Das séri
es de quadrinhos da temporada, sem dúvidas a mais esperada era The Flash. Produzida pelo canal CW, o mesmo de Arrow, as séries se passam no mesmo universo, e inclusive o protagonista Barry Allen (Grant Gustin) já havia feito sua estreia na segunda temporada da série que adapta as aventuras do Arqueiro Verde. E a espera não foi em vão. The Flash já é considerado o maior sucesso do canal, e já conquistou um lugar no coração dos fãs, sendo até mais elogiada que sua “irmã”, Arrow.
O motivo do sucesso é simples, The Flash se permitiu ousar. Permitiu cruzar a barreira dos poderes, ou como os personagens costumam se referir na série: o impossível. Algo que a DC parecia ter medo de assumir desde a trilogia Batman do diretor Christopher Nolan, e que aos poucos, de forma sutil e tímida, foram cruzando a linha durante a segunda temporada de Arrow.
The Flash veio para derrubar essa barreira de vez. Uma série com cara de gibi, com jeitão de gibi, que se assume como gibi e que tem orgulho disso. Ou seja, sucesso garantido. Porque é isso que o povo quer.
No início da temporada, conhecemos um pouco da história de Barry Allen, um jovem cientista forense que trabalha na polícia e é obcecado pelo “impossível”, que mais precisamente é um homem dentro de um relâmpago amarelo, que matou sua mãe quando ele era apenas uma criança, e fez com que seu pai fosse incriminado (aliás, algo interessante de se citar aqui: o pai de Barry é interpretado pelo ator John Wesley Shipp, que foi justamente o Flash na antiga série dos anos 90).
Mesmo tendo presenciado tudo, Barry sempre foi desacreditado por todos, e cresceu com um objetivo fixo de provar o que viu, e pegar seja lá o que foi aquilo que assassinou sua mãe. Criado pelo Detetive Joe West (Jesse L. Martin), que o adotou após o crime, Barry cresceu mantendo uma paixão secreta pela filha de Joe, Iris (Candice Patton).
Até que um dia ele é acertado por um raio no mesmo momento da explosão de um acelerador de partículas dos Laboratórios Star e… BUM. The Flash.

A premissa é essa. Simples, até. Mas funcional como tem que ser, sem fugir do original, adaptando apenas o que é necessário, e indo direto ao assunto. Afinal, ainda no episódio piloto já vemos de uma só vez o passado de Barry, conhecemos sua personalidade, presenciamos o acidente, vemos suas transformação, e já temos até o Flash devidamente caracterizado com o uniforme escarlate.
Inclusive, descobrimos que o mesmo acidente que criou o Flash, também afetou outras pessoas, que também receberam algum tipo de poder especial e são denominados na série como meta-humanos. Barry decide então usar seus dons de uma forma positiva, capturando os meta-humanos potencialmente perigosos com a ajuda de seus novos amigos dos Laboratórios Star, o jovem geek Cisco Ramon (Carlos Valdes), a doutora Caitlin Snow (Danielle Panabaker), e o misterioso dono do local, Harrison Wells (Tom Cavanagh), preso à uma cadeira de rodas desde o acidente. Os leitores mais atentos da DC já devem ter notado que Cisco e Caitlin são nada mais nada menos que os personagens Vibro e Nevasca nos quadrinhos. O que nos leva a crer que o acidente com o acelerador de partículas não será o único causador de poderes na série, e que em algum momento esses dois desenvolverão seus dons, por algum motivo.

Aliás, destaque para o personagem Cisco, que é um dos mais legais em The Flash. Nerd até a alma, o garoto não consegue esconder a sua empolgação com toda a situação, e é responsável por alguns dos momentos mais hilários da série, principalmente por ter tomado para si o trabalho de dar um codinome a todos os vilões. Seria como se Cisco fosse um de nós ali, ele faz o papel de nos colocar na tela, e só o fato de dar nomes aos vilões já faz com que essa série tenha tão cara de gibi.
E vilão é o que não falta. Graças ao acidente com o acelerador de partículas, vários dos vilões dos quadrinhos puderam ser adaptados para a série, e assim tivemos as aparições de Plastique, Multiplex, Mago do Tempo, entre outros. Mas quem mais chamou atenção e roubou a cena não foi nenhum dos meta-humanos, e sim aquele que é meu favorito da galeria de vilões do Flash: o Capitão Frio. Interpretado por Wentworth Miller, mais conhecido como o Michael Scofield de Prison Break, o personagem foi de longe o mais interessante até agora entre todos os oponentes do Flash. Além de dar mais trabalho e ter sido o único que não foi derrotado, o episódio em que Frio aparece foi o que teve as melhores cenas de ação e de efeitos especiais, como o salvamento dos passageiros de um trem descarrilado, sem dúvidas a melhor cena da série em todos os nove episódios. E o Capitão Frio já está confirmado para retornar no décimo episódio, onde teremos a adaptação da primeira formação da Galeria.

Durante esses nove episódios que compuseram metade da primeira temporada (The Flash só retorna ano que vem), vimos o rapaz acertado pelo raio aprender a usar os seus poderes, se tornar um herói, viver dilemas e aprender com seus erros. A série possui uma ótima construção de personagens e de enredo, criando um aura de mistério que mantém o espectador curioso sobre o que está de fato acontecendo. Falarei sobre alguns desses mistérios no tópico logo abaixo.
Flash Reverso, Crise, e o mistério de Harrison Wells
Deixei para falar sobre esses três itens separadamente, por ser o maior mistério da série, e por estarem intrinsecamente ligados.
Considero, aliás, que esse é o maior trunfo da série. Deixar todos (inclusive os fãs do personagem e leitores de quadrinhos, que teoricamente “saberiam tudo”) completamente perdidos e criando teorias e mais teorias pelos fóruns na internet. Esse clima de mistério que atiça a curiosidade e coloca milhares de fãs formulando teorias é algo incrível, e foi o que eu vi acontecer em The Flash, quando uma pergunta pairava sobre a cabeça dos fãs: Quem é Harrison Wells?
No piloto da série, somos apresentados a Wells como o dono dos laboratórios Star, e responsável pelo acelerador de partículas que ocasionou o acidente que criou o Flash e todos os outros meta-humanos. Um homem confinado a uma cadeira de rodas devido ao acidente, e aparentemente alguém que se sente culpado e quer expiar os seus erros. Porém, no final do mesmo episódio, somos surpreendidos com Wells entrando em uma misteriosa sala secreta, andando normalmente, e ao acessar um painel, tendo acesso a um jornal do futuro. Mais precisamente de Abril de 2024.

Só esse jornal já foi suficiente para EXPLODIR cabeças e criar dezenas de teorias. Temos uma “crise” sendo citada, o desaparecimento do Flash, e o surgimento de um céu vermelho. Para quem não se ligou, é uma referência direta à Crise nas Infinitas Terras, famosa saga da DC Comics em que o Flash realmente desaparece, quando morre tentando salvar o multiverso. Além do céu vermelho ser um acontecimento característico de todas as crises que ocorrem na editora. Estaria a DC planejando uma Crise para o ano de 2024 nos cinemas, juntando o universo das séries e o vindouro universo cinematográfico? Só o tempo dirá, mas o interessante aqui é pensar como Harrison Wells teve acesso ao futuro. As primeiras teorias que surgiram, obviamente, apontavam que o Wells era o Flash Reverso, o grande nêmesis do herói nos quadrinhos, e o tal borrão amarelo que matou sua mãe.
Porém, temos ainda na série um outro personagem para confundir, e que também pode ser o vilão: o Detetive Eddie Thawne (Rick Cosnett). Possuindo o mesmo sobrenome do Flash Reverso nos quadrinhos, que se chama Eobard Thawne, seria Eddie apenas um antepassado de Eobard, introduzido na série só para nos despistar? Ou seria ele o próprio Flash Reverso, infiltrado na polícia com um nome mais plausível (Eobard é um nome do futuro) para se aproximar de Barry? Algo que fortalece essa teoria é o fato de Eddie engatar um relacionamento com Iris West, o grande amor da vida de Barry, o que poderia ser uma tentativa de “machucá-lo”. De uma forma ou de outra, foi uma boa sacada dos produtores colocarem esse personagem na série para despistar e gerar discussões.
Mas voltando a Harrison Wells, no decorrer dos episódios mais algumas pequenas pistas foram sendo colocadas acerca do personagem. Vimos que Wells realmente tem acesso à informações do futuro, ele mata a sangue frio, sabia do acidente e que isso transformaria Barry Allen, e parece ter uma obsessão pessoal em fazer com o que o Flash se torne o grande herói que é no futuro. Algumas teorias que envolvem o personagem o apontam como sendo o próprio Eobard Thawne, outras dizem que ele é apenas um lacaio do vilão que teve acesso à tecnologia do futuro pelo mesmo, e algumas (mais absurdas) chegaram a dizer que Harrison Wells seria o próprio Barry Allen mais velho, vindo do futuro. Teorias à parte, o fato é que a construção da série em torno desse mistério é algo sensacional.
E no último episódio desse ano, intitulado “The Man in the Yelow Suit” (O homem no uniforme amarelo), tivemos um pequeno vislumbre do que realmente pode significar tudo isso, e sobre quem de fato é o Flash Reverso. Mas é uma cena aberta a interpretações, e que abre ainda muitas outras perguntas. Aguardemos o desenrolar nos próximos episódios.
The Flash retorna em 20 de janeiro.





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