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Neal Kirby, o filho de Jack Kirby, famoso quadrinista da indústria, lançou uma carta aberta sobre o documentário de Stan Lee. Durante vários momentos, ele fala da injustiça que seu pai teria sofrido por não ser reconhecido como criador de vários personagens, enquanto Stan Lee ganha todo o crédito. Confira:

‘Carta aberta de Neal Kirby, filho de Jack Kirby, sobre o documentário de Stan Lee, lançado em 16 de junho de 2023 no Disney+.

O poeta islâmico do século 13, Rumi, disse: ‘O ego é um véu entre humanos e Deus’. No Disney+, vemos o tal véu ser derrubado. Mostrado em primeira pessoa, com a voz de Stan Lee trazendo a narrativa, temos a maior homenagem de Stan Lee para si mesmo. A expressão literária de Ego é o pronome ‘Eu’. Qualquer jornalista ou professor diria a seus alunos para não usar isso demais. Então, o desafio é colocado para alguém que deseja contar o número de ‘Eus’ que aparecem nos 86 minutos do documentário.

Eu (ooops!) entendo que, como documentário sobre Stan Lee, a maior parte da narrativa está em sua voz, literalmente e de forma figurada. Não é um grande segredo que sempre houve uma controvérsia sobre os papéis na criação dos personagens de sucesso da Marvel. Stan Lee teve a sorte de ter acesso ao megafone corporativo e mídia, usando isso para criar seu próprio mito como criador do panteão da Marvel. Ele fez de si mesmo a voz da Marvel. Por várias décadas, ele era o único homem em destaque, abençoado com uma longa vida, o último que sobrou (meu pai morreu em 1994). Isso deveria ser notado e é geralmente aceito que Stan Lee tinha um conhecimento limitado de história, mitologia ou ciência.

Por outro lado, o conhecimento do meu pai sobre tais assuntos, coisa que eu e outros podemos atestar, era bem grande. Einstein resumiu bem: ‘Quanto mais conhecimento, menos ego. Quanto menos conhecimento, maior o ego’.

Se você olhar para a lista e linha do tempo dos personagens da Marvel entre 1960 e 1966, o o período em que a maioria dos personagens da Marvel foi criada, você verá o nome de Stan Lee como cocriador de todos os personagens, com a exceção do Surfista Prateado, que foi criado apenas por meu pai. Devemos assumir que Lee teve contribuição na criação de cada personagem da Marvel? Devemos assumir que nunca nenhum cocriador chegou na sala dele e disse: ‘Stan, eu tenho uma baita ideia para um personagem’. Na verdade, a maioria dos historiadores de quadrinhos reconhecem que meu pai se basou em uma HQ que ele criou para a DC em 1957, Challengers of the Unknown, para criar o Quarteto Fantástico. Até mesmo o nome de Ben Grimm (O Coisa) é baseado no meu avô, Benjamin. E Sue Storm ganhou seu nome por causa da minha irmã mais velha, Susan.

Apesar do conflito entre Lee meu pai sobre os créditos de criador, pouco foi falado. Existe mais atenção em cima da briga entre Lee e Steve Ditko trouxe o Homem-Aranha à vida. Em 1501, o Opera del Duomo pagou a um rapaz de 26 anos, Michelangelo, para esculpir uma estátua de Davi para a Catedral de Florença. Dinheiro deles, ideia deles. A estátua é chamada de Davi de Michelangelo – sua genialidade, visão e criatividade.

Eu tive muita sorte. Meu pai trabalhou em casa em seu estúdio no porão, que chamávamos de ‘A Caverna’, onde ele ficava geralmente entre 14 a 16 horas por dia, 7 dias por semana. A maioria dos artistas, roteiristas e etc trabalhavam de casa, não nos escritórios da Marvel como mostrado no documentário. Durante o colegial, eu fui capaz de ver, atrás dos ombros de meu pai, através de uma nuvem de charuto, e testemunhar a criação do Universo Marvel. E eu não sou um historiador de quadrinhos, mas existem poucos, se existe algum, que vieram pessoalmente e experimentaram o que eu vi, e eu sei que a verdade.

Meu pai se aposentou dos quadrinhos nos anos 80 e morreu em 1994. Lee teve mais de 35 anos de publicidade sem contestação, naturalmente, com a benção e cobertura da Marvel, enquanto ele promovia a marca e a si mesmo. As décadas de autopromoção culminaram nas suas participações em mais de 35 filmes da Marvel, começando com os X-Men em 2000, solidificando sua imagem como criador de tudo da Marvel para uma audiência de milhões, que não conhece a verdadeira história da Marvel Comics. O primeiro crédito do meu pai em tela só aconteceu no final da adaptação de Homem de Ferro, após Stan Lee, Don Heck, Lary Lieber. A batalha pelos direitos de criação estão aí. Passou da hora de, pelo menos, ter um desses capítulos de história/arte com justiça. Nada a declarar.

Leia mais sobre Stan Lee:

Stan Lee foi roteirista e editor-chefe da Marvel Comics na década de 1960. Ao lado de artistas como Jack Kirby e Steve Ditko, criou alguns dos super-heróis que agora são a base para os maiores filmes de sucesso da indústria e o universo de narrativa interconectada popular em diferentes meios.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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