá-los aqui (além de serem bem ruins).
Alien: Covenant

Mais uma vez, o segundo prelúdio de Alien começa com um prólogo distante, que dá pistas sobre eventos e descobertas futuras. A história principal se passa no ano de 2104, 11 anos após o desaparecimento da expedição Prometheus. A nave de colonização Covenant está a caminho do planeta Origae-6, mas uma transmissão misteriosa com uma voz humana faz a tripulação mudar de curso para investigar um planeta próximo, com características semelhantes às da Terra.
Apesar de Ridley Scott continuar mais interessado em tudo que não fosse o Xenomorfo em si, Covenant entrega bastante do terror clássico de Alien, finalmente dando uma origem mais clara para as criaturas. Infelizmente, o terceiro capítulo dessa trilogia provavelmente nunca vai acontecer, já que Covenant teve uma bilheteria decepcionante.
Alien: Earth

Quando a nave de pesquisa espacial USCSS Maginot cai na Terra, um grupo improvisado de soldados e sobreviventes precisa se unir para escapar dos horrores que estavam a bordo. E dessa vez, os horrores não se limitam aos xenomorfos: a Maginot estava transportando uma verdadeira coleção de pesadelos extraterrestres quando despencou no planeta.
Alien: Earth se passa em 2120, funcionando como um prelúdio do Alien original e ocorrendo 16 anos depois dos eventos de Alien: Covenant. Ou seja, fácil de encaixar na linha do tempo.
Além de ver gente virando lanche de monstros cósmicos, os protagonistas também enfrentam o maior mal que a humanidade já conheceu… as corporações. A Terra está sob o domínio de cinco megacorporações: Prodigy, Weyland-Yutani, Lynch, Dynamic e Threshold. A Prodigy é o grande destaque da trama, tendo desenvolvido uma tecnologia capaz de transferir a consciência humana para corpos robóticos.
Alien

Os eventos da obra-prima do terror original acontecem em 2122, o que coloca apenas 18 anos de distância em relação a Covenant. É claro que, por ser o filme que deu início a tudo, Alien: O Oitavo Passageiro se sustenta por conta própria. Há um grande mistério, muitas cenas de susto e sangue, e… pouco mais do que isso. A construção de mundo é instigante, mas ainda contida, e logo descobrimos que a Weyland-Yutani já estava ativamente em busca do estranho e letal Xenomorfo.
Se aceitarmos a intenção de Ridley Scott e tentarmos encaixar seus prelúdios de Alien no cânone original, temos que presumir que, em algum momento entre Covenant e esse filme, a corporação descobriu sobre os Xenomorfos e os Engenheiros — seja por um sobrevivente do que quer que tenha acontecido depois, ou por transmissão remota.
Alien: Romulus

Alien: Romulus se passa em 2142. A Weyland-Yutani finalmente conseguiu colocar as mãos nos perigosos Xenomorfos e começou a realizar experimentos com eles em uma estação espacial. É aí que entra o grupo de jovens protagonistas, que embarcam nessa estação com a intenção de roubar um equipamento altamente restrito. Como era de se esperar, as coisas saem do controle rapidamente — mas o filme revela um mistério ainda mais sinistro do que simples Xenomorfos que escaparam do confinamento.
A trama começa com uma nave da Weyland-Yutani recuperando um casulo de Xenomorfo dos destroços deixados pela explosão da Nostromo no primeiro filme de Alien. Isso mesmo: o passageiro indesejado que dizimou a tripulação da Nostromo simplesmente ficou vivo, adormecido e à deriva no espaço até ser encontrado. Sem entrar nos detalhes mais profundos da história, Romulus termina de uma forma que não contradiz os eventos de Aliens: O Resgate. Ou seja, faz sentido que, anos depois, a Weyland-Yutani ainda esteja atrás dos Xenomorfos e coloque uma colônia inteira em risco.
Aliens: O Resgate

Cinquenta e sete anos após os eventos de Alien, em 2179, a única sobrevivente da Nostromo, Ellen Ripley (Sigourney Weaver), é resgatada no espaço profundo e interrogada por seus empregadores, que demonstram ceticismo em relação ao seu relato. Pra piorar, LV-426 agora abriga uma grande colônia de terraformação. E, claro, alguns funcionários acabam encontrando a enorme nave alienígena repleta de ovos de Xenomorfo em estado latente.
Embora haja algumas elipses óbvias no início da narrativa, toda a história se desenrola no ano de 2179. Isso sugere que Ripley é levada para uma estação da Weyland-Yutani relativamente próxima após seu resgate, e que LV-426 também não está tão distante. E tudo faz sentido: a Nostromo nunca chegou a se afastar muito do planetoide no primeiro filme antes de Ripley destruí-la e entrar em hibernação na nave auxiliar Narcissus, que ficou à deriva por mais de meio século.
Alien 3

Alien 3 começa pouco depois de Ripley, Newt (Carrie Henn), Hicks (Michael Biehn) e o androide danificado Bishop (Lance Henriksen) entrarem em estase criogênica. Em um dos inícios mais sombrios da história do cinema, Ripley cai e acaba presa em uma prisão claustrofóbica localizada em Fiorina 161, um mundo árido e isolado. E, claro, os Xenomorfos tiveram algo a ver com isso, levando o pesadelo até o infernal planeta.
Todo o filme se passa em 2179, o que significa que o “cochilo” pós-Aliens foi extremamente curto e que tudo no terceiro capítulo, mais contido e peculiar de David Fincher, acontece rapidamente. Uma grande questão que ainda gera debates acalorados entre os fãs é a aparição do criador de Bishop (ambos interpretados por Lance Henriksen), que não parece se importar muito com os graves ferimentos que sofre no clímax.
Alien: A Ressurreição

Alien: A Ressurreição fez o maior salto temporal da franquia, afastando-se da Weyland-Yutani e de toda aquela linha narrativa. A história se passa no ano 2381, 202 anos após a morte de Ellen Ripley e do último Xenomorfo conhecido. Seria natural imaginar que a franquia aproveitaria a oportunidade para substituir a personagem de Sigourney Weaver por uma nova protagonista, mas não — ela é clonada, junto com o embrião de uma Rainha Xenomorfa, usando amostras de sangue coletadas antes de sua morte por Jonathan Clemens (Charles Dance).
Toda a premissa (e o desenvolvimento) do roteiro de Joss Whedon já era uma viagem, e a visão peculiar do diretor francês Jean-Pierre Jeunet tornou A Ressurreição um filme ainda mais estranho. Ainda assim, o longa oferece um olhar fascinante para um futuro distante do universo Alien que, de alguma forma, consegue parecer ainda mais sombrio e desesperador do que a era clássica da Weyland-Yutani.






Comentários