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Esse ano o Batman completa 80 anos. E nesse período o Cavaleiro das Trevas foi um personagem extremamente mutável, sendo aperfeiçoado e tendo sua mitologia alimentada por vários escritores até se tornar o ícone que é hoje. Nesta série de artigos, abordaremos alguns importantes pontos do histórico desse personagem incrível, começando, é claro, por sua criação.

O dia e a noite

Em 1938 o Superman já havia sido criado há alguns meses e era um verdadeiro sucesso na revista Action Comics. Foi então que o editor Vin Sullivan recebeu ordens de seus superiores para que esse sucesso fosse recriado também na revista que ele próprio era responsável: a Detective Comics.Tire proveito dessa nova moda dos heróis de cueca”, eram suas ordens.

A ideia não poderia ser mais simples: se o Superman representava a “ação” enunciada pelo título da Action Comics, então eles precisavam de um herói que representasse todos os conceitos trazidos pela Detective Comics: histórias sombrias envolvendo crimes misteriosos. Foram então trazidos Bill Finger – que já era considerado um dos melhores roteiristas de sua época – e o artista Bob Kane, que apesar de não ter nada de genial tinha um verdadeiro tino para os negócios (o que explica os inúmeros anos onde o nome de Bill Finger  sequer era creditado nos produtos do Batman).

Se o Superman representava o dia e a luz, o novo herói precisava ser o seu oposto: a noite e as trevas. E diferente do Superman, um produto criativo de duas mentes jovens após uma sucessão de tentativa e erro, o Batman nascia como um produto de astúcia aplicada, desenvolvido nos mínimos detalhes para ser um sucesso.  Suas inspirações eram claras: A Marca do Zorro, filme de 1920, O Sussurro do Morcego, de 1930, e até mesmo o “ornitóptero”, máquina voadora dos esboços de Leonardo da Vinci. Mas o cerne do personagem já estava muito bem desenhado na mente de Finger: um artista marcial no auge de sua forma física, com as habilidades de dedução de Sherlock Holmes – afinal, antes de tudo, ele precisava ser um detetive.

Já em sua primeira aparição, em Detective Comics #27, de 1939, muitos dos elementos que temos hoje já haviam sido introduzidos, como o Comissário Gordon, a persona playboy de Bruce Wayne, e o estabelecimento de uma importante tendência que ditaria as histórias do personagem até hoje: como Batman habitualmente se via lidando com crimes envolvendo produtos químicos e bandidos que claramente tinham um parafuso a menos.

Até mesmo a sua cidade, Gotham, era mais sombria, gótica e suja do que a Metrópolis ensolarada do Superman. Enquanto as histórias iniciais do Superman o traziam como um grande herói do proletariado, travando uma luta contra as injustiças de empresários, da mídia e do governo, Batman já caçava a escória criminosa em armazéns abandonados, becos escuros e vilões sobrenaturais que eram impensáveis de ser vistos no mundo do Superman.

E sendo uma grande antítese ao Superman, não demorou para Batman conquistar uma legião de fãs, capturando aqueles que não conseguiam ver atrativos no Homem de Aço. Se Superman era colorido, Batman usava tons de cinza. Se Clark Kent era um jornalista filho de fazendeiros, Bruce Wayne era um bilionário. Se Clark precisava prestar contas a um chefe, Bruce tinha um mordomo. Se Clark corria desesperadamente atrás de Lois Lane, Bruce tinha modelos e atrizes à sua disposição. O Batman havia surgido para mostrar ao crescente público fã dos “heróis de cueca” que existiam outros tipos além do Superman.

Batman viveria como um personagem sombrio e vingativo até 1940, quando uma grande mudança chacoalha suas páginas: a chegada do Robin.

Trevas? Que Trevas?

Dar um parceiro mirim que se veste de forma extremamente colorida foi uma decisão no mínimo estranha se observarmos o conceito do Batman, mas mercadologicamente falando foi algo na verdade bem simples de entender: a DC (National, naquela época) precisava atrair um público infantil – que acabara se distanciando do tom detetivesco das histórias.

Assim, após 1940, o Batman anteriormente sisudo não perdia a chance de sorrir. Contagiado pelo alegre e otimista Dick Grayson, Bruce Wayne parecia muito mais feliz e não demorou para a Batcaverna se encher de troféus de suas aventuras.

“A introdução do Robin transformou a história do Batman de uma narrativa sombria de crimes e vingança, em aventuras eletrizantes de dois amigos fanfarrões, tão ricos que podiam fazer tudo que tivessem vontade.” – Grant Morrison

Era como se Bruce Wayne tivesse 10 anos novamente, e finalmente estivesse curtindo a vida com um amigo de sua idade. Aquele Bruce Wayne que havia “morrido” com os pais no Beco do Crime para dar lugar ao Batman estava de volta, tendo toda a diversão da qual havia sido privado. No entanto, não demorou para a amizade extremamente colorida de um adulto e uma criança criarem polêmica, e o psiquiatra Fredric Wertham foi rápido em criar uma verdadeira caça às bruxas aos quadrinhos de super-heróis com seu livro “A Sedução do Inocente“.

O livro falava sobre como as histórias em quadrinhos influenciavam os jovens a se tornarem rebeldes e delinquentes. Uma de suas teorias dizia que as histórias do personagem tinham conteúdo implicitamente homossexual (o que consequentemente faria de Batman um pedófilo), causando certa balbúrdia entre os pais porque algumas cenas expostas pelo escritor realmente indicavam ‘algo a mais’. O livro causou impacto gigantesco na indústria, levando à realização de mudanças como a criação do Código dos Quadrinhos.

Sob o código, as histórias do Batman tornaram-se ainda mais infantis e bizarras, com títulos como “O Batman Tritão”, “O Batman das Selvas”, “O Vale das Abelhas Gigantes” e “Batman vira o Bat-Bebê”. As histórias do Batman já não lembravam em nada o vigilante sombrio e vingativo que solucionava crimes e espancava criminosos em becos.

E ainda demoraria muito para Batman retornar às suas raízes. Na verdade, o que o tornaria extremamente popular seria justamente o oposto disso, já que em janeiro de 1966 estreava a série de TV que se rapidamente se tornou um fenômeno quase equivalente à “Beatlemania”. Nada de trevas, nada de flashback dos pais morrendo em um beco. O Batman de Adam West era colorido, alegre (até demais) e não parecia ter algum motivo para ser o Batman. Ele o era simplesmente porque parecia algo muito legal para um playboy bilionário ser.

Se hoje a série do Batman da década de 60 parece ridícula, na verdade ela era o que existia de mais eletrizante no que refere a transmídia de  super-heróis naquela época. E convenhamos, refletia exatamente o que os fãs encontravam nas páginas dos quadrinhos – muito por culpa do Código dos Quadrinhos e da cruzada de Fredric Wertham.

Mas Batman ainda voltaria às suas origens. Ainda levaria uns bons anos, mas o Cavaleiro das Trevas iria retornar de uma forma tão marcante que praticamente jogaria nos esquecimento todos os seus anos de histórias infantiloides.

 
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