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Repletos de reflexos de seu tempo, os primeiros filmes de James Bond abordam alguns temas sensíveis de maneira não mais aceita hoje em dia e, entendendo isso, o BFI (British Film Institute) criou polêmica ao colocar “avisos de gatilho” em exibições especiais no Reino Unido. Leia:

“Por favor, note que muitos desses filmes contêm linguagens, imagens e outros conteúdos que refletem pontos de vista predominantes de sua época, mas que causam ofensa hoje em dia. Os títulos são incluídos aqui por razões históricas, culturais ou estéticas e essas opiniões não são de forma alguma endossadas pelo BFI ou seus parceiros,” exibe o BFI antes de cada filme.

Há também um aviso adicional antes de Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967), que cita que o filme tem “estereótipos raciais desatualizados“.

As exibições, que estão acontecendo para homenagear o compositor John Barry, estão dividindo o público britânico por causa desses avisos. Parte acha a atitude do BFI exagerada, outra entende que o “disclaimer” é necessário.

Um exemplo de debate a favor dos avisos está em um artigo do The Guardian, que cita a atitude do BFI como uma espécie de “licença para ofender“. No texto, há uma justificativa da instituição:

“Como uma instituição de caridade cultural responsável pela preservação do trabalho de cinema e imagem em movimento, enfrentamos e lidamos continuamente com os desafios apresentados pela história do cinema e como eles refletem pontos de vista predominantes em seu tempo.

Embora tenhamos a responsabilidade de preservar os filmes o mais próximo possível de sua precisão contemporânea, mesmo quando eles contêm linguagem ou representação que rejeitamos categoricamente, também temos uma responsabilidade na forma como os apresentamos ao nosso público. Os avisos de gatilho/avisos de conteúdo que fornecemos em todos os nossos espaços de exibição e plataformas online, funcionam como orientação de que um filme ou obra reflete pontos de vista da época em que foram feitos e que podem causar ofensa.

Revisamos continuamente nossos processos em torno da apresentação de filmes e trabalhos de imagem em movimento, para fazer melhorias e apoiar a confiança do público. Ouvimos o feedback dos clientes e também continuamos a trabalhar em estreita colaboração com a BBFC e suas classificações para dar orientação apropriada. Este trabalho é, por natureza, contínuo,” disse um porta-voz do BFI

Quem não gostou nada dos avisos foi a atriz Jenny Hanley, que trabalhou como Bond Girl em 007: A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969). Para ela, a atitude da BFI é um “insulto“.

“Acho um insulto nos dar um aviso. É coisa de babá. Todo mundo sabe um pouco sobre o filme que vai assistir. Número um, porque custa muito hoje em dia, e número dois, você não quer ir ver um filme sobre o qual você não sabe nada. Os filmes de Bond foram feitos nos anos 60, você sabe o que esperar. Na verdade, procurei saber o que era ‘woke’ e descobri que originalmente era um ‘alerta para a injustiça na sociedade’. Era uma palavra americana que era hip nos anos 60 e a definição mudou. Agora parece que se você está chateado com alguma coisa, você é a parte inocente, você está acordado e todo mundo está errado,” disse Hanley para o GB News.

“Você não pode cancelar algo assim. Quer dizer, foi escrito na década de 1950 e esse é seu tempo. Você quer mudar Shakespeare e dizer que não pode estudar Shakespeare na escola agora, porque Romeu e Julieta era sobre relações íntimas com menores de idade, porque há assassinato, envenenamento e afogamento? Você se torna uma pessoa muito patética, eu acho. Se torna uma babá. As pessoas sabem o que vão ver e, se não souberem, deveriam ter feito o dever de casa,” completou a atriz.

Bem, polêmicas à parte, a EON, produtora responsável por fazer os filmes de James Bond, reconhece que muitos estereótipos da franquia não cabem mais hoje em dia. Tanto que, assumidamente, Barbara Broccoli se mantém focada em fazer novas histórias enquadradas nos padrões atuais da sociedade.

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Quanto ao próximo filme de James Bond, a produtora Barbara Broccoli disse estar estudando a melhor maneira de reinventar o personagem para o próximo capítulo.

O desenvolvimento ainda está no início e 007 não deve ganhar um filme antes de 2026.

Fonte: The Independent

Ramon Vitor, Editor-Chefe do site, engenheiro civil convertido em jornalista, é um apaixonado por cinema, quadrinhos e pelo poder transformador da comunicação. Com um olhar analítico aprimorado por anos de estudo da indústria cinematográfica, ele mergulha em seus artigos para O Vício desde 2021, transformando sua paixão em conteúdo cativante. Descubra uma perspectiva única sobre o universo do cinema e da TV.