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Durante a CCXP 2024, tivemos a chance de conversar com o elenco de Frieren e a Jornada para o Além. Durante este papo, participaram as atrizes Jacque Souza (Frieren), Maria Clara Rosis (Fern), Lucas Miagusuku (Stark) e o diretor de dublagem, Guilherme Marques.
Para começar, perguntei se eles já conheciam a obra e se já tinham ideia do tamanho que ela possui (o mangá de Frieren começou sua publicação em 2020, mas o anime só veio em 2023).

Jacque Souza explica que a correria da dublagem faz com que seja difícil conhecer cada obra:
“Não conhecia, em dublagem a gente faz muito teste, muito teste, um monte de coisas e nunca sabemos o que vai ser, afinal, tudo é muito secreto. A gente descobre apenas na hora que vai gravar. Para o teste, apenas me passaram um briefing de como seria a personagem e pediram pra fazer uma voz de acordo, então, eu fiz este teste, enviei e depois fiquei sabendo como era e quando começamos a gravar, iniciamos uma imersão nisso”
Vale dizer que a voz da Jacque não lembra muito a da Frieren, a atriz possui uma voz extremamente jovem e doce, algo bem diferente do que ela imprime na personagem, que tem uma voz madura e fria. Sobre isso, ela comenta:
“O meu lugar de fala não é a voz da Frieren. A voz da Frieren é uma voz mais madura, não tem nada a ver. Mas com o briefing da direção, de que ela tinha muita idade, que viveu e viu de tudo, nada é novidade pra ela. Então quando a gente vai envelhecendo, a voz vai baixando, que é o caso da Frieren, que tem uma voz mais calma, mais grave e mais madura. E aí eu carrego uma voz para passar a essência da personagem”
Já Lucas, o Sr. Stark, diz o seguinte:
“Foi praticamente um improviso. Eu tentei, no improviso, colocar a essência deste personagem. Fiquei muito feliz quando fui aprovado e não sabia a dimensão deste projeto. Quando comecei a entender, eu passei a ver o Stark como uma pessoa”

Já Maria Clara Rosis parece ter nascido para viver a personagem. A talentosa atriz começou a gravar praticamente com 16 anos, enquanto Fern tinha 15:
“Eu acho muito legal quando consigo esses personagens que crescem comigo, sabe? Não só de idade, mas maturidade. Eu quis colocar um tom mais aerado. Porque a Fern tem a voz fofa, mas ela é uma bravinha por dentro, um pouco rígida, ela que cuida da Frieren basicamente.“
Jacque elogia o trabalho da equipe:
“Olha, vou te falar, a dublagem está muito boa mesmo e isso contribui para a imersão das pessoas. As pessoas sentam, começam a assistir e começam a mergulhar na história, o que contribui para contar a história”
Sobre o carinho dos fãs, as atrizes comentam:
“Tivemos um meet & greet ali agora, as pessoas estão apaixonadas pelo anime. As pessoas elogiam, admiram a dublagem brasileira, falando como foi importante cada parte do anime. Eu fico chocada, pois eu dublo mais anime do que outras coisas, recebo milhões de comentários, é legal ver como as pessoas amam, como o fandom é grande… tem cosplay, tem fanfic, me mandam fanfics da Fern com o Stark, as pessoas se dedicam”, diz Maria Clara.
Já Jacque diz: “Eu não tinha ideia da magnitude da Frieren, eu não era do mundo dos animes, assisti Pokémon, Dragon Ball quando criança. Eu dublo animes, mas não me aprofundo. Mas comecei a receber vários seguidores, muitas mensagens elogiando a dublagem. E vi que a galera realmente estava curtindo. Eu acho que os fãs de anime é o público mais sincero e fiel que existe.”
Para Lucas, foi algo surpreendente: “Todo mundo veio com um calor imenso, falando da dublagem, do projeto, algo que faz nosso trabalho valer muito a pena, recebi muito afeto dos fãs. Eu já gostava muito de dublar, é sempre um desafio, tem uma gama enorme de animes”

Sobre o trabalho de direção de dublagem, Guilherme comenta o processo:
“É onde tudo começa. Eu dirijo animes desde 2020. São 24 horas por dia vivendo este universo. Assim, por temporadas, chegam vários projetos para serem divididos. Frieren caiu nas minhas mãos e fui tomar conhecimento da obra. E foi uma grata surpresa, pois parecia ser um anime normal de fantasia, mas vimos que era algo grande, bem legal e eu tive que começar o processo de escolha de vozes. E aí vem a parte de direcionamento dessas vozes“

“A dublagem é feita individualmente. Cada dublador entra na sala para fazer sua fala. Mas a única pessoa com a noção do todo é o diretor de dublagem. Assim, eu tenho que direcionar cada um deles, falando o que vai acontecer e como deve ser a carga de cada fala. Assim, o diretor tem que orquestrar tudo para que tudo pareça que foi feito com todos juntos naquele momento, quando não está.”
Sobre o trabalho dos dubladores, Guilherme acredita que os animes tem um grande peso:
“A produção é muito intensa, ainda vem uma proporção muito pequena para dublar no Brasil, mas o anime sempre foi o que deu muito destaque para o trabalho dos dubladores. As produções japonesas trouxeram o reconhecimento para os dubladores, começando lá nos anos 90 com Cavaleiros do Zodíaco, importando a valorização das vozes das produções, o que fez os dubladores começarem a ter mais destaque”
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A história se passa após um grupo de heróis ter derrotado o Rei Demônio. Porém, ao contrário dos outros no grupo, para a elfa Frieren, essa jornada de 10 anos representa uma fração muito curta de sua vida de milhares de anos. A trama mostra a vida e os sentimentos de Frieren após a aventura, a sua relação com os companheiros que envelheceram e o que seria a oração para os mortos… “A história começa quando a aventura termina”.






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