
Com apenas mais alguns dias até a estreia de Esquadrão Suicida, o ator Joel Kinnaman, que interpreta o personagem Rick Flag, deu uma entrevista a Variety. O ator, mais conhecido pelos seus papeis na série The Killing e no filme RoboCop, falou sobre como conseguiu seu papel, a preparação para ele, a relação com o elenco e a possibilidade de uma sequência. Confira:
Variety: Tom Hardy originalmente tinha o seu papel, mas teve que sair para terminar “O Regresso.” Como você conseguiu o papel?
Joel Kinnaman: Eu estava acompanhando o projeto com muita inveja. Todos esses novos membros do elenco estavam chegando e ninguém estava me ligando. Então eu ouvi que Tommy saiu. Meus representantes me ligaram e disseram que marcaram uma reunião para mim com [o diretor] David Ayer. Nós sentamos em um bar em Toronto e nos demos bem. Nós entendemos de onde estávamos vindo.
Na audição, nós só nos demos bem. A sala era gelada. Ele provou ser um diretor de atores. Eu venho inicialmente do teatro, então eu respondo muito bem a ter coisas jogadas na minha direção. Me ajuda a me mostrar o que eu posso fazer.
Como você se preparou?
A primeira coisa que o David me disse foi “fique grande.” Então eu fiz isso. Eu ganhei 15 quilos em três meses. Eu treinei muito. Até demais. Eu ganhei um pouco a mais na barriga, então tive que perder isso
Eu me aproximei dos concelheiros militares do filme. Dois deles eram da Marinha que viraram operadores da CIA. Esses caras são Ricky Flags de verdade. Nós fizemos esses treinamentos intensos. Nós íamos para as florestas carregando bolsas de 22 quilos. Eles queriam me drenar fisicamente e me privaram de sono. Por 60 horas fazíamos esses treinos. Eles me mostravam vídeos de torturas de carteis. As coisas mais horríveis que eu já vi. Isso tudo culminava em um exercício de 6 horas em que eles me levavam pra um frigorifico abandonado – como um labirinto subterrâneo. Eles trouxeram 15 ou 20 militares canadenses. Nós fizemos esses cenários. Como situações com reféns. Nós usamos armas sem projétil, mas ainda era uma loucura.
Eles me mostraram como se atira e entra em quartos. A parte mais importante era a atitude. Esse cara não era só um operador de primeira linha. Ele é um comandante.
Jared Leto ficou no personagem durante toda a filmagem?
Sim, ele ficou. Foi incrível assistir a ele trabalhar. Eu conhecia Jared antes. Eu conhecia pessoalmente. Mas eu não vi esse cara durante toda a gravação. Eu conheci o Sr. J [Joker] algumas vezes. Ele era magnético. Ele deu uma performance incrível. O comprometimento e concentração que ele teve era inspirador.
Ele me mandou alguns presentes. Ele me mandou umas camisinhas usadas. Uns vibradores. Umas bolinhas tailandesas Alguém me perguntou, “Você mandou algum presente de volta?” E eu disse, “Quando alguém te manda uma camisinha usada, você não quer mais brincar. Eu não gosto do seu jogo e eu não quero brincar.”
O elenco criou um vínculo?
Foi um grande amor. Quando você olha para o que o Jared vez, isso o afastou, não se pode negar que a concentração traz resultados. Você olha para o que Daniel Day-Lewis faz e é a mesma coisa. O detalhe do seu trabalho e o tempo que ele passa praticando o personagem. É incrível.
O que eu acho que você perde trabalhando assim é a criatividade do todo. Você tem todos esses artistas, esse grandes artistas juntos e quando você socializa e brinca, vocês criam um senso de humor juntos. Vocês entendem as idiossincrasias do outro. Mesmo que a relação seja difícil entre os personagens, tem um humor que você pode colocar na coisa. Você pode construir uma comédia na relação. É isso que nós queríamos com o esquadrão.
Eu ouvi que vocês todos fizeram tatuagens juntos?
Sim. Essa foi uma grande decisão na minha vida.
Você tem contrato para sequência de Esquadrão Suicida? Rick Flag vai aparecer em outros filmes da DC Comics?
Vamos ver. Talvez façamos mais filmes de Esquadrão Suicida. Quem sabe? A audiência vai decidir.
Se o exército estiver envolvido em algum dos outros filmes, talvez eles me chamem. Você definitivamente pode imaginar Amanda Waller tendo um lugar nos outros filme. Talvez eu vá junto com ela.
Houveram notícias de muitas regravações para arrumar o tom do filme e faze-lo mais engraçado. Isso é verdade?
Não. Nós fizemos 95% de ação. Foi só mais ação. Foi uma narrativa construída. Me surpreende que isso tenha a atenção de pessoas que deveriam entender a industria do cinema melhor. Qualquer filme com $125 ou $135 milhões no orçamento sempre tem um bloco de regravações. Alguns fazem uma semana, outros fazem um mês. É planejado ali. Quando você faz um filme normal e o editor e o diretor montam o filme e pensam, ‘oh cara, se só ajeitássemos um pouco. Iria elevar isso.’ Mas eles tem que trabalhar em volta disso e trabalhar com o que tem. Em grandes filme eles tem o luxo de voltar e ajeitar e elevar ainda mais.
Nós já estamos marcados para as regravações antes mesmo de começarmos a filmar. Eles colocam tanto dinheiro em gravar esses filmes e no marketing que para eles vale a pena fazer direito.
Você já viu sua figura de ação de Esquadrão Suicida?
Eu sou um veterano em figuras de ação. Eu tenho meu RoboCop. Eu tenho meu Esquadrão Suicida. É o que eu faço.
Você parece fazer vários projetos diferentes. Filmes indie, televisão, aventuras de grande orçamento. Você tem medo de ficar marcado como um tipo de personagem?
Esse é o maior desafio. Eu tento fazer a maior quantidade de papeis que consigo. Meus atores preferidos interpretam todo tipo de papeis. Se um dia eu tiver a sorte de ter a audiência antecipando um filme que eu faço, eu adoraria que eles tivessem o sentimento quando meu filme estiver saindo de pensar: “eu me pergunto o que ele vai fazer com esse papel.”
Esquadrão Suicida estreia dia 4 de agosto.




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