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Estamos chegando perto da estreia de “Star Trek: Sem Fronteiras” no Brasil, um dos filmes mais aguardados do ano, e além disso, junto com o lançamento do filme a franquia também está comemorando seus 50 anos de vida.

Para comemorar esta data tão importante para a cultura pop em geral, publicaremos esse especial dividido em 3 partes que irão analisar toda a trajetória da saga intergaláctica até os dias de hoje, e a importância de Jornada nas Estrelas para a indústria do entretenimento.


“…..Onde Nenhum Homem Jamais Esteve….”

Foi em 1964 que Gene Roddenberry esboçou suas primeiras ideias para uma série de ficção cientifica sobre exploração, inspirado por filmes clássicos do gênero dos anos 50 como “O Planeta Proibido (1956)” e “O Dia em que a Terra parou(1951)” (como contou em sua autobiografia). Roddenberry desenvolveu uma ideia pioneira, em meio à tempos de altíssima segregação racial, guerra fria, luta das minorias por reconhecimento e direitos iguais, e imaginou como seria se um dia o mundo conseguisse superar tudo isso, um futuro utópico em que todos na terra são unidos e não há mais motivos para guerras ou preconceitos. Em um mundo assim, o que aconteceria?

Com a recente corrida espacial entre os EUA e a URSS, além da chegada do homem à lua que abria novos horizontes para o imaginário popular, Gene pensou que se as grandes potências da terra se unissem, tal objetivo já teria sido alcançado a muito tempo, e caso realmente acontecesse tal união, não haveria limites para humanidade. Seria possível ir para além das fronteiras de sua galáxia, indo aonde nenhum homem jamais esteve.

O episódio piloto da série acabou não agradando, já que tratava de temas muito pesados como lobotomia e alienação, e tinha um tom bem mais denso do que aquele que posteriormente se consagrou na série, sendo portanto recusado, mas, por um milagre do destino, foi permitido a produção de um segundo piloto, algo extremamente raro para época (e até para os dias de hoje, na verdade). Uma total reforma no grupo de protagonistas foi feita, o que foi muito positivo, pois o novo time agregava muito mais a ideia de união de raças que Gene Roddenberry pretendia passar, pois à exceção do capitão James T. Kirk (Interpretado pelo brilhante William Shatner) e do oficial médico chefe Leonard McCoy (Interpretado pelo grande DeForest Kelley) todos os outros protagonistas representavam minorias, com Sulu (interpretado por George Takei), um asiático exercendo a função de piloto e comandante do setor de armas (Isso em plena Guerra do Vietnã), Montgomery Scott (interpretado por James Doohan), um escocês na patente de engenheiro chefe, e claro, Nyota Uhura (Interpretada por Nichelle Nichols), uma mulher negra no papel da Oficial de Comunicações. Posteriormente também ingressaria no time o russo Pavel Chekov (Interpretado por Walter Koenig), como Oficial de Navegações. Todos esses personagens eram de patentes altas como Tenente e Tenente-Comandante, e em meio a todos esses personagens, uma mulher branca e loira, Janice Rand (Interpretada por Grace Lee Whitney) era nada mais nada menos que a ordenança da nave.

Sem dúvida uma grande quebra de paradigmas, mas era necessário que ainda houvesse algum personagem para representar de alguma forma o preconceito da humanidade, uma espécie de “alvo” para tratar da xenofobia entre os próprios protagonistas. Assim foi criado Spock, o único personagem que foi mantido do piloto original, interpretado pelo brilhante e inesquecível Leonard Nimoy, completando assim a formação clássica e, para muitos, definitiva, de Jornada nas Estrelas.

Como se não bastassem toda essas questões sociais entre os protagonistas, Roddenberry também adotou na ponte da nave uma metáfora ao psicológico humano, já que a icônica nave USS Enterprise de certa forma representa o próprio cérebro humano, e a trindade protagonista, Kirk, Spock e McCoy, representam nosso subconsciente. O ID (Representado por Spock, um ser totalmente racional e que sempre presa pelas decisões que são matematicamente corretas e exatas), o Super-Ego (McCoy, extremamente emocional, sempre deixando suas fobias e sentimentos a flor da pele), e entre os dois, a mente comandante da nave, que canalizando os dois lados de seu consciente, forma as decisões: o Ego (Obviamente, Kirk). E todos os personagens a cada episódio descobriam novas formas de pensar, de agir, de se relacionar, quase como se as viagens fossem metáforas à jornada de auto-descobrimento que passamos do nascimento até a vida adulta, enquanto em paralelo a isso, todos os episódios também são críticas e analogias sociológicas a respeito de política, preconceitos, guerras, religião, fobias, evolução tecnológica e etc. Esses fatores contribuem para que Star Trek seja até hoje uma das mais geniais e complexas obras filosóficas dentro da ficção cientifica e cultura pop em geral.


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OS 10 EPISÓDIOS ESSENCIAIS

Então, em 8 de setembro de 1966, estreava finalmente Jornada nas Estrelas! Na série, acompanhamos as aventuras dos tripulantes da nave estelar Enterprise, comandada por James Tiberius Kirk, em sua missão de 5 anos para explorar e catalogar novos planetas, civilizações, sociedades, raças e constelações. Seguindo uma estrutura episódica de “O Planeta Da Semana”, a cada novo capítulo dessa jornada somos apresentados a um novo mundo, um novo problema a ser resolvido, e de brinde, uma nova e brilhante metáfora sociocultural proporcionada pelas mentes férteis da equipe criativa da série. Devemos admitir que os recursos eram precários, os orçamentos para séries nunca foram altos, e nos anos 60 isso era ainda mais complicado. Portanto,  para assistir Star Trek deve se manter a mente aberta, já que demora um pouco para se acostumar, mas depois que se entra no clima, torna-se um deleite acompanhar as aventuras da federação intergaláctica desbravando as fronteiras do desconhecido.

Aqui listarei aqueles que ao meu ver são os melhores episódios da série, e que você não pode deixar de conferir. Vamos lá:


10 – The Cage Parte 1 e 2

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Gene Roddenberry não queria se desfazer totalmente do piloto original, então foi desenvolvido esse episódio, dividido em duas partes, em que eles encaixam o piloto original na cronologia e cânone da série. Um episódio que, apesar da narrativa mais complexa em relação aos outros episódios, consegue ser um dos mais interessantes e curiosos, justamente pelo background envolvido.


9- Amok Time

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O primeiro (e um dos únicos) episódios a explorar a fundo a mitologia Vulcana. Vemos o processo de acasalamento da raça alienígena e inúmeros outros conceitos da mitologia Vulcana que nos são apresentados aqui, além do fator de curiosidade, o episódio é um dos mais inventivos em termos de criação de mitologia de toda a série.


8 – Espelho, espelho (Mirror, mirror)

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Um dos episódios mais icônicos de Star Trek, aqui, somos apresentados as versões alternativas dos nossos personagens, um conceito de universo paralelo que serviu de referência para inúmeras outras obras de ficção na cultura pop.


7 – O Problema com os Pingos (The Trouble With Tribbles)

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Um dos episódios mais despretensiosos, divertidos e diferentes da série, mas nem por isso torna-se um episódio fútil, muito pelo contrário, aqui podemos ver várias alusões a questões como a superpopulação, tráfico ilegal de animais e vício em drogas.


6- A Semente do Espaço (Space Seed)

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O episódio que deu origem ao vilão mais icônico de Star Trek, o inesquecível Khan! Um dos aspectos mais interessantes desse episódio é a abordagem a respeito do fascínio da sociedade por ditadores, mesmo que cruéis, e as metáforas a Hitler, Gengis Khan e Napoleão fazem desse um dos mais reflexivos episódios do seriado.


5 – O Primeiro Comando (The Galileo Seven)

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Dentro da série foram estabelecidos inúmeros plots básicos que foram reutilizados inúmeras vezes ao longo das três temporadas, e posteriormente nos spin-offs, algo comum em séries episódicas, e aqui temos um dos episódios que segue essa mesma estrutura que foi executada inúmeras vezes na série: o da equipe de exploradores presa em um planeta inóspito tendo que escapar de uma situação aparentemente inescapável. No entanto, apesar da familiaridade do plot, este episódio o executa com perfeição, se destacando em meio aos outros.


4 – Arena

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De longe, o episódio mais subestimado da série, e um dos mais subestimados da história da televisão, trata-se do episódio com a considerada “pior cena de luta de todos os tempos”, o que, realmente, faz um certo sentido, mas as pessoas acabam desprezando o episódio apenas por esta cena. Trata-se de um episódio com um dos melhores roteiros de toda a série, então deixe o preconceito de lado pela cena anti-climática e aprecie esta pequena obra prima da ficção dos anos 60.


3 – O Equilíbrio do Terror (Balance of Terror)

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Nesse episódio somos apresentados aos Romulanos, uma das raças que cultiva uma certa rixa com a federação galáctica por suas brigas por territórios (uma alusão clara à URSS). Aqui vemos um dos elementos que fazem de Jornada das Estrelas uma série tão fascinante: os embates estratégicos, onde Star Trek vende-se pelos seus roteiros engenhosos com grande carga dramática que sempre trazem reviravoltas intrigantes e inteligentes. Aqui vemos isso, uma batalha tensa, realista e desenvolvida aos poucos, que serve como uma reimaginação dos embates da Guerra Fria.


2 – Demônio da Escuridão (The Devil in the Dark)

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Um dos mais tocantes e reflexivos episódios de Star Trek, aqui vemos uma clara critica a destruição da natureza promovida pela humanidade e seus impactos no ecossistema, além de conter uma das participações mais emblemáticas e importantes de Spock ao longo da série, já que aqui vemos pela primeira vez a capacidade Vulcana de comunicação telepática. Simplesmente imperdível.


1 – Cidade à Beira da Eternidade (City on the Edge of Forever)

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Se você é fã de “De Volta para o Futuro” precisa ver esse episódio! Ao longo da extensa trajetória de Jornada nas Estrelas na televisão e no cinema, houveram inúmeras tramas de viagem no tempo, porém, ouso dizer que esta é a melhor de todas, e isso não quer dizer pouca coisa em vista de filmes como “Star Trek IV” e “Star Trek (2009)”, sem contar os inúmeros episódios com o tema. Aqui vemos a batalha interior de Kirk entre salvar a mulher que ama e impedir a vitória da Alemanha Nazista na Segunda Guerra, extremamente genial e emocionante!


“Vida Longa e Próspera…”

Infelizmente, com os baixos índices de audiência e polêmicas que a série se envolvia por estar muito à frente de seu tempo (Como o primeiro beijo inter-racial da televisão, protagonizado por Kirk e Uhura no episódio “Plato’s Stepchildren”), a jornada de 5 anos foi prematuramente interrompida em 1969, com apenas três temporadas. Porém, aos poucos o legado de Star Trek foi se evidenciando, quando com as inúmeras reprises do seriado exibidos pelas redes de televisão de todo o mundo, foi se criando uma geração de fãs e amantes de Jornada nas Estrelas, muitos dos quais, se tornaram grandes físicos, astronautas, pesquisadores, cientistas e médicos, que sempre fazem questão de dizer em entrevistas o quanto foram influenciados pela série.

Os altos índices de audiência das reprises além da pressão dos fãs, fez com que entre 1973 e 1974 fosse exibido “Star Trek: The Animated Series”, que contava com praticamente todo o elenco original na dublagem de suas versões animadas. Mesmo com o curto tempo de vida, a série entrou para lista de “100 Melhores Animações de Todos os Tempos” da IGN em 96° lugar.

Anos depois, a CBS pretendia retornar com a série sob o titulo de “Star Trek: Phase II”, porém, com a eclosão do fenômeno do entretenimento de Star Wars em 1977, os planos mudaram e nasceu então a ideia de levar Kirk e sua equipe para as telas grandes, mas isso é assunto para o próximo especial…

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